Num país como Portugal onde predomina uma cultura de esquerda, herdada de uma revolução socialista, já lá vão trinta e seis anos, e de uma formação sindical e política de partidos ditos de esquerda, das chamadas «classes trabalhadoras», não é fácil ser de direita e falar sobre os valores da direita.
E, até, paradoxalmente, pessoas que assumidamente compreenderam e assimilaram os valores da direita, têm vergonha ou temor de o dizer publicamente.
É muito triste e confrangedor, termos a constatação destes factos, num país dito livre e democrático, como se afirma Portugal, através do poder instituído.
Ser de direita não é nenhum sacrilégio, não é nenhum crime É preciso desmontar, de uma vez por todas, este preconceito, esta ideia feita de que a direita, como a muitos portugueses foi repetidamente ensinado, é o fascismo e a reacção, a faixa politica onde se situam os patrões e donos de empresas, como se estes não fossem também trabalhadores.
Nada mais errado!
É preciso desmontar o mito e o preconceito!
É preciso divulgar os valores da direita, os verdadeiros valores da direita, para que, quem trabalha, seja por conta de outrem, seja por conta própria, seja activo ou aposentado, os possa compreender e decidir livremente.
Só assim haverá verdadeira liberdade no nosso país.
Não é, como acontece, na maioria dos casos, os órgãos de comunicação, veicularem apenas ideias de esquerda, através de oradores e colunistas, quase sempre os mesmos, previamente seleccionados, que esclarecemos e tiramos as dúvidas ao povo português.
Por isso Portugal é um país de esquerda! Por isso temos uma cultura de esquerda e com ela, no meu entender, nos estamos a afundar.
A utopia, como sempre, e como valor absoluto que é no nossos país, prevalece sobre a realidade. Nada é mais importante do que a utopia.
Por isso somos, no contexto europeu, um dos países mais atrasados, senão mesmo o mais atrasado, de mais baixo rendimento «per capita» e, paradoxalmente onde predomina a pobreza, a ignorância, a «chico-espertice» ( leia-se, a mais douta consultoria generalista existente em Portugal) e a exclusão social.
Mas, também e ainda mais paradoxalmente e escandalosamente, onde predomina uma nobreza que aufere altíssimos rendimentos, muito acima das médias europeias, ligada às grandes empresas públicas e às grandes empresas privadas do betão e não só, que têm o privilégio, nesta sociedade paradoxal, de venderem bens não transaccionáveis (leia-se em que não há concorrência) e ganham quase sempre os grandes concursos públicos abertos pelo Estado.
São estes, então, os valores da esquerda?
São estes os valores que empobrecem cada vez mais os portugueses e as classes trabalhadoras e contribuem para o aparecimento de uma nobreza riquíssima, que não faz outra coisa senão acumular dinheiro e mais dinheiro à custa do sacrifício e da miséria dos portugueses?
Em Portugal tudo indica que sim!
Os factos observados, apontam nesse sentido, ou seja, os valores da esquerda só têm contribuído para o empobrecimento de grande parte dos portugueses e para o enriquecimento desmesurado de minorias privilegiadas!
Mas, os valores da esquerda, não se esgotam nem se resumem apenas nos factos atrás descritos.
Há muito mais a dizer, e que constitui a base, os alicerces deste edifício, prestes a ruir e que se chama Portugal.
A diferença entre esquerda e direita não é apenas filosófica, mas acima de tudo de natureza metodológica, isto é, os métodos utilizados para se atingir o máximo nível de bem-estar social, objectivo a que se propõe toda a filosofia política, são muito diferentes entre a esquerda e a direita.
Assim:
- Principais diferenças de ordem filosófica:
A esquerda é limitativa da liberdade individual e da livre iniciativa
A direita propõe a liberdade individual, com responsabilidade e a livre iniciativa
A esquerda é igualitária, isto é, reduz o indivíduo, à condição de mero número social igual a todos os outros, não distinguindo os bons dos maus
A direita incentiva o valor, a criatividade e a afirmação individual, isto é, dá espaço a que cada indivíduo construa em liberdade a sua vida e a sua carreira.
A esquerda é colectivista, é contra a propriedade privada e portanto é contra natureza intrínseca do Homem, que deseja a propriedade de bens materiais.
A direita defende a propriedade privada e incentiva o indivíduo, pelo seu esforço, pelo seu trabalho e pelas suas capacidades, a tornar-se proprietário.
A esquerda defende valores anti-naturais, isto é, que são contra a Vida e a Ordem Natural (defende o Aborto, a Homossexualidade, a Droga).
A direita defende valores naturais que procuram preservar a Vida e a Ordem Natural.
A esquerda defende a unicidade de pensamento, procurando impor uma única forma de pensar a todos os cidadãos.
A direita propõe a liberdade de expressão e pensamento e o pluralismo democrático
A esquerda é anarco-revolucionária, isto é, procura substituir os valores sociais que se impuseram ao longo dos séculos e da história do Homem, como os mais adequados, por valores anti-sociais ou simplesmente a ausência de valores de referência, substituindo-os pelo individualismo.
A direita procura preservar, numa perspectiva de evolução das sociedades, os valores sociais fundamentais, como a Família, o papel e responsabilidade dos pais na educação e formação dos filhos e princípios e valores sociais que constituam referências para o conjunto da sociedade.
A esquerda é estatizante, isto é, defende o primado do Estado sobre o cidadão, isto é, a prevalência de um Estado orientador e controlador dos actos dos cidadãos e a submissão incondicional destes àquele.
A direita defende o primado do cidadão sobre o Estado, ou seja, o Estado existe para servir os cidadãos e prover às suas necessidades colectivas., que não possam ser satisfeitas por privados.
- Principais diferenças de ordem metodológica:
A esquerda é interventiva e totalitária, isto é, intervém na sociedade e no sistema económico, através de um Estado gigante e todo poderoso, asfixiando e e limitando a livre acção das forças sociais e dos agentes económicos.
A direita defende a regulação e não a intervenção do Estado, criando espaço à livre iniciativa e à capacidade criadora dos cidadãos e dos agentes económicos.
A esquerda defende um Estado Social baseado no livre arbítrio do Estado em matéria de cobrança de impostos e contribuições, retirando uma parte substancial do rendimento obtido por quem se esforça, trabalha e revela capacidades, para redistribuir a quem não trabalha, não se esforça e não revela capacidades, dando origem a graves injustiças e fomentando o ócio, o desemprego e o parasitismo.
A direita propõe um Estado Social baseado numa economia sólida, em crescimento, num Estado de pequena dimensão, cobrando impostos e contribuições de forma equilibrada, fornecendo o apoio social a quem realmente precisa e criando condições para ocupação de postos de trabalho a quem estiver em condições de trabalhar.
A esquerda defende o primado do social sobre o económico, isto é, tende a distribuir riqueza ainda não gerada ou gerada de modo insuficiente por um sistema económico frágil e sobrecarregado de impostos e contribuições, contribuindo para o definhar daquele e pondo em causa o Estado Social.
A direita defende o primado do económico sobre o social, isto é, criar previamente riqueza suficiente, através de um sólido sistema económico, e só depois distribuí-la de forma equilibrada, justa e equitativa, gerindo deste modo um sólido e verdadeiro Estado Social.
A esquerda é maximizante da dimensão do Estado e do seu poder interventivo, dificultando a acção dos agentes económicos e colocando-os ao serviço daquele, limitando deste modo o desenvolvimento económico natural.
A direita é minimizante da dimensão do Estado e do seu poder interventivo, dando espaço à acção dos agentes económicos e dos cidadãos, com um adequado nível de regulação.
Procurei apontar apenas as principais diferenças de ordem geral.
Muitas mais se poderiam apontar, de pormenor.
Em síntese e comparando as principais diferenças entre esquerda e direita, não é difícil deduzir as causas do nosso sub-desenvolvimento.
Enquanto a filosofia política e as metodologias subjacentes, que prevalecem em Portugal não mudarem, o país não terá futuro.
Enquanto não prevalecer o equilíbrio e os pratos da balança continuarem desequilibrados apenas em favor de umas partes do tecido social, Portugal não terá futuro.
Por isso e como já referi em artigos anteriores, defendo a «democracia social flexível» ao centro, com equilíbrio entre esquerda e direita, mas tendo como pano de fundo, base e suporte de tudo, a prevalência dos valores da direita, os únicos capazes de gerar riqueza em abundância e depois permitir a sua distribuição de forma justa e equitativa, num quadro de liberdade, com responsabilidade, dos cidadãos.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
ALTERAÇÃO À CONSTITUIÇÃO, JÁ!
Finalmente um Partido, o PSD, propõe, não uma revisão, mas uma alteração de 98 artigos da actual Constituição.
É a primeira vez que, desde a revolução socialista de 1974, que tal sucede.
Aplaudo com toda a veemência tal atitude.
Nos meus artigos, desde há muito, que defendo tal alteração, como absolutamente necessária para o país sair do marasmo em que se encontra, completamente prisioneiro do paradigma marxista e de uma espécie de ditadura do proletariado em regime semi-capitalista.
De facto, se tal alteração não for feita, Portugal não terá futuro.
Será um país agonizante, a morrer lentamente, meio asfixiado, por um sistema e um regime que não é nem capitalista nem colectivista.
É um meio termo, é um termo híbrido, que pretende ser as duas coisas, mas não é nem uma nem outra..
A questão de fundo é esta:
- O dilema que defrontamos, neste momento, é libertar a economia, é criar, manter e desenvolver uma economia sólida, que possa ser a base consistente, de um Estado Social, não totalitário e não exclusivamente público, mas em que os cidadãos possam ter liberdade de escolher o seu sistema de protecção social.
- Libertar a economia e desenvolvê-la, para criar riqueza e com esta aumentar o rendimento «per capita», isto é, de cada cidadão, e dar espaço para que cada indivíduo prospere em função do seu esforço, do seu trabalho, das suas capacidades e das suas competências.
- Libertar os cidadãos da tutela do Estado, diminuir a dimensão deste, e atribuir-lhe apenas o seu papel de regulador e de provedor das necessidades colectivas, através das receitas provenientes dos impostos, justos e equitativos.
Ter a pretenção de atingir estes objectivos com o regime constitucional vigente é completamente impossível.
O regime constitucional, ainda de forte cariz marxista e demasiado analítico e extenso (actualmente tem 266 artigos), mais parecendo uma Portaria regulamentar do que uma Constituição, tem sido o principal obstáculo ao nosso desenvolvimento.
Porque tudo está dependente dele:
- As grandes Leis que regulam a sociedade, a economia, o sistema judicial, a educação, a saúde, o sistema social, as leis laborais, tudo está na sua dependência.
Em particular a economia, de que tudo depende, está a funcionar num sistema, fortemente condicionado pelo paradigma marxista, em que é permitida a empresa e a iniciativa privadas, mas em que os empresários estão apenas a substituir o Estado na gestão dessas empresas, é-lhes retirado a maior parte do rendimento, através de pesadas taxas contributivas e fiscais directas e indirectas e obrigando a contratações laborais rígidas, em função de um Código do Trabalho, desequilibrado a favor de uma das partes, o chamado trabalhador, vivendo-se uma situação muito próxima de uma «ditadura do proletariado», característica de um regime colectivista.
Ou seja, neste sistema, o Estado utiliza e manipula as empresas e os empresários, e coloca-os ao serviço de si próprio e dos seus objectivos totalitários.
Por isso, atinge hoje dimensões gigantescas, dando emprego directo, com boas remunerações, acima do sector privado, a cerca de 700.000 funcionários a que há a acrescentar o emprego gerado nas autarquias locais, que também cobram impostos, aproximando-se o emprego público directo e indirecto, de números da ordem de um milhão de funcionários.
Se acrescentarmos a população subsidiada e reformados, existem hoje cerca de 6 milhões de pessoas dependentes do Estado, isto é, mais de metade da população portuguesa.
Se juntarmos toda a restante despesa corrente do Estado, as despesas totais deste gigante, já ultrapassam mais de metade do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal.
Num sistema destes, com uma enorme componente pública, não há economia (dita privada, mas com forte controlo e regulação do Estado) que resista.
Por isso está como todos sabemos.
O problema é que, com uma economia moribunda e agonizante, e as fontes externas de financiamento a terminar, porque já ultrapassaram todos os limites, o Estado deixa progressivamente de se auto-sustentar e a médio/longo prazo ele próprio pode entrar em colapso, podendo dar origem a uma catástrofe social sem precedentes.
Este risco existe e é muito sério se nada, entretanto, for feito, começando pela alteração da Constituição.
Em minha opinião, no limite e a longo prazo, numa situação hipotética, se nada for feito a partir daquela alteração da Lei Fundamental, a economia tal como está funcionar, poderá entrar em colapso incontrolável e só restará ao Estado para salvar o que for possível, a colectivização dos meios de produção e das empresas, deixando de haver economia privada.
Ou seja, mandar os empresários para casa e assumir ele próprio Estado o controlo de uma economia colectivizada, através dos seus agentes públicos.
Por isso e para evitar que tal aconteça, é urgente uma alteração profunda da Constituição.
Alteração profundamente estudada, analisada e ponderada, tendo em vista criar as condições de base do desenvolvimento e do progresso de Portugal.
É confrangedor constatar a teimosia, a obstinação e o radicalismo da chamada esquerda portuguesa que, agarrada à utopia fundamentalista de valores, não só ultrapassados no tempo, mas acima de tudo completamente desfasados da realidade do nosso dia-a-dia, estão a contribuir para o desmoronamento do sistema económico e social do país.
Dada a tendência do voto do eleitorado português, não vai ser fácil a alteração do paradigma constitucional, pois nunca se conseguirá uma maioria de 2/3 na Assembleia da República. Tudo está nas mãos do Partido Socialista, o partido que tem reflectido maioritariamente, a tendência eleitoral dos portugueses que votam.
Mas, não nos iludamos, o Partido Socialista pouco ou nada vai ceder e tudo continuará na mesma, ou seja o país vai continuar a afundar-se, pelo definhamento progressivo da economia, base e suporte de tudo.
Porque, em Portugal, a utopia ideológica é um valor absoluto, muito acima da realidade de um país destruído!
Nada vale mais do que a utopia...!
É a primeira vez que, desde a revolução socialista de 1974, que tal sucede.
Aplaudo com toda a veemência tal atitude.
Nos meus artigos, desde há muito, que defendo tal alteração, como absolutamente necessária para o país sair do marasmo em que se encontra, completamente prisioneiro do paradigma marxista e de uma espécie de ditadura do proletariado em regime semi-capitalista.
De facto, se tal alteração não for feita, Portugal não terá futuro.
Será um país agonizante, a morrer lentamente, meio asfixiado, por um sistema e um regime que não é nem capitalista nem colectivista.
É um meio termo, é um termo híbrido, que pretende ser as duas coisas, mas não é nem uma nem outra..
A questão de fundo é esta:
- O dilema que defrontamos, neste momento, é libertar a economia, é criar, manter e desenvolver uma economia sólida, que possa ser a base consistente, de um Estado Social, não totalitário e não exclusivamente público, mas em que os cidadãos possam ter liberdade de escolher o seu sistema de protecção social.
- Libertar a economia e desenvolvê-la, para criar riqueza e com esta aumentar o rendimento «per capita», isto é, de cada cidadão, e dar espaço para que cada indivíduo prospere em função do seu esforço, do seu trabalho, das suas capacidades e das suas competências.
- Libertar os cidadãos da tutela do Estado, diminuir a dimensão deste, e atribuir-lhe apenas o seu papel de regulador e de provedor das necessidades colectivas, através das receitas provenientes dos impostos, justos e equitativos.
Ter a pretenção de atingir estes objectivos com o regime constitucional vigente é completamente impossível.
O regime constitucional, ainda de forte cariz marxista e demasiado analítico e extenso (actualmente tem 266 artigos), mais parecendo uma Portaria regulamentar do que uma Constituição, tem sido o principal obstáculo ao nosso desenvolvimento.
Porque tudo está dependente dele:
- As grandes Leis que regulam a sociedade, a economia, o sistema judicial, a educação, a saúde, o sistema social, as leis laborais, tudo está na sua dependência.
Em particular a economia, de que tudo depende, está a funcionar num sistema, fortemente condicionado pelo paradigma marxista, em que é permitida a empresa e a iniciativa privadas, mas em que os empresários estão apenas a substituir o Estado na gestão dessas empresas, é-lhes retirado a maior parte do rendimento, através de pesadas taxas contributivas e fiscais directas e indirectas e obrigando a contratações laborais rígidas, em função de um Código do Trabalho, desequilibrado a favor de uma das partes, o chamado trabalhador, vivendo-se uma situação muito próxima de uma «ditadura do proletariado», característica de um regime colectivista.
Ou seja, neste sistema, o Estado utiliza e manipula as empresas e os empresários, e coloca-os ao serviço de si próprio e dos seus objectivos totalitários.
Por isso, atinge hoje dimensões gigantescas, dando emprego directo, com boas remunerações, acima do sector privado, a cerca de 700.000 funcionários a que há a acrescentar o emprego gerado nas autarquias locais, que também cobram impostos, aproximando-se o emprego público directo e indirecto, de números da ordem de um milhão de funcionários.
Se acrescentarmos a população subsidiada e reformados, existem hoje cerca de 6 milhões de pessoas dependentes do Estado, isto é, mais de metade da população portuguesa.
Se juntarmos toda a restante despesa corrente do Estado, as despesas totais deste gigante, já ultrapassam mais de metade do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal.
Num sistema destes, com uma enorme componente pública, não há economia (dita privada, mas com forte controlo e regulação do Estado) que resista.
Por isso está como todos sabemos.
O problema é que, com uma economia moribunda e agonizante, e as fontes externas de financiamento a terminar, porque já ultrapassaram todos os limites, o Estado deixa progressivamente de se auto-sustentar e a médio/longo prazo ele próprio pode entrar em colapso, podendo dar origem a uma catástrofe social sem precedentes.
Este risco existe e é muito sério se nada, entretanto, for feito, começando pela alteração da Constituição.
Em minha opinião, no limite e a longo prazo, numa situação hipotética, se nada for feito a partir daquela alteração da Lei Fundamental, a economia tal como está funcionar, poderá entrar em colapso incontrolável e só restará ao Estado para salvar o que for possível, a colectivização dos meios de produção e das empresas, deixando de haver economia privada.
Ou seja, mandar os empresários para casa e assumir ele próprio Estado o controlo de uma economia colectivizada, através dos seus agentes públicos.
Por isso e para evitar que tal aconteça, é urgente uma alteração profunda da Constituição.
Alteração profundamente estudada, analisada e ponderada, tendo em vista criar as condições de base do desenvolvimento e do progresso de Portugal.
É confrangedor constatar a teimosia, a obstinação e o radicalismo da chamada esquerda portuguesa que, agarrada à utopia fundamentalista de valores, não só ultrapassados no tempo, mas acima de tudo completamente desfasados da realidade do nosso dia-a-dia, estão a contribuir para o desmoronamento do sistema económico e social do país.
Dada a tendência do voto do eleitorado português, não vai ser fácil a alteração do paradigma constitucional, pois nunca se conseguirá uma maioria de 2/3 na Assembleia da República. Tudo está nas mãos do Partido Socialista, o partido que tem reflectido maioritariamente, a tendência eleitoral dos portugueses que votam.
Mas, não nos iludamos, o Partido Socialista pouco ou nada vai ceder e tudo continuará na mesma, ou seja o país vai continuar a afundar-se, pelo definhamento progressivo da economia, base e suporte de tudo.
Porque, em Portugal, a utopia ideológica é um valor absoluto, muito acima da realidade de um país destruído!
Nada vale mais do que a utopia...!
sábado, 26 de junho de 2010
A MÉDICA-PROSTITUTA CHICO-ESPERTA
Passou hoje, em grande reportagem, em todas as estações da TVI, um documentá rio sobre uma médica pediatra inglesa que se prostituiu durante 14 meses para ganhar dinheiro que lhe permitisse pagar uma tese de doutoramento.
A notícia em si não me surpreendeu, já te tão vulgar ela é, pois toda a gente sabe que desde estudantes universitárias até mulheres já em vida profissional activa, se prostituiem apenas com o objectivo de ganhar muito dinheiro, dinheiro sujo é certo, mas muito dinheiro.
E a desculpa esfarrapada de que é para pagar estudos, ou coitadas porque estão mal na vida, também não convence, pois todos sabemos que os pais das estudantes dispõem de rendimentos suficientes, caso contrário não as teriam posto a estudar.
E além disso, há as bolsas de estudo a que os estudantes mais necessitados recorrem para financiar estudos e até os financiamentos bancários muito favoráveis que existem para tal efeito.
Mas, a natureza humana é mesmo assim.
Para a perversão e para o ilícito tem de arranjar sempre uma desculpa, um alíbi, uma justificação.
E, uma vez justificado o ilícito, torna-se lícito o procedimento, por mais sujo e injusto que seja.
É a chico-espertice a funcionar no seu melhor e, como há vários tipos de chico espertice, este poderíamos adjectivá-lo de chico-espertice suja, pois é das mais ignóbeis que se podem praticar.
No meu ponto de vista é pior do que roubar!
Passo a explicar porquê:
Em primeiro lugar, a prostituição enquanto tal, não é uma profissão ou actividade explicitamente declarada ou que conste das tabelas nacionais das Actividades Profissionais ou da Classificação das Actividades Económicas.
Logo, é uma actividade remunerada ilegal, porque não há nenhum controlo por parte do Estado, sobre os rendimentos (leia-se elevadíssimos, que ultrapassam a nossa imaginação) desta actividade e portanto não paga impostos como todos os cidadãos são obrigados a pagar.
Que se conste, as prostitutas não passam recibos-verdes nem facturas-recibo aos seus «clientes». Está entre aspas, porque os ditos clientes, na realidade não o são. Só há verdadeiros clientes em actividades legais.
Estas pessoas que recorrem a prostitutas era melhor chamar-lhes, não clientes, mas coitados, ou atrasados mentais...
Em segundo lugar e independentemente de julgamentos éticos ou morais, discutíveis, em relação a alguém que aluga ( é alugar e não vender; a prostituta não vende o corpo, aluga o corpo), o corpo, a questão que se coloca é de ordem filosófica, ou seja sobre a justiça ou injustiça social, do acto praticado e do rendimento gerado.
De facto, em relação ao conjunto da sociedade, esta ainda minoria, que se prostituem para ganhar muito dinheiro sem pagar impostos, acaba por ser uma classe privilegiada, que enriquece rapidamente numa vida divertida e fácil, enquanto a maioria da sociedade, tem de trabalhar no duro, uma vida inteira, muitas vezes com salários de miséria, para conseguir, não enriquecer, mas simplesmente sobreviver.
Conclui-se assim, que a actividade da prostituição, sendo por um lado ilegal (não declara rendimentos e portanto não paga impostos) e por outro, no plano das desigualdades sociais, é profundamente injusta, em relação àqueles que trabalham honestamente, é uma actividade èticamente ilícita e uma verdadeira fraude económica e social.
Por isso a classifiquei de roubo!
Voltando ao caso da médica inglesa, o que é estranho e surpreendente não é o acto em si, que é muito vulgar nos dias que correm, mas a forma despudorada como divulgou a actividade praticada através de entrevista à televisão e à referência que fez à publicação de um livro, descrevendo os pormenores e ainda à subida da sua reputação no meio social onde exerce a sua profissão.
Com efeito, estas sim, são três coisas muito estranhas!
Em primeiro lugar, interrogo-me como é possível, uma sociedade, neste caso a inglesa, permitir que uma mulher venha à televisão divulgar a actividade de prostituição a que se dedicou, com o falso pretexto de pagar um doutoramento
(basta fazer contas: média de 3 coitados/dia x € 400 x 420dias = € 504.000, ou seja, mais de meio milhão de euros em pouco mais de um ano).
Um doutoramento não custa nem de perto nem de longe, mesmo em Inglaterra, meio milhão de euros.
Em segundo lugar, a publicação de um livro, divulgando pormenores de sexo tido com os atrasados mentais que enganou.
De facto, pergunta-se, então o rendimento da prostituição não chegou para pagar o doutoramento, ainda foi preciso publicar um livro, para enganar mais uns milhares de parolos e com isso fazer mais uns milhares?
Mais uma prova de que a desculpa para a prática da prostituição não convence.
Em terceiro lugar, a referência à subida da reputação no meio social onde vive e no conjunto da sociedade inglesa!
É de pasmar!?
Se é verdade o que afirmou, então concluie-se que a sociedade inglesa, ao aprovar actos ética, económica e socialmente ilícitos, entende e deu o seu «agrement» que tais actos devem ser incentivados e até contribuem para o aumento da reputação das pessoas que os praticam.
Ou seja, a sociedade inglesa, incentiva a chico-espertice suja, os actos ilícitos, as fraudes económicas e sociais! E com isso incentiva muitas outras chico-espertas a fazerem o mesmo, porque é um exemplo a seguir!
Até aumenta a reputação e o prestígio social, porque o económico já está bem garantido, às prostitutas chico-espertas!
Se não fosse profundamente triste, este episódio é, no mínimo sórdido e ridículo!
No mundo ocidental é assim, como descrito.
Noutras sociedades daria pena de morte.
É o mundo imprevisível e incompreensível em que vivemos e nele temos de viver!
Até quando?
A notícia em si não me surpreendeu, já te tão vulgar ela é, pois toda a gente sabe que desde estudantes universitárias até mulheres já em vida profissional activa, se prostituiem apenas com o objectivo de ganhar muito dinheiro, dinheiro sujo é certo, mas muito dinheiro.
E a desculpa esfarrapada de que é para pagar estudos, ou coitadas porque estão mal na vida, também não convence, pois todos sabemos que os pais das estudantes dispõem de rendimentos suficientes, caso contrário não as teriam posto a estudar.
E além disso, há as bolsas de estudo a que os estudantes mais necessitados recorrem para financiar estudos e até os financiamentos bancários muito favoráveis que existem para tal efeito.
Mas, a natureza humana é mesmo assim.
Para a perversão e para o ilícito tem de arranjar sempre uma desculpa, um alíbi, uma justificação.
E, uma vez justificado o ilícito, torna-se lícito o procedimento, por mais sujo e injusto que seja.
É a chico-espertice a funcionar no seu melhor e, como há vários tipos de chico espertice, este poderíamos adjectivá-lo de chico-espertice suja, pois é das mais ignóbeis que se podem praticar.
No meu ponto de vista é pior do que roubar!
Passo a explicar porquê:
Em primeiro lugar, a prostituição enquanto tal, não é uma profissão ou actividade explicitamente declarada ou que conste das tabelas nacionais das Actividades Profissionais ou da Classificação das Actividades Económicas.
Logo, é uma actividade remunerada ilegal, porque não há nenhum controlo por parte do Estado, sobre os rendimentos (leia-se elevadíssimos, que ultrapassam a nossa imaginação) desta actividade e portanto não paga impostos como todos os cidadãos são obrigados a pagar.
Que se conste, as prostitutas não passam recibos-verdes nem facturas-recibo aos seus «clientes». Está entre aspas, porque os ditos clientes, na realidade não o são. Só há verdadeiros clientes em actividades legais.
Estas pessoas que recorrem a prostitutas era melhor chamar-lhes, não clientes, mas coitados, ou atrasados mentais...
Em segundo lugar e independentemente de julgamentos éticos ou morais, discutíveis, em relação a alguém que aluga ( é alugar e não vender; a prostituta não vende o corpo, aluga o corpo), o corpo, a questão que se coloca é de ordem filosófica, ou seja sobre a justiça ou injustiça social, do acto praticado e do rendimento gerado.
De facto, em relação ao conjunto da sociedade, esta ainda minoria, que se prostituem para ganhar muito dinheiro sem pagar impostos, acaba por ser uma classe privilegiada, que enriquece rapidamente numa vida divertida e fácil, enquanto a maioria da sociedade, tem de trabalhar no duro, uma vida inteira, muitas vezes com salários de miséria, para conseguir, não enriquecer, mas simplesmente sobreviver.
Conclui-se assim, que a actividade da prostituição, sendo por um lado ilegal (não declara rendimentos e portanto não paga impostos) e por outro, no plano das desigualdades sociais, é profundamente injusta, em relação àqueles que trabalham honestamente, é uma actividade èticamente ilícita e uma verdadeira fraude económica e social.
Por isso a classifiquei de roubo!
Voltando ao caso da médica inglesa, o que é estranho e surpreendente não é o acto em si, que é muito vulgar nos dias que correm, mas a forma despudorada como divulgou a actividade praticada através de entrevista à televisão e à referência que fez à publicação de um livro, descrevendo os pormenores e ainda à subida da sua reputação no meio social onde exerce a sua profissão.
Com efeito, estas sim, são três coisas muito estranhas!
Em primeiro lugar, interrogo-me como é possível, uma sociedade, neste caso a inglesa, permitir que uma mulher venha à televisão divulgar a actividade de prostituição a que se dedicou, com o falso pretexto de pagar um doutoramento
(basta fazer contas: média de 3 coitados/dia x € 400 x 420dias = € 504.000, ou seja, mais de meio milhão de euros em pouco mais de um ano).
Um doutoramento não custa nem de perto nem de longe, mesmo em Inglaterra, meio milhão de euros.
Em segundo lugar, a publicação de um livro, divulgando pormenores de sexo tido com os atrasados mentais que enganou.
De facto, pergunta-se, então o rendimento da prostituição não chegou para pagar o doutoramento, ainda foi preciso publicar um livro, para enganar mais uns milhares de parolos e com isso fazer mais uns milhares?
Mais uma prova de que a desculpa para a prática da prostituição não convence.
Em terceiro lugar, a referência à subida da reputação no meio social onde vive e no conjunto da sociedade inglesa!
É de pasmar!?
Se é verdade o que afirmou, então concluie-se que a sociedade inglesa, ao aprovar actos ética, económica e socialmente ilícitos, entende e deu o seu «agrement» que tais actos devem ser incentivados e até contribuem para o aumento da reputação das pessoas que os praticam.
Ou seja, a sociedade inglesa, incentiva a chico-espertice suja, os actos ilícitos, as fraudes económicas e sociais! E com isso incentiva muitas outras chico-espertas a fazerem o mesmo, porque é um exemplo a seguir!
Até aumenta a reputação e o prestígio social, porque o económico já está bem garantido, às prostitutas chico-espertas!
Se não fosse profundamente triste, este episódio é, no mínimo sórdido e ridículo!
No mundo ocidental é assim, como descrito.
Noutras sociedades daria pena de morte.
É o mundo imprevisível e incompreensível em que vivemos e nele temos de viver!
Até quando?
sexta-feira, 18 de junho de 2010
PLANO INCLINADO
Vejo com regularidade este programa transmitido pela SIC Notícias aos Sábados às 22 horas.
Admiro o programa, os oradores permanentes e as personalidades convidadas para discutirem os diversos problemas com que o nosso país se defronta, que não são de agora, mas que, por inoperância do poder político, se têm acumulado ao longo de décadas, em particular da última.
Admiro acima de tudo, a frontalidade com que os problemas são denunciados, são discutidos, são dissecados, sem receio do «politicamente correcto».
Aliás o «politicamente correcto» foi mais um chavão, a juntar a tantos outros, que os donos do poder inventaram para nos tentarem condicionar a voz, o pensamento, a liberdade de expressão.
Bem hajam os protagonistas do programa, pela sua coragem!
Gostei, em particular do último programa, transmitido no dia 12 de Junho, em que esteve presente, pela segunda vez o Prof. Errnâni Lopes, como convidado.
Apreciei, em particular a sua matriz de dupla entrada, para explicar as causas da situação de extrema gravidade em que nos encontramos e do nosso sub-desenvolvimento crónico.
Dessa matriz, destaco apenas o essencial dessas causas identificadas por Ernâni Lopes.
Na perspectiva deste Economista, que já foi Ministro das Finanças do governo de Mário Soares, o essencial das causas reside no facto de o poder político gerir o sistema económico e social de forma superficial, num horizonte temporal de curto prazo, num espaço restrito ao território de Portugal e da União Europeia e num quadro cultural (valores, atitudes e comportamentos) do povo português, muito deficiente.
Quando o orador se refere a um quadro cultural do povo português muito deficiente, queria significar as deficiências de educação, logo ao nível da família e da escola, em que predomina a moleza, o laxismo, a desonestidade, a chico-espertice, a aldrabice e o desenrascanso, como valores transmitidos aos jovens e que depois os seguem na vida profissional e social.
O orador vai mais longe e chega a afirmar que este deficiente quadro cultural, caracteristico do povo português, é a principal causa da situação de sub-desenvolvimento em que nos encontramos e de quase falência do país.
É este quadro cultural que predomina nas élites que gerem os destinos do país, a todos os níveis, como foi referido no programa.
De facto, é neste deficiente quadro cultural, combinado com os outros dois elementos da matriz de Ernâni Lopes ( a análise superficial das questões, num horizonte temporal de curto prazo e num espaço económico limitado), que residem as causas da situação em que nos encontramos.
Mas, foi sempre assim, se nos reportarmos à história. Só no período do Estado Novo, em ditadura, o país conheceu algum surto de desenvolvimento apreciável, por muito que isso possa contrariar opiniões «politicamente correctas».
Se nos lembrarmos, já o Marquês de Pombal se queixava do mesmo, deste deficiente quadro cultural.
Ernâni Lopes tem razão!
Enquanto predominar este quadro cultural deficiente, o país não vai longe. Enquanto os carreiristas da chico-espertice continuarem a chegar ao topo das hierarquias das organizações e do poder político, Portugal não vai longe.
Enquanto ficarem para trás preteridos, excluídos, os inteligentes, os competentes, os que detêm qualificações e os honestos, simplesmente porque por princípio ou porque não têm jeito para serem chicos-espertos, Portugal há-de ser sempre um país subdesenvolvido!
Já ouvi dizer a alguém que o mundo é dos espertos! Infelizmente á verdade!
E a realidade dura e crua aí está:
- São espertos mas não são inteligentes, são espertos porque têm jeito para a «ratice» para a aldrabice, mas não são competentes.
O país está como está, porque está comandado por espertos.
Voltando ao programa e ao tema, embora concorde com o essencial destas posições , há sempre coisas de que nunca se fala, pois os participantes foram parte activa no processo, pois ambos foram Ministros das Finanças em governos do Partido que está no poder.
Essas coisas de que nunca se fala, são as questões de fundo, as causas últimas de tudo isto.
Obviamente refiro-me à questão do regime, ao paradigma constitucional herdado de uma revolução socialista e o consequente modelo económico dela resultante e às limitações de uma democracia dita representativa, mas que tem pouco de representativo e por isso propensa a ser manipulada.
Já abordei este assunto em artigos anteriores. Não me vou repetir.
Apenas direi que, e pegando nas palavras de Ernâni Lopes, se o paradigma constitucional, o modelo económico dele derivado, o modelo de democracia representativa que temos e o quadro cultural deficiente de grande parte do povo português, não foram alterados, Portugal nunca irá longe.
Portugal foi e continuará a ser um país condenado ao insucesso, à estagnação económica e social e ao sub-desenvolvimento.
Continuará em PLANO INCLINADO.
Admiro o programa, os oradores permanentes e as personalidades convidadas para discutirem os diversos problemas com que o nosso país se defronta, que não são de agora, mas que, por inoperância do poder político, se têm acumulado ao longo de décadas, em particular da última.
Admiro acima de tudo, a frontalidade com que os problemas são denunciados, são discutidos, são dissecados, sem receio do «politicamente correcto».
Aliás o «politicamente correcto» foi mais um chavão, a juntar a tantos outros, que os donos do poder inventaram para nos tentarem condicionar a voz, o pensamento, a liberdade de expressão.
Bem hajam os protagonistas do programa, pela sua coragem!
Gostei, em particular do último programa, transmitido no dia 12 de Junho, em que esteve presente, pela segunda vez o Prof. Errnâni Lopes, como convidado.
Apreciei, em particular a sua matriz de dupla entrada, para explicar as causas da situação de extrema gravidade em que nos encontramos e do nosso sub-desenvolvimento crónico.
Dessa matriz, destaco apenas o essencial dessas causas identificadas por Ernâni Lopes.
Na perspectiva deste Economista, que já foi Ministro das Finanças do governo de Mário Soares, o essencial das causas reside no facto de o poder político gerir o sistema económico e social de forma superficial, num horizonte temporal de curto prazo, num espaço restrito ao território de Portugal e da União Europeia e num quadro cultural (valores, atitudes e comportamentos) do povo português, muito deficiente.
Quando o orador se refere a um quadro cultural do povo português muito deficiente, queria significar as deficiências de educação, logo ao nível da família e da escola, em que predomina a moleza, o laxismo, a desonestidade, a chico-espertice, a aldrabice e o desenrascanso, como valores transmitidos aos jovens e que depois os seguem na vida profissional e social.
O orador vai mais longe e chega a afirmar que este deficiente quadro cultural, caracteristico do povo português, é a principal causa da situação de sub-desenvolvimento em que nos encontramos e de quase falência do país.
É este quadro cultural que predomina nas élites que gerem os destinos do país, a todos os níveis, como foi referido no programa.
De facto, é neste deficiente quadro cultural, combinado com os outros dois elementos da matriz de Ernâni Lopes ( a análise superficial das questões, num horizonte temporal de curto prazo e num espaço económico limitado), que residem as causas da situação em que nos encontramos.
Mas, foi sempre assim, se nos reportarmos à história. Só no período do Estado Novo, em ditadura, o país conheceu algum surto de desenvolvimento apreciável, por muito que isso possa contrariar opiniões «politicamente correctas».
Se nos lembrarmos, já o Marquês de Pombal se queixava do mesmo, deste deficiente quadro cultural.
Ernâni Lopes tem razão!
Enquanto predominar este quadro cultural deficiente, o país não vai longe. Enquanto os carreiristas da chico-espertice continuarem a chegar ao topo das hierarquias das organizações e do poder político, Portugal não vai longe.
Enquanto ficarem para trás preteridos, excluídos, os inteligentes, os competentes, os que detêm qualificações e os honestos, simplesmente porque por princípio ou porque não têm jeito para serem chicos-espertos, Portugal há-de ser sempre um país subdesenvolvido!
Já ouvi dizer a alguém que o mundo é dos espertos! Infelizmente á verdade!
E a realidade dura e crua aí está:
- São espertos mas não são inteligentes, são espertos porque têm jeito para a «ratice» para a aldrabice, mas não são competentes.
O país está como está, porque está comandado por espertos.
Voltando ao programa e ao tema, embora concorde com o essencial destas posições , há sempre coisas de que nunca se fala, pois os participantes foram parte activa no processo, pois ambos foram Ministros das Finanças em governos do Partido que está no poder.
Essas coisas de que nunca se fala, são as questões de fundo, as causas últimas de tudo isto.
Obviamente refiro-me à questão do regime, ao paradigma constitucional herdado de uma revolução socialista e o consequente modelo económico dela resultante e às limitações de uma democracia dita representativa, mas que tem pouco de representativo e por isso propensa a ser manipulada.
Já abordei este assunto em artigos anteriores. Não me vou repetir.
Apenas direi que, e pegando nas palavras de Ernâni Lopes, se o paradigma constitucional, o modelo económico dele derivado, o modelo de democracia representativa que temos e o quadro cultural deficiente de grande parte do povo português, não foram alterados, Portugal nunca irá longe.
Portugal foi e continuará a ser um país condenado ao insucesso, à estagnação económica e social e ao sub-desenvolvimento.
Continuará em PLANO INCLINADO.
sábado, 29 de maio de 2010
A ESSÊNCIA DAS COISAS
Vem este tema a propósito da recente visita do Papa a Portugal.
Para além da grande recepção que teve, o que veio provar que afinal em Portugal ainda há Fé, nem tudo está perdido em matéria de espiritualidade e de crença em Algo que nos transcende.
Mas o que contou, acima de tudo, foi a mensagem que o Papa nos quis deixar e que sempre os mais altos dignitários da Igreja Católica, não perdem a oportunidade de transmitir.
O Papa, numa mensagem muito simples, chamou a atenção para o perigo de se estar a tulelar os princípios básicos da Vida, nesta sociedade dita pós-moderna.
O que pretenderia o Papa dizer com estas palavras?
Uma coisa muito simples:
É que, há princípios que decorrem da Ordem Natural estabelecida no Planeta que habitamos, herdada de uma evolução de milhões ou mesmo de biliões de anos e que permitiu que existisse Vida neste Astro que habitamos, na forma que conhecemos.
E que, se tentarmos alterar por Decreto-Lei (Lei dos Homens) estes princípios básicos da Vida, corremos o risco de pôr em causa milhões ou biliões de anos de evolução, o equilíbrio natural da vida no Planeta.
È óbvio que o Papa, Entidade Máxima dentro da Igreja Católica, quis ir mais longe, tendo em conta a sua grande crença em Deus, ou seja, não se podem tutelar princípios instituídos por Deus, no nosso Planeta.
Independentemente das crenças de cada um de nós, há um facto irrefutável e indesmentível e que biólogos, antropólogos e arqueólogos demonstraram, ao estudar a evolução das espécies neste Planeta:
- É que a evolução das espécies conduziu a uma Ordem Natural, a um equilíbrio natural, que tem permitido a sobrevivência de todas as espécies animais ou vegetais.
Naturalmente que, toda a intervenção do Homem que ponha em causa esta Ordem Natural, atenta contra os princípios básicos da vida, instituída no Planeta e por isso não é lícita.
Nesta perspectiva não é lícito legalizar o aborto voluntário, porque atenta contra a vida, não é lícito legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque atenta contra a vida, no sentido em que impede a reprodução natural da espécie humana, pervertendo a Ordem Natural, não é lícito legalizar a adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo, porque atenta igualmente contra a ordem natural de os filhos de humanos e de praticamente todas as espécies animais, terem como referência um pai e uma mãe, ou no caso da adopção de crianças, um homem e uma mulher, etc.
Seriam estes os factos em que o Papa certamente estaria a pensar, quando afirmou que « não podemos tutelar os princípios básicos da vida humana».
Mas, é também um facto, que o ser humano é o único das espécies animais, que tem capacidade para perverter a Ordem Natural, segundo os seus interesses egoístas ou para abrir espaço a tendências sociais e a modos de vida e de sociedade, ditos pós-modernos, que podem conter em si próprios graves perversões da Ordem Natural, pondo em risco todos os equilíbrios naturais, herdados de biliões de anos de evolução.
Um famoso psiquiatra afirmou há uns anos, fruto da sua experiência a lidar com a mente humana, que «quanto mais conheço o Homem, mais me convenço de que é o pior ser da criação...»
Esta afirmação de alguém que conhece melhor do que ninguém, a complexidade da mente humana, revela bem o poder da nossa inteligência para alterar, segundo as suas conveniências praticamente tudo o que entender, para o bem e para o mal da humanidade, inclusive a essência e os fundamentos básicos da Ordem Natural, a única que permitiu todos os equilíbrios da vida neste Planeta até à época actual.
E também é um facto que, quando perverte o equilíbrio e a Ordem Natural, o Homem consegue sempre arranjar uma justificação, um argumento ardiloso para justificar a perversão, sendo a partir daí tal perversão, considerada lícita e até tutelada pelo poder político.
Há países, como a Holanda, paradigmático em matéria de perversão dos equilíbrios naturais, em que, basta que seja observado com alguma permanência , um determinado comportamento fora dos padrões normais, por uma determinada minoria social, para que seja razão suficiente de tutela pelo poder político, ou seja, para que esse comportamento tenha cobertura legal..
No meu entender é uma via perigosa, que pode conduzir a graves desequilíbrios sociais, mas, mais grave ainda, é igualar por via legislativa, esses comportamentos socialmente minoritários, aos comportamentos da esmagadora maioria da sociedade.
Estes factos, que estamos a observar nesta sociedade dita pós-moderna, e com o argumento de que as sociedades evoluem, não só pervertem a Ordem Natural resultante da evolução, como pervertem igualmente a essência e o fundamento das coisas, que o mesmo é dizer que coisas diferentes têm de ser tratadas de forma diferente.
E coisas diferentes têm fundamentos, objectivos e finalidades diferentes, portanto têm de ser tuteladas (legalizadas) por estatutos jurídicos diferentes.
Ainda poderia acrescentar uma terceira perversão, que se refere à ignorância, pura e simples, da regra democrática básica, ou seja, o comportamento de uma minoria nunca se poderia sobrepor ao de uma maioria e muito menos considerá-lo igual ao dessa maioria.
Nesta sociedade pós-moderna tudo é possível e nada surpreende.
O Papa teve razão naquilo que disse e no apelo que fez.
Mas os governantes fazem orelhas moucas daquilo que o Papa diz, e as sociedades vão continuar a degradar-se até que graves desequilíbrios ocorram.
Quando, ninguém sabe...!
Para além da grande recepção que teve, o que veio provar que afinal em Portugal ainda há Fé, nem tudo está perdido em matéria de espiritualidade e de crença em Algo que nos transcende.
Mas o que contou, acima de tudo, foi a mensagem que o Papa nos quis deixar e que sempre os mais altos dignitários da Igreja Católica, não perdem a oportunidade de transmitir.
O Papa, numa mensagem muito simples, chamou a atenção para o perigo de se estar a tulelar os princípios básicos da Vida, nesta sociedade dita pós-moderna.
O que pretenderia o Papa dizer com estas palavras?
Uma coisa muito simples:
É que, há princípios que decorrem da Ordem Natural estabelecida no Planeta que habitamos, herdada de uma evolução de milhões ou mesmo de biliões de anos e que permitiu que existisse Vida neste Astro que habitamos, na forma que conhecemos.
E que, se tentarmos alterar por Decreto-Lei (Lei dos Homens) estes princípios básicos da Vida, corremos o risco de pôr em causa milhões ou biliões de anos de evolução, o equilíbrio natural da vida no Planeta.
È óbvio que o Papa, Entidade Máxima dentro da Igreja Católica, quis ir mais longe, tendo em conta a sua grande crença em Deus, ou seja, não se podem tutelar princípios instituídos por Deus, no nosso Planeta.
Independentemente das crenças de cada um de nós, há um facto irrefutável e indesmentível e que biólogos, antropólogos e arqueólogos demonstraram, ao estudar a evolução das espécies neste Planeta:
- É que a evolução das espécies conduziu a uma Ordem Natural, a um equilíbrio natural, que tem permitido a sobrevivência de todas as espécies animais ou vegetais.
Naturalmente que, toda a intervenção do Homem que ponha em causa esta Ordem Natural, atenta contra os princípios básicos da vida, instituída no Planeta e por isso não é lícita.
Nesta perspectiva não é lícito legalizar o aborto voluntário, porque atenta contra a vida, não é lícito legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque atenta contra a vida, no sentido em que impede a reprodução natural da espécie humana, pervertendo a Ordem Natural, não é lícito legalizar a adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo, porque atenta igualmente contra a ordem natural de os filhos de humanos e de praticamente todas as espécies animais, terem como referência um pai e uma mãe, ou no caso da adopção de crianças, um homem e uma mulher, etc.
Seriam estes os factos em que o Papa certamente estaria a pensar, quando afirmou que « não podemos tutelar os princípios básicos da vida humana».
Mas, é também um facto, que o ser humano é o único das espécies animais, que tem capacidade para perverter a Ordem Natural, segundo os seus interesses egoístas ou para abrir espaço a tendências sociais e a modos de vida e de sociedade, ditos pós-modernos, que podem conter em si próprios graves perversões da Ordem Natural, pondo em risco todos os equilíbrios naturais, herdados de biliões de anos de evolução.
Um famoso psiquiatra afirmou há uns anos, fruto da sua experiência a lidar com a mente humana, que «quanto mais conheço o Homem, mais me convenço de que é o pior ser da criação...»
Esta afirmação de alguém que conhece melhor do que ninguém, a complexidade da mente humana, revela bem o poder da nossa inteligência para alterar, segundo as suas conveniências praticamente tudo o que entender, para o bem e para o mal da humanidade, inclusive a essência e os fundamentos básicos da Ordem Natural, a única que permitiu todos os equilíbrios da vida neste Planeta até à época actual.
E também é um facto que, quando perverte o equilíbrio e a Ordem Natural, o Homem consegue sempre arranjar uma justificação, um argumento ardiloso para justificar a perversão, sendo a partir daí tal perversão, considerada lícita e até tutelada pelo poder político.
Há países, como a Holanda, paradigmático em matéria de perversão dos equilíbrios naturais, em que, basta que seja observado com alguma permanência , um determinado comportamento fora dos padrões normais, por uma determinada minoria social, para que seja razão suficiente de tutela pelo poder político, ou seja, para que esse comportamento tenha cobertura legal..
No meu entender é uma via perigosa, que pode conduzir a graves desequilíbrios sociais, mas, mais grave ainda, é igualar por via legislativa, esses comportamentos socialmente minoritários, aos comportamentos da esmagadora maioria da sociedade.
Estes factos, que estamos a observar nesta sociedade dita pós-moderna, e com o argumento de que as sociedades evoluem, não só pervertem a Ordem Natural resultante da evolução, como pervertem igualmente a essência e o fundamento das coisas, que o mesmo é dizer que coisas diferentes têm de ser tratadas de forma diferente.
E coisas diferentes têm fundamentos, objectivos e finalidades diferentes, portanto têm de ser tuteladas (legalizadas) por estatutos jurídicos diferentes.
Ainda poderia acrescentar uma terceira perversão, que se refere à ignorância, pura e simples, da regra democrática básica, ou seja, o comportamento de uma minoria nunca se poderia sobrepor ao de uma maioria e muito menos considerá-lo igual ao dessa maioria.
Nesta sociedade pós-moderna tudo é possível e nada surpreende.
O Papa teve razão naquilo que disse e no apelo que fez.
Mas os governantes fazem orelhas moucas daquilo que o Papa diz, e as sociedades vão continuar a degradar-se até que graves desequilíbrios ocorram.
Quando, ninguém sabe...!
sábado, 22 de maio de 2010
REFLEXÃO SOBRE O FUNDAMENTALISMO DEMOCRÁTICO
Vem este tema a propósito da actual situação calamitosa e praticamente de bancarrota em que Portugal está hoje.
Não é nada de novo para mim, nem para muita gente neste país. Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabia que isto iria acontecer mais cedo ou mais tarde.
Já escrevi várias vezes sobre este assunto e as previsões confirmam-se.
O tema que escolhi hoje, embora não pareça, tem muito a ver com isto.
Devo esclarecer, desde já, que não sou, nem nunca fui defensor de ditaduras.
A história mostra que algumas até foram eficientes e fizeram progredir os respectivos países.
Mas também a mesma história da humanidade mostra que outras conduziram à ruína de países, ao despotismo e à acumulação de verdadeiros tesouros por parte dos ditadores.
Eu recuso a ditadura em todos os sentidos, simplesmente porque está num extremo e tudo o que está num extremo, afasta-se da Lei Normal ou Cósmica, a grande Lei que tudo regula, ou que tudo devia regular.
Todos os factos, eventos, procedimentos, vida quotidiana, propostas políticas, tudo o que se afaste da Lei Normal, inevitavelmente estará, mais tarde ou mais cedo condenado ao fracasso, simplesmente porque cairá num extremo, ou seja, para quem entende de estatística, assumirá um desvio padrão ou se quisermos uma variância, muito grande, que se afasta muito dos valores médios, normais ou expectáveis.
Recusando a ditadura pelo que acabei de dizer, resta a democracia como alternativa.
Democracia representativa, entenda-se, segundo o modelo vigente na maioria dos países de civilização ocidental.
A consciência dos malefícios das ditaduras levou, a maior destes países a adoptar o modelo da democracia representativa, ou seja, eleição por suposto «sufrágio directo e universal» de uma Câmara ou Parlamento com um conjunto de representantes do Povo e um Governo apoiado por uma maioria, mesmo que simples, desse Parlamento eleito.
Chagámos assim, ao ponto fulcral.
Ou seja, parece que o modelo de democracia representativa como alternativa lógica, justa e cívica, à ditadura, é o modelo ideal, sem mácula nem pecado é uma espécie de verdade absoluta e de panaceia universal, que veio resolver todas as injustiças, todas as discriminações, todos os problemas, porque se deu voz ao Povo.
Porque acreditamos nisto, a democracia passou a ser venerada, diria quase teificada, qual teoria intocável, qual lei universal, que se transformou num verdadeiro fundamentalismo, isto é, a democracia não se discute, é a essência e a verdade absoluta de tudo.
Mas, como por natureza recuso as verdades absolutas, simplesmente porque não há, no reino dos mortais, Verdades Absolutas, só Deus é detentor dessa Verdade, recuso-me a aceitar este fundamentalismo democrático.
Simplesmente porque esta democracia que temos, está muito longe do ideal de pureza, de ausência de pecado, da tal Verdade Absoluta da qual está afastada anos-luz.
Concretizando, a democracia representativa só estaria relativamente perto de um ideal de justiça, de consciência cívica e de verdadeira responsabilidade política e social, se fossem respeitados e assegurados determinados requisitos, sem os quais não há verdadeiramente democracia, e que são os seguintes:
- Ser universal: todos os cidadãos, maiores de idade, sem excepção, exercerem o direito de voto;
- Formação e consciência cívica e política: garantia de que todos os cidadãos eleitores são detentores de formação escolar suficiente, formação cívica e política, que possa garantir um voto consciente e responsável.
- Não manipulação do voto para todos os eleitores que não sejam militantes de partidos
- Os candidatos a representantes do eleitorado, prestarem provas de qualificação para o desempenho deste cargo político, recusando-se o preenchimento de vagas por quotas; um deputado nomeado pelo método das quotas, não garante nem competência nem representatividade
- Os candidatos a representantes do eleitorado, serem obrigatoriamente naturais dos círculos eleitorais que representam, para garantia de defesa e representação efectiva do seu eleitorado
- Estabelecimento de mecanismos de democracia directa e universal, quando estão em causa grandes questões nacionais e essas questões não podem, nem devem, ser decididas por representantes, muitas vezes minoritários
- Ausência de caciquismo local e de clubismo (voto de acordo com a classe social)
- Formação de governo sempre com uma maioria absoluta, governo eleito por maioria simples não pode governar, por não ser representativo, a menos que forme coligação, que devia ser obrigatória, garantindo estabilidade governativa e partilha de competências com outro partido.
Basta olharmos para o modelo de democracia representativa que temos, para verificarmos que nenhum destes requisitos se verifica.
Conclui-se portanto que a democracia, no modelo adoptado, é tudo menos representativa.
Não sendo representativa é uma democracia de fachada, viciada, deturpada e como tal não é verdadeiramente democracia.
É apenas um simulacro, mas mesmo assim é venerada e tida como um valor absoluto, intocável e incontestável, ou seja um valor fundamentalista.
O resultado deste sistema é a perpetuação no poder, de um grupo partidário minoritário (mesmo com maioria absoluta, será sempre minoritário e como tal não representativo de uma maioria do eleitorado, pois que, como se sabe, o voto não é universal, isto é, logo a primeira condição não se verifica, uma vez que cerca de 40% do eleitorado não vota por opção, ou seja não assume consciência cívica de contribuir com o seu voto para o bem do seu país e para um governo representativo).
O perigo deste sistema é, como disse, a perpetuação no poder, de um grupo minoritário ou seja conduz a uma situação semelhante à de uma ditadura, sendo os seus efeitos práticos os mesmos.
Ou seja, é excluída da participação politica e cívica a maior parte das potenciais competências do país, excluindo, portanto o seu contributo.
Esta situação pode conduzir os países a situações extremas de calamidade social e de verdadeira bancarrota, isto é, à falência, por má gestão e má administração de um país.
É o que está a acontecer a Portugal, neste momento, após 15 anos de governação praticamente de partido único, no país.
E Portugal, além da situação descrita, vive um regime pseudo-democrático condicionado por uma Constituição saída de uma revolução de paradigma essencialmente marxista, o que acrescenta ainda maior incerteza quanto à nossa capacidade de sobrevivência, como país viável.
Por isso, se o paradigma democrático não for alterado e não for aperfeiçoado, assim como o paradigma constitucional, Portugal arrisca-se a ver comprometido irremediável mente o seu futuro enquanto Nação viável e independente, mesmo que integrada na União Europeia.
Os sinais de extremo descontentamento de muitos portugueses ao afirmarem em 50% de entrevistas, que preferiam a integração na Espanha e a fuga em massa para o exterior, da nossa juventude, são indicadores extremamente preocupantes da viabilidade futura do nosso país .
Não é nada de novo para mim, nem para muita gente neste país. Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabia que isto iria acontecer mais cedo ou mais tarde.
Já escrevi várias vezes sobre este assunto e as previsões confirmam-se.
O tema que escolhi hoje, embora não pareça, tem muito a ver com isto.
Devo esclarecer, desde já, que não sou, nem nunca fui defensor de ditaduras.
A história mostra que algumas até foram eficientes e fizeram progredir os respectivos países.
Mas também a mesma história da humanidade mostra que outras conduziram à ruína de países, ao despotismo e à acumulação de verdadeiros tesouros por parte dos ditadores.
Eu recuso a ditadura em todos os sentidos, simplesmente porque está num extremo e tudo o que está num extremo, afasta-se da Lei Normal ou Cósmica, a grande Lei que tudo regula, ou que tudo devia regular.
Todos os factos, eventos, procedimentos, vida quotidiana, propostas políticas, tudo o que se afaste da Lei Normal, inevitavelmente estará, mais tarde ou mais cedo condenado ao fracasso, simplesmente porque cairá num extremo, ou seja, para quem entende de estatística, assumirá um desvio padrão ou se quisermos uma variância, muito grande, que se afasta muito dos valores médios, normais ou expectáveis.
Recusando a ditadura pelo que acabei de dizer, resta a democracia como alternativa.
Democracia representativa, entenda-se, segundo o modelo vigente na maioria dos países de civilização ocidental.
A consciência dos malefícios das ditaduras levou, a maior destes países a adoptar o modelo da democracia representativa, ou seja, eleição por suposto «sufrágio directo e universal» de uma Câmara ou Parlamento com um conjunto de representantes do Povo e um Governo apoiado por uma maioria, mesmo que simples, desse Parlamento eleito.
Chagámos assim, ao ponto fulcral.
Ou seja, parece que o modelo de democracia representativa como alternativa lógica, justa e cívica, à ditadura, é o modelo ideal, sem mácula nem pecado é uma espécie de verdade absoluta e de panaceia universal, que veio resolver todas as injustiças, todas as discriminações, todos os problemas, porque se deu voz ao Povo.
Porque acreditamos nisto, a democracia passou a ser venerada, diria quase teificada, qual teoria intocável, qual lei universal, que se transformou num verdadeiro fundamentalismo, isto é, a democracia não se discute, é a essência e a verdade absoluta de tudo.
Mas, como por natureza recuso as verdades absolutas, simplesmente porque não há, no reino dos mortais, Verdades Absolutas, só Deus é detentor dessa Verdade, recuso-me a aceitar este fundamentalismo democrático.
Simplesmente porque esta democracia que temos, está muito longe do ideal de pureza, de ausência de pecado, da tal Verdade Absoluta da qual está afastada anos-luz.
Concretizando, a democracia representativa só estaria relativamente perto de um ideal de justiça, de consciência cívica e de verdadeira responsabilidade política e social, se fossem respeitados e assegurados determinados requisitos, sem os quais não há verdadeiramente democracia, e que são os seguintes:
- Ser universal: todos os cidadãos, maiores de idade, sem excepção, exercerem o direito de voto;
- Formação e consciência cívica e política: garantia de que todos os cidadãos eleitores são detentores de formação escolar suficiente, formação cívica e política, que possa garantir um voto consciente e responsável.
- Não manipulação do voto para todos os eleitores que não sejam militantes de partidos
- Os candidatos a representantes do eleitorado, prestarem provas de qualificação para o desempenho deste cargo político, recusando-se o preenchimento de vagas por quotas; um deputado nomeado pelo método das quotas, não garante nem competência nem representatividade
- Os candidatos a representantes do eleitorado, serem obrigatoriamente naturais dos círculos eleitorais que representam, para garantia de defesa e representação efectiva do seu eleitorado
- Estabelecimento de mecanismos de democracia directa e universal, quando estão em causa grandes questões nacionais e essas questões não podem, nem devem, ser decididas por representantes, muitas vezes minoritários
- Ausência de caciquismo local e de clubismo (voto de acordo com a classe social)
- Formação de governo sempre com uma maioria absoluta, governo eleito por maioria simples não pode governar, por não ser representativo, a menos que forme coligação, que devia ser obrigatória, garantindo estabilidade governativa e partilha de competências com outro partido.
Basta olharmos para o modelo de democracia representativa que temos, para verificarmos que nenhum destes requisitos se verifica.
Conclui-se portanto que a democracia, no modelo adoptado, é tudo menos representativa.
Não sendo representativa é uma democracia de fachada, viciada, deturpada e como tal não é verdadeiramente democracia.
É apenas um simulacro, mas mesmo assim é venerada e tida como um valor absoluto, intocável e incontestável, ou seja um valor fundamentalista.
O resultado deste sistema é a perpetuação no poder, de um grupo partidário minoritário (mesmo com maioria absoluta, será sempre minoritário e como tal não representativo de uma maioria do eleitorado, pois que, como se sabe, o voto não é universal, isto é, logo a primeira condição não se verifica, uma vez que cerca de 40% do eleitorado não vota por opção, ou seja não assume consciência cívica de contribuir com o seu voto para o bem do seu país e para um governo representativo).
O perigo deste sistema é, como disse, a perpetuação no poder, de um grupo minoritário ou seja conduz a uma situação semelhante à de uma ditadura, sendo os seus efeitos práticos os mesmos.
Ou seja, é excluída da participação politica e cívica a maior parte das potenciais competências do país, excluindo, portanto o seu contributo.
Esta situação pode conduzir os países a situações extremas de calamidade social e de verdadeira bancarrota, isto é, à falência, por má gestão e má administração de um país.
É o que está a acontecer a Portugal, neste momento, após 15 anos de governação praticamente de partido único, no país.
E Portugal, além da situação descrita, vive um regime pseudo-democrático condicionado por uma Constituição saída de uma revolução de paradigma essencialmente marxista, o que acrescenta ainda maior incerteza quanto à nossa capacidade de sobrevivência, como país viável.
Por isso, se o paradigma democrático não for alterado e não for aperfeiçoado, assim como o paradigma constitucional, Portugal arrisca-se a ver comprometido irremediável mente o seu futuro enquanto Nação viável e independente, mesmo que integrada na União Europeia.
Os sinais de extremo descontentamento de muitos portugueses ao afirmarem em 50% de entrevistas, que preferiam a integração na Espanha e a fuga em massa para o exterior, da nossa juventude, são indicadores extremamente preocupantes da viabilidade futura do nosso país .
sábado, 15 de maio de 2010
POESIA
Para quem gosta, aqui ficam alguns poemas de minha autoria:
CHÃO MANJACO
Desta terra parti um dia
Sem saber se voltaria
Para pisar o chão manjaco
No breu da noite aquela coisa
Comendo a pista toda se elevou
Presa por arames levantou
Meia-noite e cinco
Nos céus de Lisboa descola
Com toda a força e afinco
Com dificuldade conseguiu
E para lá se dirigiu!
Para trás tudo ficou
Família, amigos, amores
E também os meus temores
Em Cabo Verde aterrou
No árido solo e deserto do Sal
E para acabar com o mal
Com uma larangina refresquei
E com o indigesto acabei
Continuámos, rumo às terras dos manjacos
Já de dia!
Mais bem disposto me sentia
E com algo mais do que alegria
A Bissalanca chegámos
Já de nada nos importámos
Ar irrespirável respirámos !
E o chão manjaco pisámos...
Dias depois...
O troar dos canhões
O fragor das explosões!
SONHO DE INFÂNCIA
Um carrocel, um realejo
Só um desejo
De te ver feliz
O tempo assim quis!
Se pudesse, ter-te-ia oferecido o mundo
Mas não pude!
Apenas um sonho de criança!
Renasce a esperança com o teu acordar
E fico refém do teu olhar!
Brilhante, penetrante, calmo como um lago
Fiquei feliz!
E novas promessas te fiz!
O teu sorriso diz-me que sim
Ficámos assim!
Olhando-nos...
Almas gémeas chamando-nos
Nessa tarde de Estio algarvio
Com fundada esperança
Um sonho de criança
PÉROLA DO SUL
No meio do azul Atlântico nasceste
Na espuma do mar salgado te banhaste
Para fazeres alguém feliz, para cá vieste
E da cruel avó te libertaste
Linda e bela...
Tua tez é cor de pérola
Teus olhos são cor de âmbar
O teu sorriso uma promessa
Amigos não te faltaram
Muitas paixões despertaste
Sonhos felizes ousaste
Corações despedaçaste
O amor ainda procuras
Aquele que nunca encontraste
Quem sabe se por acaso
Já nele não tropeçaste
CHÃO MANJACO
Desta terra parti um dia
Sem saber se voltaria
Para pisar o chão manjaco
No breu da noite aquela coisa
Comendo a pista toda se elevou
Presa por arames levantou
Meia-noite e cinco
Nos céus de Lisboa descola
Com toda a força e afinco
Com dificuldade conseguiu
E para lá se dirigiu!
Para trás tudo ficou
Família, amigos, amores
E também os meus temores
Em Cabo Verde aterrou
No árido solo e deserto do Sal
E para acabar com o mal
Com uma larangina refresquei
E com o indigesto acabei
Continuámos, rumo às terras dos manjacos
Já de dia!
Mais bem disposto me sentia
E com algo mais do que alegria
A Bissalanca chegámos
Já de nada nos importámos
Ar irrespirável respirámos !
E o chão manjaco pisámos...
Dias depois...
O troar dos canhões
O fragor das explosões!
SONHO DE INFÂNCIA
Um carrocel, um realejo
Só um desejo
De te ver feliz
O tempo assim quis!
Se pudesse, ter-te-ia oferecido o mundo
Mas não pude!
Apenas um sonho de criança!
Renasce a esperança com o teu acordar
E fico refém do teu olhar!
Brilhante, penetrante, calmo como um lago
Fiquei feliz!
E novas promessas te fiz!
O teu sorriso diz-me que sim
Ficámos assim!
Olhando-nos...
Almas gémeas chamando-nos
Nessa tarde de Estio algarvio
Com fundada esperança
Um sonho de criança
PÉROLA DO SUL
No meio do azul Atlântico nasceste
Na espuma do mar salgado te banhaste
Para fazeres alguém feliz, para cá vieste
E da cruel avó te libertaste
Linda e bela...
Tua tez é cor de pérola
Teus olhos são cor de âmbar
O teu sorriso uma promessa
Amigos não te faltaram
Muitas paixões despertaste
Sonhos felizes ousaste
Corações despedaçaste
O amor ainda procuras
Aquele que nunca encontraste
Quem sabe se por acaso
Já nele não tropeçaste
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