sábado, 12 de março de 2011

GRANDIOSA MANIFESTAÇÃO: ISTO ESTÁ A BATER NO FUNDO


Com toda a franqueza não esperava uma manifestação espontânea (sem ser convocada por partidos ou sindicatos) com a dimensão da que se realizou hoje.

Foram quase trezentas mil pessoas só em Lisboa!
Mas foi extensiva a todo o país!

Foi a prova incontestável de que a insatisfação é geral,
mas também a prova de que os portugueses são capazes de se mobilizar, de responder à chamada, de fazer ouvir a sua voz, em suma, de afirmarem a sua indignação pelo que está a acontecer ao seu país.

Não foram apenas os novos, a «geração à rasca», mas foram também idosos e de meia idade, as pessoas que se manifestaram, porque todos estão a sofrer na pele as consequências do imobilismo e da incompetência do poder instituído.

Chamou-me a atenção uma frase, proferida por uma senhora, que expressava grande indignação:

- Isto está a bater no fundo, é preciso parar…!

É verdade, isto está mesmo a bater no fundo e é preciso parar. É preciso mudar!

Mas, já devia ter parado há muito tempo, já devia ter parado o imobilismo, a incompetência e a incapacidade de fazer as reformas estruturais, que tinham impedido que chegássemos a esta situação de verdadeira emergência nacional.

Mas, é bom que se diga, a culpa também foi nossa, mais concretamente do eleitorado que, teimosamente, inconscientemente, durante décadas de regime democrático, colocou no poder os responsáveis pela situação de calamidade nacional em que o país se encontra e a maioria da sua população.

Mas, parte da culpa também tem de ser atribuída ao eleitorado abstencionista que, negando-se sistematicamente a cumprir as suas obrigações cívicas, também contribuiu para colocar no poder os responsáveis por esta situação.

Todos esperamos que os portugueses, de uma vez por todas, compreendam três coisas:

1ª - Que é importante votar
. O voto é a grande arma que pode fazer mudar as coisas. A abstenção pode ser muito prejudicial a uma democracia.

2ª - Que é preciso votar em consciência, responsavelmente, e saber distinguir quando um governo governa mal e quando governa bem. E quando governa mal, tem de ser penalizado quanto antes, antes que males piores possam acontecer.

3ª - Que é preciso abandonar o clubismo partidário ( o partido que julgamos defender os nossos interesses de classe) pois, quando governa mal, não está a defender os nossos interesses, mas outros que nos são alheios.
Os partidos não são clubes de futebol. Temos de mudar de clube, quando for necessário, é assim em democracia. Só assim podemos mudar o rumo do país.

Que a dolorosa lição seja, finalmente, aprendida.

Acordámos demasiado tarde. Foi pena não nos termos apercebido do abismo para onde caminhávamos e para onde nos estavam a empurrar.

A recuperação do país vai levar, seguramente, mais de uma década, com muitos sacrifícios e privações
para a grande maioria de nós, pois a minoria que beneficiou com a situação, essa vai continuar a «vender lenços para enxugar as lágrimas aqueles que estão a chorar amargamente…»

segunda-feira, 7 de março de 2011

PORTUGAL PODE NÃO SER GOVERNÁVEL




Um destacado autarca do Norte afirmou há dias, que não basta mudar o Governo, é preciso mudar também o Regime Político.

Pretendendo interpretar o sentido das suas palavras , julgo que pretendeu dizer que, antes de mudar de Governo, temos primeiro de mudar o paradigma político que tem regido a sociedade portuguesa desde a revolução de 1974, há já, portanto, trinta e sete anos, quase meio século!

Outras destacadas personalidade da nossa vida social, económica e política, também já o afirmaram publicamente, inúmeras vezes.

No que me toca, já venho defendendo essa necessidade há muito tempo, em particular nos artigos que escrevo no blogue.

Independentemente da génese ideológica do regime, obviamente sempre discutível e sempre criticável, a questão é que, se um determinado sistema e regime políticos não funcionaram bem, não funcionam bem e tudo indica não vão funcionar bem, só há uma alternativa, mudar de sistema e de regime políticos.

As personalidades que vêm defendendo esta tese, têm toda a razão.

O nosso sistema e regime políticos resultaram de uma revolução pretensamente socialista e, por esse facto, a sua génese ficou bem expressa na Constituição de 1976, elaborada por ideólogos socialistas das várias tendências.

Logo no preâmbulo do extenso documento, afirmava-se que «Portugal é uma República Democrática a caminho do socialismo…», portanto o objectivo era consagrar o socialismo, dando concretização aos ditames da revolução de 1974.

Este documento foi sufragado por um voto obrigatório (a única vez na democracia portuguesa em que o voto foi obrigatório), como convinha aos ideólogos da revolução, de que resultou uma Assembleia Constituinte cujos deputados, representantes dos vários partidos, aprovaram.

Eu vivi, no dia a dia esses acontecimentos e na época, era quase obrigatório ser de esquerda, pois o afirmar-se de direita ou mesmo do centro, poderia significar a perda do emprego e até ser alvo de outras perseguições por parte do então Conselho da Revolução e do seu instrumento militar o COPCON (Comando Operacional do Continente).

Ou seja, vivia-se um clima revolucionário de esquerda, que intimidou a população que votou a Constituição de 1976. Por isso foi aprovada praticamente por todos os partidos existentes e que se afirmavam globalmente de esquerda, com excepção do CDS que, por se afirmar do centro social, era considerado fascista, reaccionário e até contra-revolucionário e foi recebido a tiro, em manifestações de propaganda eleitoral.

Foi neste clima que se aprovou a Constituição de 1976 e, facto curioso, instituindo regras que impediram a sua revisão posterior, naquilo que eram consideradas as grandes conquistas da revolução socialista e que ainda hoje perduram, pois as ligeiras revisões que se fizeram, não alteraram, no essencial, essas regras.

Por outras palavras, Portugal está prisioneiro de uma Constituição, de génese socialista, de difícil alteração e que, ignorando a evolução dos tempos e das sociedades, pretende assim, perpetuar, eternamente, o ideário socialista revolucionário saído da revolução de 25 de Abril de 1974.

Por outro lado, de acordo com a actual constituição partidária da Assembleia da República, os partidos da esquerda, incluindo o Partido Socialista, detêm uma esmagadora maioria (perto de 60%), pelo que nunca permitirão uma revisão e muito menos uma alteração, da Constituição (é necessário pelo menos 2/3 dos votos dos deputados), até porque foram eles que redigiram a Constituição que rege o país.

A menos que o sentido de voto mude radicalmente, o que não é previsível dada a cultura de esquerda que se instituiu no país, a Constituição dificilmente poderá ser revista e muito menos alterada nas tais regras impostas pelos partidos da esquerda, pois essas regras foram e são, pelos revolucionários de 1974, consideradas sagradas, imutáveis, representam um valor absoluto, logo incontestável e portanto não podem ser passíveis de alteração.

Chegámos, assim, à questão de fundo!

Como será possível alterar o sistema e o regime políticos sem alteração da Constituição?

É que o sistema e o regime resultaram desta Constituição, logo, se esta não puder ser alterada, não é possível alterar o sistema e o regime.

Por outras palavras, estamos completamente prisioneiros de um documento que impede a evolução da nossa sociedade, da sua adaptação aos tempos e consequentemente pode até impedir as reformas estruturais (porque podem colidir com o ideário socialista da revolução), há mais de duas décadas adiadas.

O país foi conduzido à dramática situação em que se encontra, não apenas por via da incompetência dos governos saídos das eleições, mas principalmente, em meu entender, por via do bloqueio constitucional, que impede reformas que colidam com o socialismo e muitas necessariamente colidem, embora sejam absolutamente necessárias.

Por isso, quando sectores da sociedade portuguesa, advogam a substituição do governo socialista, por um social-democrata coligado ou não, com o CDS-PP, pouco ou nada do essencial irá mudar. Vontade não faltará, mas a Constituição impede-o e com ela os grandes poderes das forças sociais e corporativas por aquela conferidos, podendo tudo inviabilizar.

Bem nos lembramos da passagem efémera pelo governo dos social-democratas Durão Barroso e Santana Lopes, o primeiro apupado e ridicularizado na Assembleia da República, por toda a esquerda e o segundo demitido, pelo Presidente da República socialista, três meses depois de tomar posse como 1º Ministro.

Isto significa que, em Portugal, o Centro e o Centro-Direita, terão muita dificuldade em governar e, mesmo que a sua governação seja legitimada pelo voto maioritário do eleitorado, o paradigma constitucional, imutável, impede a execução do programa de governo de partidos do Centro e muito mais do Centro-Direita.

O próprio Partido Socialista, dito de esquerda, tem dificuldade em governar, veja-se o exemplo da educação, das leis laborais, da saúde, da justiça, e outras áreas, em que não consegue implementar as medidas de execução do seu programa de governo, porque os grandes poderes sociais (leia-se sindicais) e corporativos, o impedem, protegidos pela Constituição.

E o que se tem verificado é que o governo tem de recuar, tem de ceder a todas ou a quase todas, as pressões sindicais e profissionais, muitas afectas a partidos mais à esquerda do que o próprio PS.

Por outras palavras, na prática, são estas forças que governam o país de acordo com os seus interesses. E os governos cedem porque não têm alternativa.

Uma democracia, não pode funcionar assim, em que apenas umas das partes leva a melhor, impedindo a execução do programa dos governos.

Isto tem um nome e chama-se ingovernabilidade ou no mínimo dificultar muito a governação de partidos à direita do PC.

Sem dúvida que é absolutamente necessário mudar o sistema e o regime políticos, mas como, com a Constituição que temos?

Como, se os partidos da esquerda, incluindo o PS, detendo a maioria na Assembleia da República , não vão permitir alterar, flexibilizar a Constituição, de modo a permitir que partidos do Centro Social e do Centro-Direita Social, possam governar e aplicar o seu programa?

Como, se o eleitorado português é predominantemente de esquerda e apenas com ligeiras variantes, vota sempre nos mesmos partidos, impedindo a alteração da constituição partidária da Assembleia da República?

Como, se o eleitorado português, apesar da ruína do país, não altera significativamente o sentido de voto?

Conclui-se assim, que não é possível alterar o sistema político e consequentemente estamos prisioneiros do sistema que foi instituído com a revolução de 1974.

A menos que algo de extraordinário aconteça, nada mudará no nosso país, e iremos continuar com mais pobreza, mais miséria, mais exclusão, mais criminalidade, mais endividados já no limiar da falência, mais Estado e mais definhar do sistema económico e social.

Mas também iremos continuar com mais riqueza, mais privilégios, mais mordomias, mais corrupção, mais compadrio, para a minoria da sociedade que beneficiou e bem se aproveitou do regime socialista instituído.


São os nobres e os príncipes do regime, cujos privilégios só acabarão, quando o sistema cair por si próprio, quando estiver completamente esgotado e nada mais haja para dar nem para esbanjar à tripa-forra.

Perante a nossa incapacidade e vontade internas de mudar as coisas, porque nos agarrámos a dogmas imutáveis, autênticos valores sagrados, consideradas equivocamente, as nossas tábuas de salvação, só uma intervenção externa poderá salvar o país da catástrofe.

Mas, se isto acontecer, e tudo indica que sim, iremos compreender, finalmente, o erro em que temos incorrido, avaliado pela enorme factura que teremos de pagar e pelos enormes sacrifícios que nos vão ser exigidos, pois, como diz o povo, «não há almoços grátis…».

Hoje, por coincidência, tomou posse o Sr. Presidente da República.

Excelente discurso que peca por tardio, pois já devia ter sido proferido há cinco anos atrás, quando os sinais de ruptura já eram mais do que evidentes.

Foi demolidor para o governo!

Mas, mais vale tarde do que nunca. O papel do Presidente vai ser certamente, muito mais interventivo, embora tenha fundados receios, dado o quadro atrás descrito, de que pouco ou nada já possa fazer.

Mesmo que este governo caia, por uma razão qualquer, nada garante que não volte a ser reeleito, mas se cair e outro o substituir, a menos que seja bem à esquerda, não conseguirá governar e teremos, com muita probabilidade, uma segunda edição Durão Barroso.

Muito menos terá capacidade para alterar a Constituição e com ela a imperiosa necessidade de mudar o regime político, que abra caminho à solução dos graves problemas nacionais e com ela lograr a recuperação do país e do seu desenvolvimento.

O país parece estar, assim, num beco sem saída e só uma intervenção externa poderá impor uma solução e um caminho a seguir.

O Sr. Presidente da República, no seu contundente discurso, que se impunha de facto há muito tempo, fez um apelo à juventude portuguesa, para ter esperança num futuro melhor, para ter um papel mais interventivo e para se manifestar fazendo ouvir a sua voz.

De facto, a actual juventude, denominada de «geração à rasca», «da casinha dos pais» ou, mais recentemente de «geração Deolinda», sem emprego, sem rumo, sem futuro, tem razões de sobra para se manifestar, pois é ela uma das mais castigadas pelo regime.

É um dos graves problemas surgidos com este regime, que não garantiu, nem garante, emprego nem uma reforma condigna aos jovens actuais, perante o espectro, mais do que provável, da falência do sistema de Segurança Social.

Por isso é bom que façam ouvir a sua voz, é bom que expressem a sua indignação.Mas, perante a situação em que o país se encontra, não há milagres. Os erros acumulados durante mais de duas décadas, conduziram o país ao beco em que nos encontramos, sem se vislumbrar a saída.


A juventude portuguesa, muito ou pouco qualificada, só tem uma alternativa no imediato: criar e investir no seu próprio posto de trabalho, associados ou não, é a mensagem e o conselho que deixo, porque, erros de décadas não se revolvem em dois dias!


A solução para o país se desenvover, e que há muito tempo devia ter sido progressivamente implementada, é muito simples:

- MENOS ESTADO (Administração Central, Sector Público Estatal, Autarquias
- MAIS ECONOMIA

Actuando nestas duas varáveis básicas tudo o resto teria sido possível, incluindo um Sistema Social sustentável e mais Emprego.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

«QUE PARVA QUE EU SOU...» JOVENS DE PORTUGAL, QUE FUTURO?




Tardou, mas chegou! Finalmente começam a surgir as canções de intervenção, tão necessárias para mobilizar os portugueses em geral e em particular os jovens de que depende o futuro do país.

O mal-estar, o sentimento de frustração, de angústia e de revolta, há muito que estão instalados nos corações generosos dos jovens portugueses. Há muito tempo que esse aperto, esse sentimento de desânimo e essa sensação de inutilidade dos cursos e estudos universitários, se fazem sentir na consciência dos jovens portugueses.

Estudar para quê? Para ser escravo quando se tem a sorte de arranjar um mísero emprego a «recibo-verde» em que só se leva para casa metade desse igualmente mísero salário?

Estudar para quê, interrogam-se angustiados os jovens estudantes portugueses!

A geração da «casinha dos pais» aí está! Sem emprego, sem rumo, sem futuro.
E eu próprio que o diga, como pai, pois também estou a sofrer na pele as consequências deste regime e deste sistema, que tão padrasto tem sido para a juventude portuguesa!

O problema de fundo e que, quase sempre é ignorado e ocultado, não é a falta de planeamento e as experiências anarquistas ensaiadas pelo Ministério da Educação. Estes apenas agravam a situação e a causa da doença.

O problema de fundo, é o sistema e o regime políticos em que vivemos que não deixa espaço à livre iniciativa das pessoas e dos agentes económicos, para se afirmarem, crescerem e desenvolverem.

O problema de fundo é um sistema e um regime que asfixia tudo e todos.

Como pode um jovem arranjar emprego, num sistema económico completamente atrofiado e asfixiado, que mal consegue manter e com muita dificuldade, os seus actuais postos de trabalho?

Como pode um jovem arranjar emprego num sistema económico que não tem espaço para crescer e se desenvolver, para investir, sempre com a «espada de Damocles» sobre a cabeça, asfixiado em impostos, contribuições, taxas e outros encargos, destinados a engordar um Estado cada vez mais gordo, que cresceu desmesuradamente e que ainda por cima o regula e controla, como nunca na história remota ou recente de Portugal se tinha feito?

Como pode um jovem arranjar emprego, num sistema económico cada vez mais magro, e com menos recursos para alimentar este Estado gigantesco que consome metade de toda a riqueza produzida pelo país e por isso mesmo não é competitivo, nesta economia aberta e globalizada em que vivemos?

Como pode um jovem arranjar emprego, num sistema e num regime dominado por um socialismo utópico, que não soube fazer a tempo e com a antecedência necessária para prevenir os males futuros, as reformas estruturais e o planeamento estratégico a longo a longo prazo, do desenvolvimento sustentado do país?

Não fez, porque o próprio sistema não o permitiria, porque inconstitucional e por outro pela incompetência e inépcia dos governos socialistas e também alguns, sociais-democratas, em que teimosa e inconscientemente, certo eleitorado tem apostado.

O sistema e o regime políticos não mudam, porque o voto não muda! É esta a questão de fundo.

Não há espaço para competências e capacidades novas. Nada muda neste país!

As reformas estruturais, desde logo a própria Constituição e com ela as reformas de fundo da justiça, das leis laborais, do sistema educativo, do Estado e da Administração Pública, do sector público estatal, do poder local, da política demográfica que está definhar o país, etc. etc., só podem ser feitas se o paradigma ideológico de esquerda mudar.

Por isso os jovens, não têm e não terão num futuro próximo, emprego, não poderão constituir família e com ela a renovação demográfica, com o nascimento de crianças tão necessário, para rejuvenescer a sociedade portuguesa, das mais envelhecidas do mundo!

Isto é inconcebível e inacreditável, como chegámos a isto! Qual vai ser o nosso futuro, enquanto país viável?

Em Portugal gastaram-se 115 milhões de euros a subsidiar o aborto, desde que este foi legalizado, e em contrapartida, não se concede um cêntimo que seja para ajudar a natalidade e corta-se o abono de família às poucas crianças existentes!

Isto é a loucura e um suicídio colectivo! Que pessoas tomam estas decisões ao nível governamental, exigimos saber! Têm de ser responsabilizadas perante os cidadãos e perante o país!

Jovem, não tenhas ilusões, o teu futuro está mesmo comprometido. Não poderás viver eternamente à conta dos teus pais, porque estes não viverão sempre!

És tu que tens de tratar de ti próprio e já, não percas mais tempo!

Por cada criança que nasce neste país, já tem o seu futuro hipotecado, em dívidas a pagar na ordem dos € 15.000.

Portanto tens de agir.

Para já, e de imediato, tenta criar o teu próprio posto de trabalho, cria o teu próprio emprego, investe todos os teus recursos nele. Informa-te, há empresas e organizações que ajudam.
Dando formação na área da gestão empresarial, criação de empresas e empreendedorismo e ajudam a criar o teu próprio negócio.

Perguntarás certamente:
Mas vou ficar asfixiado em impostos, taxas e contribuições! É verdade como expliquei atrás.

Mas, não te esqueças. Sempre é preferível do que ficares eternamente desempregado, ou com salário de miséria a «recibo-verde».

Mas, como jovem que és, também tens de lutar árdua e determinantemente noutro plano: no plano ideológico, para tentar mudar o rumo do país e assegurar o teu futuro.

Como te expliquei anteriormente, a causa remota da situação em que nos encontramos, tem a ver directamente com o paradigma político de esquerda em temos vivido e pelo qual nos estamos a afundar e a comprometer seriamente o nosso futuro.

É preciso mudar o paradigma, é preciso fazer o «refresch» dos velhos e utópicos paradigmas socialistas, que nos conduziram à ruína, sejam eles quais forem, e apostar numa democracia social flexível ao centro, mas tendo como pano de fundo os valores da direita moderada e social, os únicos que verdadeiramente apostam no primado da economia e iniciativa privadas, e redução ao mínimo da economia pública.

Só assim, poderemos realisticamente, criar riqueza, prosperarmos e assegurar emprego que dignifique os jovem licenciado ou não.

Não escondo a minha filiação recente no Partido, com assento parlamentar, que defende estes valores e que poucas vezes foi governo e quando o foi, fê-lo para ajudar os outros e haver estabilidade política. Estou a falar do CDS-Partido Popular.

Também já acreditei no socialismo e na social-democracia, mas confesso a minha desilusão.

A opção é tua, está nas tuas mãos mudar, o CDS-PP está em franco crescimento, não só em militância mas também em simpatizantes e apoiantes. Fizeram como eu. Resolveram mudar e apostar em forças políticas que verdadeiramente defendem valores que asseguram o nosso futuro.

De qualquer modo aqui fica o endereço da juventude popular (centrista): www.juventudepopular.org

Informa-te, esclarece as tuas dúvidas e pede ajuda para criares o teu próprio posto de trabalho.

Entretanto anima-te, com a canção da DEOLINDA: «QUE PARVA QUE EU SOU…»

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

DEMAGOGIA BARATA

Já assisti a muitas campanhas e pré-campanhas eleitorais para a Presidência da República, mas nunca tinha assistido a nenhuma destas.

Nunca se tinha descido tão baixo, na demagogia, na pobreza de ideias, no ataque destrutivo.

E para tornar a campanha mais divertida, assistimos agora também a um espectáculo de palhaçada.

Nos tempos do PREC, que ainda me recordo perfeitamente e de má memória, no estrangeiro, dizia-se e falava-se, com grande destaque em tudo quanto é comunicação social, da democracia carnavalesca que se vivia em Portugal.

Hoje, parece que voltámos a esses tempos do Carnaval democrático.

Numa situação de falência e ruína nacionais em que nos encontramos, pela mão dos ideólogos cujas correntes políticas, alguns candidatos agora em campo sempre defenderam, é deplorável que ninguém avance com uma ideia que seja, que se aponte um caminho, uma solução para encontrarmos a luz ao fundo do túnel onde nos encurralaram.

É deplorável que, em vez de se passar uma mensagem de unidade nacional e de envolvimento de todo o país, para que este encontre a saída para esta gravíssima crise, passa-se uma imagem de divisão, de radicalismo ideológico, de lavar de roupa suja e de jogadas eleitoralistas para ganhar votos e alcançar o poder pelo poder.

Poder pelo poder, foi sempre o lema dos políticos, por isso o país está na ruína!

A solução para a saída desta crise, duvido que algum candidato a tenha, pela simples razão de que ela resultou de um acumular de erros durante décadas e do bloqueio provocado pela teimosa insistência num modelo económico, político e social, que está gasto e ultrapassado.

Já estava aliás, gasto e ultrapassado, em experiências falhadas noutros países, mas nós não aprendemos nem a lição nem a história.

Por isso, para dar corpo à solução, para determinar o caminho a seguir, todos não somos demais, mas principalmente temos de nos unir em torno de um projecto e desígnio nacionais, em que acreditemos e nos empenhemos a fundo.

É deste projecto e desígnio nacionais que os candidatos não falam. Não falam uns porque não sabem, outros porque sabem perfeitamente que as correntes ideológicas que representam nos conduziram à ruína e apenas querem o poder e apenas um, é possível que conheça o projecto, mas não o pode implementar porque não é da sua competência, mas sim do governo.

De qualquer modo é bom que os portugueses saibam que a solução não vai ser fácil, não é de um ano para o outro que se resolvem problemas graves acumulados durante décadas.

O processo de recuperação do país vai ser longo e difícil e vai durar certamente mais de uma década de trabalho árduo e de limitações para os portugueses.

Com várias condicionantes:

Tem de haver estabilidade política, o modelo económico político e social tem de ser abandonado, o poder corporativo dos sindicatos tem de ser moderado durante o processo de recuperação e o sentido de voto dos portugueses tem de ser alterado.

Se alguma ou algumas destas condicionantes falhar, o país não terá recuperação pela intervenção dos agentes políticos nacionais e a solução e as medidas a tomar terão de ser impostas do exterior (FMI, UE).

O escandaloso e egoísta exemplo dos funcionários públicos
, cujas corporações representativas têm excessivo poder, ao intentarem providências cautelares contra o Estado, para não sofrerem cortes nos vencimentos, é um sinal preocupante de algo vai correr mal no processo de recuperação do país.

Alguém falou há dias, lá das bandas da Madeira, em Estado-povo, algo com o qual concordo, se pretendeu dizer que Portugal se transformou num espécie de Estado populista, isto é, num poder popular que tudo contesta e tudo inviabiliza.

O que é também um mau sinal da irrecuperabilidade do país, pelos seus próprios meios. O poder não pode cair na rua, nem nas mãos dos sindicatos.

É do projecto de recuperação nacional, é daquilo para que é preciso mobilizar os portugueses, é de informar e avisar os portugueses de que os tempos não são de reivindicações nem de contestações, em suma de alertar os portugueses para os perigos que os espreitam e da necessidade de falarmos a uma só voz.

O tempo não é de ideologias e como disse um dia Barroso, e bem, as ideologias não dão de comer a ninguém.

O tempo é de unidade nacional.

É disto que os candidatos à Presidência da República deviam falar!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A SOCIEDADE DO FUTURO: A TRANSIÇÃO JÁ COMEÇOU


Ao transpormos o século XX e já a terminar a primeira década do século XXI, apercebemo-nos de que os quinhentos anos de «cultura ocidental» estão também a terminar.

Está a terminar uma «Era», período de tempo que corresponde aproximadamente a quinhentos anos.

Neste longo período que começa sensivelmente por volta do ano de 1500, com as primeiras contestações das crenças religiosas e termina nos nossos dias com o pós modernismo e a sua contestação aos valores sociais tradicionais, a cultura ocidental, embora mantendo alguma unidade, o seu traço comum tem sido, de facto, a decadência.

Decadência no sentido de desvio, bastante acentuado, especialmente nos últimos cem anos, do ponto de equilíbrio que pode permitir a vida do Homem no Planeta, das relações sociais entre as pessoas e da sobrevivência das sociedades humanas no seu conjunto.

Como pano de fundo desta evolução, o teatro das quatro grandes revoluções: a religiosa, a monárquica, a liberal e a social, separadas sensivelmente por intervalos de cento e vinte cinco anos.

De facto, a chamada Era Moderna, começa em princípio do século XVI com uma Revolução.
Conhecida como Reforma Protestante, esta revolução contesta o poder da Igreja e algumas crenças religiosas e tenta efectuar a transferência violenta do poder e da propriedade, em nome de uma ideia: o Protestantismo, cujo principal protagonista foi Lutero.

A Revolução Monárquica do século XVII, baseia-se na imposição de uma dupla ideia: a de Monarca em oposição a Rei e a de Nação em oposição a Reino. É a época da unificação dos reinos e a formação das nações-estado, sob a autoridade de um monarca incontestado, o rei dos reis. Durou cerca de duzentos anos.

A Revolução Liberal e Individualista, que cobre os séculos XVIII e XIX, começa com a Revolução Francesa de 1789, inspira-se nas ideias protestantes e contesta agora o poder absoluto do rei e dos nobres, tenta liberalizar a monarquia, lança um conjunto de doutrinas políticas, sociais e económicas, introduz as ideias de igualdade entre todos e de democracia e inspirou as primeiras ideias de uma sociedade comunista, com Gracchus Babeuf e Blanqui, a quem Lenine foi buscar os métodos de formação daquele tipo de sociedade.

As consequências directas da Revolução Liberal foram não tanto o comunismo, mas sim o Nacionalismo e o Liberalismo, no sentido da afirmação dos direitos individuais e dos governos democráticos (representativos do povo) ideias que predominaram em todo o século XIX e até no século XX, segunda metade, com a queda das ditaduras e do fascismo.

Finalmente a Revolução Social, também chamada Russa ou Colectivista do século XX.

Mas, antes de me debruçar sobre a génese desta revolução, é importante caracterizar o clima social, político, económico e cultural desta transição do século XIX para o século XX.

E, o que ressalta como óbvio, é a curiosa coincidência desta transição de há cem anos para o século XX, ser muito semelhante à que estamos a atravessar na época em que estamos, do século XX para o século XXI.

De facto, o ambiente é muito parecido! Só faltaram as novas tecnologias (computador, internet, televisão, telemóveis, i’pods…).

A mudança do século XIX pra o XX foi uma verdadeira reviravolta. Tudo o que caracterizava a cultura prevalecente no século XIX, foi virada do avesso. Tudo era contestado.

Na peça de Oscar Wilde, «The importance of Being Earnest», todas as virtudes do período precedente, foram ridicularizadas. Afirmava-se que a arte não tem de ensinar a moralidade.

Vivia-se um ambiente de relativa prosperidade económica, consequência da revolução industrial, o que apelava ao consumismo.

A droga e com ela a toxicodependência, apareceram nesta época. Drogas como a heroína, a marijuana e até a morfina, eram consumidas livremente.

A revolução sexual e a emancipação da mulher, contrariamente ao que se pensa, apareceram aqui. Os divórcios dispararam, a violência doméstica aumenta, as cisões familiares aumentam, tal como hoje…

No domínio das artes, em particular na pintura, a corrente prevalecente, que rompe com o impressionismo e o pós-impressionismo é o Cubismo (expressão das formas), uma espécie de imagem a três dimensões, aparece em 1908, com Picasso e Braque.

O caos e a desordem social era tanta que, muitos propunham o regresso a um primitivismo simples, curiosamente tal como hoje, como forma de garantir a sobrevivência das sociedades.

O ambiente político e social era, no entanto, muito tenso, consequência da emergência dos nacionalismos inspirados na revolução francesa e de divergências entre o Estado e a religião oficial, em alguns países europeus.

Em França, a Terceira República vacilava, ameaçada pelo poder militar. A Inglaterra perdia a supremacia industrial e comercial, e era ameaçada pelas classes trabalhadoras das indústrias, que reivindicavam melhores condições de trabalho e de vida.

A Alemanha, e outros países, apesar do seu poderio imperial, vivia uma «guerra» de culturas (divergências entre o Estado e a população católica) e pela agitação política e social provocada por grupos socialistas e trabalhadores.

Os nacionalismos ganham expressão, exacerbando tensões entre alguns países europeus (Uma revolta na Noruega, determinou a sua separação da Suécia).

Este estado de tensão e de agitação, em simultâneo com um clima cultural de contestação social e dos valores prevalecentes no século anterior, indicava de certo modo, que o fim do século XIX, determinaria também o fim de todas as coisas.

Passados os primeiros catorze anos do Século XX, a tragédia que se seguiu ao pressentimento de que tudo iria acabar, chamou-se Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918).

Embora as causas próximas sejam conhecidas, o que importa são as causas remotas. E as causas remotas vamos encontrá-las no exacerbar dos nacionalismos na Europa e na instabilidade na definição das identidades nacionais de algumas regiões do velho continente e ainda na necessidade de consolidação dos impérios coloniais.

Amadurecem agora ideias que já vinham do período anterior à guerra.

Opera-se a Grande Mudança, com o aparecimento dos socialismos e das questões sociais (as primeiras ideias concretas sobre o Estado Social aparecem aqui) e essencialmente a grande mudança procura transformar o Liberalismo no seu contrário, o Socialismo.

Após estas considerações históricas prévias, podemos agora compreender a génese da quarta revolução, a Social, também chamada de Revolução Russa ou Colectivista.

Os antecedentes remotos desta revolução vamos encontrá-los no período anterior à Primeira Grande Guerra, inclusive ainda nos últimos anos do século XIX.

De facto, existia na Rússia, nessa época, uma conspiração permanente contra o regime autocrático dos czares, designadamente dos Romanovs, com assassinatos, execuções e trabalhos forçados nas minas de sal da Sibéria.

A agitação social prevaleceu, com golpes e contra golpes, até que o czar, ainda vitorioso, inicia acções punitivas a partir de 1905 e cala a rebelião.

A Revolução Social do século XX, embora, como atrás referido, já com a sua génese em finais do século XIX, começa sensivelmente por esta altura, em 1903 quando, na Rússia, é criado o Partido Operário Social- Democrata Russo, de inspiração marxista e sob a liderança de Vladimir Lenin.

A Revolução Russa de 1917, veio depor definitivamente o regime dos czares, com a queda de Nicolau II, em nome de um socialismo que proporcionasse maior justiça social para o povo, da necessidade de se reformularem os direitos de propriedade, especialmente da propriedade agrária e de se lançarem as bases de uma nova economia que desenvolvesse o país.

Seguiu-se uma guerra civil sangrenta que se prolongou por décadas, com milhões de mortos, milhares deles executados sumariamente.

Terminada a Primeira Grande Guerra em 1918, a Europa fica destroçada.

Lenin e Trotski, denunciaram a guerra, apontando-a como uma consequência do imperialismo e do capitalismo.
Centenas de Milhares de operários e trabalhadores diversos, caem no desemprego e passam sérias privações, dando razão às teses dos dirigentes russos.

A Rússia, por ter repelido os alemães, afirma ter vencido o imperialismo e o capitalismo, dando força a uma corrente intelectual que via na Revolução Russa, um recomeço de «mãos limpas».

No mundo ocidental as teses de Marx são retomadas e o marxismo volta a ganhar popularidade, criando-se células por toda a Europa.

A Grande Depressão de 1929, com a ruína das Indústrias e dos Bancos, coloca o mundo ocidental em sérias dificuldades, dando mais uma vez razão às teses russas do marxismo.

O comunismo tornou-se popular, pois garantia estabilidade e um mínimo de subsistência garantido para todos.

A Revolução Social estende-se por todo o século XX. Surgem as grandes descobertas científicas que haviam de revolucionar o mundo pós Segunda Guerra Mundial. Einstein e Freud estão na moda.

No período compreendido entre as duas Grandes Guerras, amadurecem as correntes político sociais. Nos anos trinta aparece o fascismo e depois o nacional-socialismo, na Alemanha e na Itália como corrente intermédia entre liberalismo e comunismo.

Por todo o mundo, muitos Estados adoptam o comunismo de modelo russo.

Os líderes ocidentais adoptam o governo do povo, baseados num conceito incorrecto de democracia. A democracia, por definição, é o governo de todo um povo, um sistema em que toda a comunidade debate e vota. Nunca tal se verificou, pois basta a permissão da abstenção para não se poder falar de democracia.

Mais correctamente devemos falar de período demótico que significa época do povo ou da prevalência do povo e que caracterizou toda a segunda metade do século XX.

Antes porém, acontecimentos e tensões semelhantes aos que desencadearam a Primeira Grande Guerra, acabam por desencadear a Segunda.

Nova tragédia para a Europa que fica novamente destroçada. Ergue-se novamente com o auxílio dos EUA, mas o Mundo fica dividido entre o Ocidente «democrático e anticomunista» e o mundo comunista com a emergência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (União Soviética) que, em consequência da guerra, anexou grande parte da Europa Oriental e Central, incluindo uma parte do território alemão.

Surge a Guerra Fria, baseada no equilíbrio do terror e dos armamentos nucleares, e com ele o antagonismo entre dois sistemas económicos e sociais: capitalismo e comunismo.

Surgem a NATO e o Pacto de Varsóvia, duas organizações rivais que se digladiam. Aparece a Sociedade das Nações, depois Organização das Nações Unidas, com o intuito de prevenir e dirimir os conflitos mundiais.

Apesar deste quadro de tensão mundial do pós Segunda Guerra, a Revolução Social do Século XX prossegue, com bastante ímpeto especialmente a partir dos anos sessenta, em que os tempos demóticos ganham uma expressão sem precedentes.

A loucura dos anos sessenta, com o aparecimento dos Hippies , o tempo do «façam amor não façam a guerra» e a revolta estudantil do Maio de 1968 em França, foram a pedra de toque que haveria de marcar as décadas seguintes.

A emancipação das pessoas e das sociedades, isto é, a libertação das grilhetas do passado, é um facto e tudo é posto em causa, valores, princípios morais, dando a forma a uma corrente designada de Relativismo, em que se procura demonstrar que todos os nossos actos são relativos, não há valores absolutos.

O Bem e o Mal são relativos. O mal para uns pode ser o bem para outros!

Em matéria de emancipação das sociedades, o Separatismo é a tendência mais forte em finais do século XX.
Um pouco por todo o mundo, os separatismos ocorrem: Escócia, Gales, Bretanha, País Basco, Repúblicas soviéticas, Quebec, Curdistão, Texas, Repúblicas Bálticas, Paquistão, Bangladesh, são apenas alguns exemplos.

O crime organizado prolifera, perante a complacência e impotência dos poderes públicos.

O individualismo, que predominou nas décadas anteriores, é confrontado com o Estado Social. Este já não se limitava apenas a garantir a subsistência dos pobres e desfavorecidos, mas também a segurança e conforto de todos os cidadãos.

O custo do Estado Social era e é elevadíssimo, o que implicava impostos elevados, o desperdício e a corrupção pela existência de leis complicadas.

Com o Estado Social fomentava-se o consumismo, criavam-se novas necessidades e levava ao endividamento desmesurado das pessoas, apenas para consumir, traços também característicos deste período demótico.

A democracia entra em crise, pela descrença dos cidadãos nos políticos, a abstenção abre caminho à eleição de governos não representativos.

O indivíduo demótico do século XX surgiu na sua qualidade de cidadão: imigrante, defensor da liberdade, criminoso, votante apático, consumista, recebedor de benefícios concedidos pelo Estado ou vítima de uma ordem pública impotente.

O que mais desejava o indivíduo demótico era a Vida não Condicionada, como preferência, no culminar de 500 anos de emancipação.

O Impróprio era e é ainda, o traço característico do estilo demótico:
- As convenções tradicionais caem para dar lugar ao bizarro, ao obsceno; a indumentária juvenil rasgada e suja, pretende imitar a aparência dos estratos sociais mais baixos, o desleixo deliberado contrariava o snobismo e o egotismo.

A revolução sexual do início do século dá lugar à sexualidade explícita, à sensualidade, à obsessão mental pelo sexo, à pornografia na Internet e em muitas revistas ao alcance de todos, incluindo crianças, ao comércio do sexo, à prostituição feminina e masculina, anunciada com toda a liberdade na Web, em jornais e em revistas.

A paixão e o amor deram lugar ao prazer do sexo e a toda a espécie de práticas sexuais promíscuas.
A promiscuidade sexual faz surgir uma doença terrível: a SIDA, que já matou milhões e ainda não se alcançou a cura.

O adultério tornou-se vulgar e deixou de ser crime. Muitas mulheres e homens optam por não casar nem constituir família.

O conceito de família tradicional é posto em causa.

A homossexualidade é consentida e depois legalizada
, passando a ser considerada uma orientação sexual tão normal como a heterossexualidade. Passou a ser um direito constitucional.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legalizado em vários países de cultura ocidental.

Os divórcios disparam e sobem exponencialmente, a violência doméstica sobre as mulheres aumenta de forma preocupante, muitos casais jovens preferem juntar-se a casar-se perante o espectro muito provável do divórcio a curto prazo, as famílias desfazem-se, os filhos são seriamente afectados.

A instabilidade conjugal é enorme devido à mudança dos hábitos sexuais
e da influência do passado, sempre presente.
O alcoolismo juvenil, com bebidas de forte teor alcoólico, está na moda, nos bares nas discotecas e em tudo o que é diversão, dando lugar á incidência muito precoce, ante dos trinta anos, de uma doença também fatal: a cirrose hepática que atinje já extratos populacionais cada vez mais jovens, indiferenciados, entre mulheres e homens.

Proliferam um pouco por todo o lado as Sex-shops, onde se encontram toda a espécie de produtos, artigos e instrumentos para proporcionar prazer e divertimento sexuais.

A promoção do desejo, a pornografia de fácil acesso, as drogas estimulantes estão na moda, para aumentar a duração do acto sexual, dando a falsa aparência de atletas aos protagonistas.

A paralisia, a impotência masculina, a depressão, as doenças mentais começam a afectar tanto jovens como adultos. A taxa de natalidade desce cada vez mais para níveis preocupantes, pondo seriamente em risco a renovação da população e com ela a sobrevivência das sociedades.

A procura do prazer e do consumismo, parece ser a principal preocupação do indivíduo demótico dos finais do século XX e princípio do século XXI.

Cabe aqui uma referência ao Relativismo e à sua relação com a Vida não Condicionada, ideias que caracterizaram e caracterizam ainda os tempos demóticos, da Revolução Social de finais do século XX, princípios do século XXI.

O termo relativismo pretende significar a causa de toda a imprecisão. Relativo significa flexível, adaptável, numa escala em que o mesmo facto ou situação são vistos em perspectivas diferentes.

O Relativismo nega que exista o Bem e o Mal. Para o relativista não há moral, religião ou cultura.

Quando a moral diz: não se deve mentir, o relativista diz: vou mentir ou não, conforme me convier ou segundo os meus interesses.

Por isso, a corrupção, o roubo, até um homicídio, podem ser justificados à luz da corrente relativista.

A corrente relativista é contra a existência de códigos morais, de princípios e valores sociais de referência, nem implica qualquer juízo de valor ou preferência definitiva.

A civilização ocidental vangloria-se de ter desenvolvido o relativismo e o pluralismo. Este acomoda num mesmo sistema, religiões, códigos morais, correntes políticas.

Por isso é legítima a pergunta, até que ponto uma sociedade pode permitir a diversidade sob o pluralismo, e isso constituir um problema real?

E é legítima outra pergunta: não haverá pelo menos alguns princípios fundamentais de conduta que todo o mundo reconheça como vinculativos e não sujeitos a alterações ou diferentes juízos de valor?

Aparentemente não!
Mas, a pergunta deve, no mínimo, ser sujeita a uma profunda reflexão, antes de uma resposta definitiva. Por isso fica no ar para uma crítica.

A corrente relativista, explica assim, o comportamento do indivíduo demótico especialmente do último quartel do século XX e com grande expressão nos primeiros anos do século XXI

O relativismo explica que não haja distinção entre alunos bons ou maus numa escola, o direito ao sucesso e à ascensão social de todos os indivíduos, sejam competentes ou não, trabalhem ou não.

O relativismo é uma espécie de Lei da Selva, em que cada um faz o quer, como quer e onde quer e em que cada indivíduo, não hesita em enganar e prejudicar o seu semelhante, se isso constituir uma vantagem para si e seja do seu interesse.

É óbvia a relação da corrente relativista com a característica demótica da Vida não Condicionada, estilo de vida do Homem de finais do século XX, princípios do século XXI.

Para terminar, as grande interrogações:

- Os 500 anos de civilização ocidental decadente estão, de facto, a terminar?
- A transição para uma nova sociedade, não relativista, ou seja, em que haja princípios morais e valores de referência que todos respeitem, já começou?

Quanto à primeira pergunta
, ao analisarmos todo o percurso do Homem durante estes 500 anos, tudo aponta para o fim de uma Era e de uma civilização.

Parece que o Homem de cultura ocidental caminha para a sua autodestruição. Tudo aquilo que no passado era o suporte e o sustentáculo de uma vida equilibrada que garantia a sobrevivência e a continuidade das sociedades, porque mais de acordo com a Ordem Natural da vida no Planeta, está desmoronar-se e, muito preocupante, de forma irreversível.

De facto, uma sociedade que não se renova, que segue padrões de vida que se afastam cada vez mais da Ordem Natural do Planeta que habitamos e que, contrariamente às outras sociedades animais que vivem segundo a lei da selva natural, segue, segundo o princípio relativista, a Lei da Selva Racional (logo pervertida, não natural), caminha para a irreversibilidade da autodestruição.

Nesta caminhada e disso já somos testemunha, geram-se tensões sociais graves, as relações entre as pessoas são cada vez mais difíceis, ninguém se pode dar ao luxo de «dar o flanco», pois corre o risco de ser enganado e gravemente prejudicado. Toda a gente engana toda a gente. O relativismo assim o justifica.

A sociedade do prazer e do relativismo, que bem caracteriza o mundo ocidental actual, transformou o sexo em mero instrumento de prazer e diversão e menos em instrumento de reprodução, o que muito está a contribuir para a queda constante da taxa de natalidade, juntamente com outros factores: a homossexualidade, a carreira e a emancipação das mulheres, desviando-as da sua função natural de geração de novos seres, a infertilidade masculina e feminina devido aos excessos e à vida anti-natural, às cisões familiares e à perversão do conceito de família.

As sociedades ocidentais emanciparam-se, mas emancipação não pode significar autodestruição e está , de facto a autodestruir-se pelo mau uso que tem feito dela ao longo dos séculos e que, no fim da era moderna e já no pós-modernismo, a emancipação está a assumir foros de verdadeira loucura colectiva, podendo tornar a vida em sociedade insustentável.

Esta é a minha convicção!

Quanto à segunda questão, é um facto que a civilização ocidental se transformou numa Caixa de Pandora, que já se abriu e o vendaval já começou.

A queda da civilização ocidental ou cristã, como lhe queiramos chamar está, de facto, a aproximar-se do fim e está a ocorrer por razões semelhantes às da queda do Império Romano.

Apenas uma diferença: os novos bárbaros agora chama-se «islâmicos» e já cá estão em força, por via da globalização e da abertura das fronteiras, preparados para avançar e desferir o golpe final.

O 11 de Setembro de 2001, foi apenas um exemplo de um ataque brutal e bem sucedido dos novos bárbaros, ao coração da grande nação de cultura ocidental.

Uma guerra de civilizações já começou na transição do milénio
, e está em marcha avassaladora.

Os «infiéis» de outrora, transformaram-se em «cruzados» e os antigos «cruzados», transformaram-se, hoje, nos «infiéis».

As cruzadas de hoje são contra o ocidente e a sua cultura decadente. Os papéis inverteram-se. A guerra santa ou «Jihad», já começou.

E as suas vitórias vêem-se e somam-se, para surpresa de todo o mundo: no Iaque, venceram as maiores potências do mundo, dispondo de meios bélicos exíguos; no Afeganistão estão prestes a alcançar nova vitória, com o recuo e a retirada das maiores potências económicas e militares do mundo.

O mundo islâmico ganha terreno, perseguindo e eliminando pela força o que ainda resta de cultura cristã e ocidental: em África (Sudão, Etiópia, Argélia, Egipto, Nigéria, Somália e muitos outros); na Ásia (Indonésia, Filipinas, Timor Oriental e Ocidental, Médio Oriente).

Na Europa, a população muçulmana instalada, já com descendentes de cultura muçulmana, ascende já a mais de 50 milhões.

O Ayatola Ali Jamanei, líder espiritual do Irão, afirmou:

«Há sinais de que Alá concederá a vitória na Europa, sem espadas, sem armas, sem conquistas. Os 50 milhões de muçulmanos na Europa irão convertê-lo num continente muçulmano em poucas décadas»

Ninguém consegue prever o futuro, mas tudo aponta, para uma implantação e influência cada vez maior da população e cultura muçulmanas, que segue princípios morais e valores de referência social levados ao extremo, cuja taxa de natalidade é muito superior aos dos povos europeus e até do continente americano.

A grande Transição para Nova Sociedade, parece já ter começado. A nova Europa chamar-se-á «EURÁBIA», assim o afirmam os líderes muçulmanos, certos da vitória!

Terá o mundo ocidental decadente, ainda capacidade para reunir forças e encontrar um ponto de equilíbrio?

O futuro o dirá!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

NO PAÍS DOS PAPAGAIOS

Portugal está a falar de mais!

Está a falar de mais e a trabalhar menos, para resolver os gravíssimos problemas com que se está a defrontar e que se vão agravar no ano que se avizinha.

Nos jornais, nas rádios, nas televisões, os mais exímios «experts», sabem tudo sobre tudo.
Fazem lembrar os relatores de futebol, a comentar, a descrever e a criticar as jogadas políticas dos atletas que protagonizam este espectáculo gratuito proporcionado ao país.

Muitos deles, apesar de tudo saberem, em teoria, na prática já deram provas da incoerência daquilo que dizem e da incapacidade de resolverem os problemas do país.

Repetem sistematicamente as mesmas receitas de sempre, quais papagaios que ainda não aprenderam a falar de outra maneira.

Falamos muito, mas trabalhamos pouco.

Mas há excepções! Há neste país excelente gente que fala pouco e trabalha muito.

No silêncio dos laboratórios, pessoas, das mais qualificadas a nível nacional e internacional, pouca gente as conhece, poucas vezes as televisões, nas suas reportagens divulgam e dão a conhecer as suas actividades.

Mas, esses anjos da ciência existem e pouco falam, porque dedicam a sua vida à causa da ciência e é nela que estão concentrados no silêncio dos laboratórios.
Por isso, o tempo de trabalho que dedicam à sua causa, não tem medida, não tem fim.

As grandes audiências do país dos papagaios, apreciarão certamente muito mais uma «Casa dos Segredos» ou um «Jogo de Futebol» do que a divulgação do estado da ciência em Portugal.

Obviamente haverá outras excepções, mas estas não confirmam a regra.

Por isso preferimos falar, arranjamos bons empregos para falar, falar e mais falar!

O falar às massas dá bons empregos, dá bom dinheiro, proporciona importância resultante da notoriedade, mas não notoriedade resultante da importância.

Falamos bem, sem dúvida, mas trabalhamos mal…

Por isso estamos na cauda Europa em quase tudo, excepto na educação que, milagrosamente e de uma ano para o outro, fomos colocados nos tops dos «rankings» europeus, pelo excelente aproveitamento dos alunos, fruto de um grau de exigência e de uma qualidade de ensino ímpares.

São os tais alunos que não sabem o que é 1 metro quadrado, que recorrem à máquina de calcular para multiplicar 5X1, e que contam uma a uma, um conjunto de 18 garrafas, alinhadas numa caixa com 6 no comprimento e 3 na largura.

Não sabem, porque não lhes ensinaram segundo as regras. Por isso, o seu cérebro não consegue fazer operações aritméticas simples, não está treinado para isso.

São os tais alunos que, abandonando o ensino no 9º ano ou antes, por manifesta incapacidade intelectual de fazerem os mínimos de exigência, nas ridículas provas de avaliação actuais, tiram excelentes notas nos cursos das «novas oportunidades» e por via da excepcional média que obtiveram, entram para o Curso de Medicina mas que, com muita probabilidade, nunca chegarão a ser médicos.

Os únicos lesados, seremos nós os contribuintes que, com os impostos que pagamos, estamos a financiar a ignorância e o falhanço destes privilegiados da sorte que, não sabendo aproveitar todas as facilidades do actual sistema de ensino, nem assim conseguem chegar a lado nenhum. Apenas consomem tempo e dinheiro ao Estado.

Falamos demais acreditando cegamente na utopia que nos está a afundar e a conduzir ao abismo.

Muita gente fala, sem saber verdadeiramente o que está em causa, quais a razões profundas da crise que estamos a viver, muita gente fala apenas porque lhe interessa defender os seus interesses individuais, de classe, sindicais ou outros, sem querer saber dos interesses do país.

Já é tempo de falarmos menos e trabalharmos mais.

O país agradece e bem precisa para lançar as bases do seu crescimento económico e com ele o desenvolvimento, a qualidade de vida e erradicação da pobreza que a todos nos envergonha.

Já é tempo de entendermos o logro da utopia em que caímos, mas em que muitos de nós ainda continua a acreditar.

Já é tempo de mudarmos de rumo, de sistema e de filosofia políticos, de deixarmos entrar de vez o ar fresco da primavera e acabar com a imensa invernia em que temos andado mergulhados.

Já é tempo de reivindicar menos e trabalhar mais, de arregaçar os braços e por mãos à obra, porque as tarefas que temos pela frente são imensas e já não se compadecem com «falas» ocas e vazias.

O tempo do falar por falar já devia ter acabado.

O país não se compadece mais com estas inúteis perdas de tempo. O país exige que nos calemos e comecemos a trabalhar no duro, porque o que temos pela frente assim exige.

Mas tudo tem de começar pelo «refresh» das velhas ideias, da velha cultura e assimilar as novas, as únicas que nos podem conduzir ao sucesso.

Ainda estamos a tempo!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

DEMOCRACIA IMPERFEITA: A LEGITIMIDADE DOS INCOMPETENTES

Alguém, com conhecimento de causa, um dia afirmou que «a democracia é o melhor do pior dos regimes».

Esta afirmação, aparentemente disparatada, encerra algo de verdadeiro.

De facto, interpretando a frase à letra, o que ela pretende transmitir é que, dentro de um conjunto de regimes políticos possíveis, considerados maus, a democracia é o melhor deles.

Mas, apesar de ser o melhor deles, não deixa de ser mau, ou pelo menos imperfeito.

Na verdade, dentro das formas de democracia, a chamada democracia representativa, como aquela que caracteriza o regime vigente em Portugal, em que o voto não é obrigatório, não será certamente o regime ideal, pois que, como já tive ocasião de analisar num dos meus artigos, enferma de vícios e imperfeições,

E não sendo o regime ideal, presta-se a manipulações, à diminuição do universo de eleitores, por via da abstenção, deixando de ser representativa e ao voto imperfeito (leia-se não consciente, por falta de informação de grande parte dos eleitores, do que está em causa)

Presta-se a manipulações, em primeiro lugar, por influência do marketing político, por vezes demagógico, prometendo mundos e fundos às massas, mas que na prática não vai ser cumprido.

Presta-se ainda a manipulações por parte do eleitorado que pretende ver defendidos os seus interesses, económicos, financeiros, sociais ou outros. Este eleitorado exerce influência por via da pressão que exerce sobre determinado partido, que quer colocar no poder, fornecendo-lhe todos os meios possíveis, incluindo financeiros (uma forma de financiamento dos partidos) para atingir aquele objectivo.

Em segundo lugar, e muito importante, a abstenção.

De facto, este nefasto elemento da democracia, resultante do facto do voto não ser obrigatório, como convém a certas forças políticas, faz com que o universo de eleitores seja, logo à partida, substancialmente reduzido.

O que significa que, se 40% dos eleitores não votarem, porque não lhes apetece, não estão para se incomodar ou simplesmente estão descontentes com os partidos existentes ou com o sistema político, o universo de eleitores fica reduzido a apenas 60% dos eleitores com capacidade de voto, ou seja a quase a metade (por exemplo, se o conjunto de eleitores for de 8 milhões, e só votarem 60%, aquele conjunto de eleitores, ficará reduzido a 4,8 milhões).

Esta situação vai favorecer os partidos de militância, cujos eleitores, em geral não faltam às eleições, e consequentemente fará subir a sua percentagem de representatividade, que não é verdadeira, isto é, seria muito mais baixa se todos os eleitores votassem.

Por exemplo, para o Partido Socialista, que detém quase sempre o poder, a sua percentagem de 37% dos votos, representa apenas 37% do conjunto dos eleitores que votaram, ( no exemplo 37%x4,8 milhões = 1,776 milhões).

Se for calculada a representatividade destes 1,776 milhões de eleitores, em relação ao total de eleitores (8 milhões), obtemos certamente uma percentagem de representatividade muito mais baixa: (1,776 milhões : 8 milhões) x 100 = 22%.

Ou seja, uma percentagem ínfima de representatividade, pois que não chega sequer a representar ¼ do total de eleitores.

E este Partido, ou outro que conquiste poder desta forma, vai afirmar ter toda a legitimidade para governar o país, pois que foi eleito democraticamente pelo povo!

Pergunta-se, qual povo?

Em terceiro lugar o voto imperfeito.

Um voto só será perfeito, se for consciente, isto é, se o eleitor estiver perfeitamente informado do que está em causa com o seu voto e, nessa medida votar conscientemente.

E, para estar informado do que está em causa, o eleitor precisaria de formação política, habilitações literárias adequadas e perfeito esclarecimento daquilo que se pretende com o seu voto.

Dentro do universo de eleitores, provavelmente mais de metade satisfarão estas condições, até pela experiência democrática, mas seguramente uma grande parte desse eleitorado que habitualmente vota, não as satisfará.

Muitos votarão, segundo os seus interesses pessoais (desde o simples subsídio que o Estado lhe dá e não o quer perder, até ao grande grupo económico e financeiro, que pretende manter os seus privilégios), outros por mero clubismo (sou da classe média, logo voto PS, sou funcionário público, o meu partido é o PS, etc.) e até eleitores votarão pela simpatia e aparência do político candidato às eleições. Este é muito simpático, vou votar nele…

Por tudo isto, a democracia representativa, característica das democracias ocidentais, é muito imperfeita e conduz ao enviesamento dos resultados eleitorais, isto é, à falsidade desses resultados, deixando por isso de ser representativa.

Não sendo representativa, significa que é uma democracia simulada, de fachada, que permite que minorias cheguem ao poder e afirmem que têm legitimidade para governar o país, porque foram eleitas pelo povo!

Numa situação limite, a persistência desta minoria no poder, pode conduzir a uma situação muito próxima de uma ditadura (neste caso pretensamente democrática, por o regime se afirmar, incorrectamente democrático).

A persistência no poder desta minoria, conduz normalmente a excessos, a favoritismo, a clientelismo, a despesismo financeiro desmesurado e no limite à ruína de um país.

Mas pior de tudo é que, essa minoria revela quase sempre uma extrema incompetência, uma persistência no erro, a impor os seus pontos de vista, sem ponderar outras opiniões e tenderá a reflectir os seus interesses pessoais e das usas clientelas, que a ajudaram a conquistar o poder, sem se preocupar com os superiores interesses do país e da sua população.

Foi por esta via que caiu a Primeira República e provavelmente cairá a Terceira. A segunda caiu por outras razões, pois já se vivia em ditadura pura.

Este sistema dito democrático, mas de representatividade limitada, pode perpetuar no poder governos incompetentes, à persistência da incompetência, que acaba por ser legitimada pelo voto persistente sempre dos mesmos eleitores, de acordo com o mecanismo atrás referido.

Ou seja, este sistema, pode não permitir, que outras forças politicas ou independentes, porventura com maior capacidade e competência para governar um país, tenham a sua oportunidade de mostrar o que valem e desse modo serem julgadas pelo eleitorado.


Será o país que perde com este sistema e naturalmente a sua população, que pode ver-se confrontada com sérias dificuldades e no limite arruinar-se o país.

Pode, portanto concluir-se, que o sistema de democracia representativa, tal como está concebido, precisa de uma profunda reflexão e nesse sentido serem introduzidos instrumentos que corrijam as imperfeições de que enferma.

Ou seja, será necessário uma profunda revisão da Lei Eleitoral e até da Constituição, de modo a estabelecer-se um modelo de representatividade, com mais variáveis, de modo a corrigir as imperfeições do actual sistema.

No meu entender, para além de alguns mecanismos já existentes, como a moção de censura, que não funciona em caso de maioria absoluta (mas que no fundo é relativa) e poderá ou não funcionar, em maioria relativa (leia-se minoria em relação ao universo de eleitores), a revisão da Lei Eleitoral, devia contemplar os seguintes elementos essenciais:

- Voto obrigatório

O país não se pode compadecer nem sofrer as consequências da abstenção, pelo comodismo, descontentamento ou qualquer outra razão dos eleitores. Para estes eleitores há uma opção que se chama voto em branco, mas que é um voto como qualquer outro e como tal conta para efeitos de cálculo das percentagens eleitorais.
A abstenção pura e simplesmente não conta.

Além do mais, o voto é um acto de extrema responsabilidade, pois que dele depende o futuro colectivo de um país.

- Revisão do sistema de círculos eleitorais e do método de Hondt
Embora este método procure ser equilibrado e garantir, em certas circunstâncias, a representatividade das minorias, não é perfeito.

Introdução de círculos uninominais.

- Obrigatoriedade de governos maioritários

Qualquer Partido que não obtenha maioria absoluta, tem de formar governo em coligação com a força política cujo programa e princípios ideológicos esteja mais perto no espectro político.

Este princípio é fundamental para garantir a estabilidade governativa, por um lado, e por outro, permite partilhar competências com essa força política.
Garante-se assim, não só a estabilidade, como garante a participação de capacidades e competências, que estariam desaproveitadas e finalmente pode prevenir o clientelismo (leia-se a atribuição de funções públicas ou privadas de forma arbitrária, à mesma força política, os chamados «boys»).

- Eleição de uma Câmara Tecnocrática para a Assembleia da República

Esta Câmara, eleita pelo universo de eleitores, seria constituída, por deputados independentes dos partidos, com perfil e curriculum adequados para esta função e em que seria eleito um Deputado Tecnocrático por cada círculo eleitoral.

A função desta Câmara, cujos deputados teriam direito a um voto cada na Assembleia, seria contribuir para o aperfeiçoamento das leis (dada a sua experiência prática, a sua competência como agentes tecnocratas e uma maior noção das realidades do país).

O seu contributo permitiria que as leis emanadas da Assembleia da República estivessem mais próximas da realidade, corrigindo deste modo, as abstracções de leis elaboradas exclusivamente por funcionários dos partidos, por vezes completamente fora da realidade e de difícil aplicação prática.

- Avaliação técnica e política dos candidatos a deputados

Esta regra visa avaliar a competência dos candidatos a deputados.

Esta competência tem de ser baseada numa avaliação e não em meras nomeações dos partidos. Só assim podemos garantir a qualidade do trabalho dos deputados e melhorar a imagem dos políticos.

Esta regra elimina à partida qualquer nomeação de deputados por imposição de quotas ou baseada na igualdade ou paridade de género (masculino ou feminino).

A nomeação por quotas ou sexo, sem avaliação prévia, não garante competência nem capacidade técnica nem política aos deputados.

Os cargos têm de ser desempenhados em função de competências e não de quotas impostas.

A ruptura com o passado, tem de passar por aqui, como medida prioritária, caso contrário, teremos o nosso futuro colectivo, enquanto país viável, seriamente comprometido!