sábado, 30 de julho de 2011

UNIÃO EUROPEIA: BOA OU MÁ OPÇÃO PARA PORTUGAL

O sonho de uma Europa Unida e de um Império Europeu alargado, já vem de longe.

Uns usando a via da força, como Napoleão sonhando com impérios de hegemonia francesa, outros como Guilherme II e Hitler, com o argumento do darwinismo social, sob a égide alemã e outros ainda, depois do colapso europeu do pós 2ª guerra mundial, propondo a via pacífica, primeiro económica e social e depois semi-federativa, com moeda comum, estado em que estamos.

Perante os acontecimentos dos últimos anos e em particular deste último, tudo parece desagregar-se e traídos os sonhos de Konrad, Delors e outros que, desde os anos cinquenta do século passado, acreditaram que o sonho europeu era possível, por via do entendimento e do diálogo entre os povos europeus.

Os seus continuadores assim acreditaram e envolveram no sonho um número cada vez maior de estados europeus. Hoje já somos vinte e sete e pelo menos mais quatro candidatos.

Uma miscelânea de países, entre os quais um número significativo de economias débeis e mal preparadas para integrarem uma união de moeda forte e comandada por um directório de países ricos e de economias igualmente fortes.

Alguns, como a Grécia, camuflaram e fizeram iludir essas debilidades e hoje, estão a pagar bem caro a ânsia e a ousadia de participarem no clube europeu.

Outros, como Portugal, embora satisfazendo os requisitos mínimos, fizeram-se à frente, embora também com muitas fragilidades. De facto, em 1986, não estávamos ainda preparados e vivíamos ainda a ressaca da segunda vinda do FMI ao nosso país, depois do colapso financeiro do governo de Mário Soares.

Mas, perante o desagregar do império colonial, após uma penosa descolonização, que deixou ressentimentos nos colonizados, também poucas alternativas nos restavam.

Um das moedas mais fortes do mundo, o euro, não é compatível com economias débeis, como a nossa, porque não são competitivas, não têm grande capacidade para exportar tecnologias de ponta e inovadoras, vendidas ao exterior a peso de ouro, pelas grandes potências económicas.

A moeda forte só favorece as importações, mas prejudica bastante as exportações, para as economias frágeis, como a nossa, numa economia globalizada. Por isso e não só, a nossa Balança Comercial é altamente deficitária.

Os nosso parceiros europeus, aparentemente generosos, deram-nos uma grande ajuda com os biliões de euros em fundos de coesão, coesão com o objectivo de os aproveitarmos para nos desenvolvermos e nos aproximarmo-nos deles.

Não só a ajuda não foi aproveitada, predominando o oportunismo, a corrupção, as piscinas, os palácios, as mansões e os carros de luxo topo de gama, onde grande parte foi aplicada, como a ajuda europeia não foi assim tão generosa, como os factos vieram demonstrar.

De facto, para além da má aplicação que fizemos desses fundos, caímos que nem «patinhos» na cilada que os nossos parceiros do norte do clube europeu, com relevo para a Alemanha e França, nos prepararam, qual casca de banana em que todos escorregámos e como que desenterrando as teses darwinistas do domínio das grandes potências sobre as mais pequenas e fracas.

Estes factos, por si só, já explicam uma grande parte da tragédia que se abateu sobre nós.

A outra parte explica-se pelo sono profundo que o sedativo europeu nos provocou, optando claramente pelo doce saborear desse sono à sombra das bananeiras portuguesas.

Sono dos políticos, sono do regime e do sistemas em que temos vivido! E também sono de grande parte de nós!

E agora, de repente, acordámos e em pânico, vemo-nos colocados à beira de um precipício, bastando um leve empurrão para nos precipitarmos no abismo.

E interrogamo-nos, meio despertos deste sono letárgico, como foi isto possível?

A questão dos fundos já é sobejamente conhecida, rios de tinta se têm gasto a falar desse assunto. Já não vale a pena falar nisso.

Mas convém determo-nos um pouco sobre a «casca de banana» em que escorregámos e habilmente preparada pelos nossos «amigos» europeus, sob o directório franco- alemão.

Trata-se de uma estratégia congeminada por este directório, de unificação europeia, mas com domínio dos países, ditos mais fracos, do sul da Europa, não por via militar, mas pela via económica.

Uma estratégia bem simples:

- Complementar com os fundos comunitários de ajuda que, só por si, já nos alienaram bastante, um pacote de exigências de redução da nossa produção agrícola e de redução das nossa quotas pesqueiras nas águas nacionais e internacionais e abate de uma grande parte da nossa frota pesqueira, tudo isto em troca da oferta de compensações financeiras aos agricultores, pescadores e armadores.

Nós que, desde sempre, nos habituámos a compensar o défice de produção nacional, com fundos vindos do exterior, desde o ouro do Brasil até às remessas dos emigrantes, vimos nisto um verdadeiro maná.

Ganhar bom dinheiro sem trabalhar, isto é do melhor!

Para muitos agricultores e pescadores poderá ter sido um bom negócio, mas foi um péssimo negócio para o país.

País que, tendo tradicionalmente vivido muito da agricultura e das pescas, evitando muitas importações de produtos provenientes destes sectores económicos, de repente fica privado de uma grande parte desta produção, ficando, a partir daí na quase completa dependência da importação de produtos alimentares e de peixe, grande parte deles proveniente dos países europeus que congeminaram esta estratégia.

Ou seja, esta estratégia muito simples, gizada pelos países do norte europeu, visou criar no sul da Europa onde predominam as economias mais frágeis (Portugal, Espanha, Grécia, Chipre) um extenso mercado de exportação de produtos agrícolas e agro-industriais e para outros produtos de que ficámos privados pela amputação de grande parte daqueles sectores.

Deixámos assim, de ser quase auto-suficientes em produtos agrícolas, agro-industriais , de peixe e produtos da indústria pesqueira, dependendo da importação de aproximadamente 70% a 80% deste produtos base essencial da alimentação da população do país.

As consequências financeiras para o país foram desastrosas.

A falta de produção nacional deste produtos e de produção alternativa de bens e serviços exportáveis que pudessem compensar este défice de produção, foi uma das causas do grande endividamento externo a que fomos obrigados, pois que as importações têm de ser pagas ao exterior e a Balança Comercial sendo deficitária, forçou ao endividamento.

Mais uma vez fomos atrás do canto da sereia e ficámos encantados.

Mas a culpa não a podemos imputar aos agricultores e aos pescadores. Estes apenas agiram em função dos seus interesses pessoais. Se nos dão dinheiro para não trabalhar, porque haveremos de trabalhar?

Os grandes responsáveis foram, como sempre, os políticos da época e dos que lhes sucederam, que não souberam ou não quiseram, fazer uma negociação que defendesse os interesses do país.

Estamos agora, com este governo, saído das eleições de 05 de Junho, a tentar emendar a mão e corrigir os erros crassos em que incorreram os seus antecessores. E todos nós estamos, neste momento de grandes dificuldades, a pagar amargamente as consequências desses erros.

Mas, perante este cenário de grande cepticismo, em relação às «boas» intenções dos nossos parceiros europeus e em particular do eixo franco-alemão, e perante o ressurgimento do exacerbar dos egoísmos nacionais e até dos nacionalismos, em alguns países europeus, interrogamo-nos onde estão as tão propaladas solidariedade, coesão e união europeias?

Não estaremos antes perante um união de interesses egoístas, divergentes e de congeminação de estratégias de domínio dos países ditos mais fortes e ricos, em relação aos mais fracos e menos ricos, como que desenterrando as teses darwinistas?

É uma questão que nos deve preocupar e será a legítima a pergunta se fizemos bem ou mal ao aderirmos à União Europeia.

E perante o disparar dos canhões do lado de lá do Atlântico, com as miras apontadas para os flancos do sul da Europa, os elos mais vulneráveis desta união, explorando habilmente a sua inépcia, imobilismo, fragilidade económica e financeira e agora os evidentes e preocupantes sinais de divisão, ainda mais nos interrogamos sobre o desfecho final desta União Europeia.

Ou a União Europeia acorda de vez e consolida e reforça rapidamente a sua posição, enquanto espaço económico e geo-estratégico determinante a nível mundial, ou pode ser o princípio do fim do grande sonho europeu.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A FACE OCULTA DO SOCIALISMO

Ontem, ao ver e ouvir nos noticiários televisivos da manhã, o comentário do fiscalista Tiago Caiado, pessoa que já nos habituou às suas objectivas e contundentes opiniões, mas extremamente realistas, mais até do que as de Medina Carreira, sobre a situação portuguesa e do regime em que vivemos, fiquei e como sempre, satisfeito pela frontalidade e pelo desassombro anti politicamente correcto, com que exprime as suas opiniões.

É destas personalidades, infelizmente ainda raras em Portugal, que o nosso país precisa.

Que tenham a coragem de falar, que não tenham medo do politicamente correcto, que ponham em causa esta e muitas falsas ideias postas a circular pelas grilhetas mediáticas que nos têm acorrentado durante décadas, completamente alienadas e subservientes do poder político resultante do voto.

Falou da situação europeia, da sua debilidade enquanto espaço económico, politico e social e por isso mesmo, alvo dos ataques cirúrgicos dirigidos do outro lado do Atlântico, contra os seus elos mais fracos: Portugal, Grécia e Irlanda e agora também a Itália.

Falou da situação portuguesa e da sua debilidade, reflexo dos erros internos cometidos e dos males europeus, levados aqui em Portugal aos extremos.

Portugal é sempre o campeão dos extremos em quase tudo o que é mau na União Europeia. Talvez para dar nas vistas e se fazer notado, mas pelas piores razões.

A questão de fundo abordada por Tiago Caiado, era a causa do mal europeu e da cópia do seu modelo para quase todos os países que integram a União Europeia:

A aposta nos modelos económicos e sociais propostos pelo socialismo.Para ele e eu estou inteiramente de acordo, a causa da desagregação europeia e da sua debilidade económica e social reside exactamente nessa opção, aparentemente boa e prometendo o paraíso, a igualdade e a prosperidade para todos, como que retomando os dogmas da Revolução Francesa, mas conduzindo à debilidade económica, ao cavar das desigualdades sociais, e à desagregação do Estado Social, nos moldes em que ele foi concebido e construído.

É esta a face oculta do socialismo, aquela que não se vê, não se dá por ela, enquanto durar o dinheiro dos outros, como bem um dia afirmou Margaret Teatcher, antiga primeira-ministra do Reino Unido, mas que se começa a sentir na pele, quando o dinheiro dos outros começa a rarear e a acabar.
E esses outros, para que todos entendam, são as empresas, são os empresários empreendedores, que trabalham no duro para que as suas empresas gerem riqueza e são todos aqueles cidadãos que, querendo legitimamente prosperar e subir na vida, através do empenho esforçado na formação, qualificação e trabalho, quantas vezes árduo e difícil, conseguem atingir um patamar social e económico que lhe permite manter um nível de vida acima da média.

De facto, o chamado socialismo dito democrático, ideia lançada em Portugal pelo seu patrono ideológico, Sr. Mário Soares, pretende ser um meio termo, entre capitalismo puro ou regulado privado e comunismo (capitalismo de Estado).

Porque nem é uma coisa nem é outra, pretende atingir objectivos semelhantes aos do comunismo, mas pela dita via democrática,.

Ou seja, este conceito extremamente ambíguo de socialismo democrático, pretende, por via indirecta, isto é, deixando aparentemente aos cidadãos a livre iniciativa, o empreendedorismo económico e o esforço individual, para tentarem alcançar um nível de vida acima da média, mas no fim do processo, quando esses objectivos foram alcançados, o Estado extorque-lhes uma grande parte, ou mesmo a maior parte, do rendimento por eles gerado, com vista a atingir, por via da chamada redistribuição do rendimento, objectivos de igualdade e apoio social aos cidadãos, ditos «mais desfavorecidos».Ou seja, o Estado neste socialismo dito democrático, mas que na prática acaba por ser uma via indirecta de atingir objectivos próximos dos comunismos, desempenha o mero papel de saqueador dos agentes económicos e dos cidadãos, a chamada economia real, para entregar de mão beijada aos ditos desfavorecidos, uma grande parte deles, falsos desfavorecidos.

E falsos desfavorecidos, por via do golpe, do parasitismo, do oportunismo, do ócio por não quererem trabalhar, da inépcia de não quererem estudar e adquirir formação e qualificação e pelos rendimentos paralelos não declarados que auferem, em acumulação com os apoios sociais que auferem do Estado.É bem mais cómodo e agradável, como diz e bem, Tiago Caiado, viver no ócio e ir beber uns copos à cervejaria, do que ir trabalhar, e é ainda mais agradável saber que esses rendimentos foram extorquidos àqueles que trabalham no duro todos os dias.

Muitos ditos desfavorecidos
, vivem em boas casas de renda quase gratuita, recebem apoios sociais duplicados e triplicados, trabalham na economia paralela e ganham muito mais, do que o seu vizinho do mesmo prédio que, não sendo desfavorecido, tem de trabalhar arduamente todos os dias, e por isso mesmo, acaba por auferir um rendimento muito mais baixo do que o do seu vizinho considerado desfavorecido e que não faz nada de útil na vida.

O socialismo dito democrático é isto. Mas, é apenas uma das peças da sua tenebrosa face oculta.


Outra peça é sobejamente conhecida: os tachos, as mordomias e os privilégios dourados dos agentes, espalhados por todo o país, deste tipo de socialismo que, o «furo» de ser agente público desta original ideologia, pôde proporcionar para prosperar na vida e levar uma vida regalada à pala do paizinho Estado, que nunca falha com o pagamento dos ordenados destes privilegiados do regime.

E são muitos, muitos mais do que se pensa, os boys e as girls que viram este «furo» para subirem na vida. E subiram bastante bem, a avaliar pela exibição de riqueza que ostentam.

Quem paga tudo isto? Os mesmo de sempre!

A terceira peça da face oculta do socialismo democrático é o resultado final de tudo isto: desagregação do Sistema Económico e do Estado Social por via do saque e extorsão do Estado, para manter o sistema, aumento exponencial das desigualdades sociais, bancarrota, empobrecimento generalizado e miséria.Foi este o mal da Europa. Foi este o mal de Portugal.

A questão que se coloca a partir de agora é se o povo português quer continuar na rota do socialismo democrático que, com a trajectória que seguiu até aqui, vai desembocar no abismo ou se quer inverter a tendência e seguir outra trajectória.

Terá o povo português aprendido a lição?A resposta a esta pergunta é de prognóstico muito reservado.

Em meu entender receio bem que não.E a razão é muito simples: tendo em conta o perfil do nosso eleitorado e com metade do país habituada ao paternalismo do Estado e à subsídio dependência, não vai querer mudar.

Uma grande parte dos portugueses são avessos à mudança, não gostam de arriscar. Preferem o comodismo e a vida regalada que a subsídio-depedência pode proporcionar.

E os políticos profissionais, os boys e as girls, qualquer que seja o quadrante político, não vão desarmar e vão apostar em garantir a sua carreira.

Só que se esquecem duma coisa:

É que o socialismo só dura enquanto durar o dinheiro dos outros.

E o dinheiro dos outros está-se mesmo a acabar!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

sábado, 2 de julho de 2011

GRÉCIA: A MINHA ARMA É A MINHA ALMA


Tenho acompanhado com muita preocupação a evolução da situação na Grécia, não apenas pelo sofrimento por que o povo grego está a passar, mas também pela possibilidade de contágio dessa situação a Portugal e a outros países europeus, tornando ainda mais frágil esta União Europeia que não soube precaver-se a tempo das ameaças que já pairavam no horizonte há vários anos.

E não soube precaver-se por um lado, pela inépcia e imobilismo dos eurocratas que estão à frente dos destinos europeus e por outro, por via dos socialismos que, teimosamente, vingaram durante demasiado tempo, nos países do sul da Europa: Portugal, Espanha e a própria Grécia.

Outros socialismos europeus também ajudaram, como na Inglaterra, em França e na própria Alemanha. Mas estes países resistiram melhor, ao desvario despesista e incompetente socialista, porque tinham e têm economias mais sólidas.

Mas, mesmo assim, precisaram da ajuda dos partidos não socialistas do centro e centro-direita, para se recomporem.

Ao observar a revolta popular na Grécia, constato aquilo que já observámos nos outros países do sul (Portugal e Espanha): os revoltados são predominantemente jovens.

E, nessa observação, fiquei a pensar na resposta de uma jovem grega que, ao ser entrevistada por uma repórter portuguesa sobre que «armas vão utilizar a partir de agora, para contestar a situação» ela respondeu de imediato:

- «A MINHA ARMA É A MINHA ALMA»

Esta frase diz tudo, sobre o sentimento de revolta, de decepção, de indignação e de desespero que vai na alma dos jovens gregos que, tal como cá e tal como Espanha e talvez em outros países europeus, não encontram explicação para uma situação de que são alheios, mas que de que irão ser as principais vítimas.

E vão ser as principais vítimas pela mão de uma geração egoísta, oportunista e imobilista, que só pensou em si própria, que só cuidou dos seus interesses imediatos e não pensou em planear e assegurar o futuro dos seus filhos.

Geração que acreditou e apostou, durante demasiado tempo, em modelos económicos e sociais ultrapassados, que não têm capacidade de gerar riqueza, que o mesmo é dize,r que não têm capacidade de arquitectar uma economia sólida capaz de criar poupança e portanto capacidade de investimento e de criação de emprego.

Antes pelo contrário, os sistemas em que esta geração apostou, enveredaram pela expansão de um Estado despesista gigantesco, para dar emprego, tachos e mordomias aos amigos do partido e que, pela voracidade em sacar receitas do sistema económico privado, para manter esse despesismo estatal incontrolado, acabaram por asfixiar o próprio sistema económico de tal forma que este acabou por soçobrar e ficar incapacitado de gerar riqueza que permitisse o investimento e com ele a capacidade de emprego.

O próprio Estado, como aliás sempre tenho afirmado nos artigos que escrevo, acabou, ele próprio por soçobrar, perante a sua incapacidade de saque sobre o sistema económico privado, consequência do definhar deste.

O próprio Estado Social, tão apregoado pelos socialistas, qual paraíso em que os velhos andam com bengalas de chocolate, também acabou por ser posto em causa, pelas mesmas razões.

Se acrescentarmos a tudo isto as estratégias do marketing eleitoral, demagógico e enganador, que os socialistas utilizaram para chegar ao poder, a incompetência, a inépcia, o oportunismo e as políticas suicidas de endividamento desmesurado, que seguiram para tentar iludir as populações de que o sistema era bom e o paraíso era possível e para os investimentos nas obras de regime, recorrendo a parcerias público-privadas, temos a mistura explosiva que provocou a hecatombe.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

APELO À ESQUERDA PORTUGUESA: SE ASSUSTAM A DIREIRA NUNCA HAVERÁ ESQUERDA!A SOLUÇÃO ESTÁ NO CENTRO SOCIAL FLEXÍVEL

Embora pessoalmente não concorde com a dicotomia esquerda e direita e sobretudo com as conotações enviesadas que lhes estão associadas, gostaria de analisar este tema, usando esta equação redutora.

Se a esquerda pretende representar o trabalho e a direita o capital, temos reunidas as duas variáveis básicas daquilo que em Micro Economia se chama uma Função de Produção.

De facto, o trabalho e o capital são os dois ingredientes básicos necessários para se produzir bens e serviços, com valor económico e, recuando um bom bocado no tempo, aos tempos de Marx e Engels, podemos associar esta relação entre o capital e o trabalho àquilo a que aqueles autores chamavam de «Relações de Produção».

Uma relação de produção não é mais do que a junção de capital (dinheiro investido em bens produtivos) e trabalho (mão de obra para trabalhar) e , de uma forma simplista, é desta relação de entendimento entre estes dois domínios, que resultam os bens e serviços com os quais satisfazemos as nossas necessidades.

E, obviamente, se esta relação funcionar mal, temos comprometida a satisfação das nossas necessidades e com ela toda a nossa arquitectura de vida.

Por isso já Marx e Engels, associavam ao sucesso desta relação, a própria arquitectura da sociedade, isto é, à forma como nos associamos, vivemos, planeamos a nossa carreira e até certo ponto a construção da nossa felicidade individual ou colectiva.

O que de facto é fundamental é que, nas sociedades modernas, será sempre necessária a intervenção destes dois elementos e, para que haja progresso, desenvolvimento e prosperidade, esta relação tem de estar muito bem afinada e haver um clima de bom entendimento.

Se houver um desequilíbrio para qualquer dos lados, a relação está comprometida e tudo pode ser posto em causa.

Explicando, também de uma forma simplista:

- Se a esquerda, representando os trabalhadores, complicar a vida à direita, representada pelos empresários e investidores, bloqueando a sua acção e reivindicando para si, a maior parte do rendimento gerado, de tal forma que, juntamente com o quinhão destinado ao Estado (sob a forma de impostos e contribuições sociais para benefício dos trabalhadores), a relação fica desequilibrada em favor de uma das partes (neste caso os trabalhadores) e com o passar do tempo, se a situação persistir, a parte prejudicada (no exemplo o empresário) fica impossibilitada de gerar poupança, impedindo o seu reinvestimento reprodutivo e o crescimento.

Numa situação limite, este cenário pode ocasionar a descapitalização progressiva da empresa, o seu definhar e a falência.

- Se a direita, representando o empresário e investidor, complicar a vida à esquerda, representada pelos trabalhadores, reivindicar para si o maior parte do quinhão do rendimento gerado, e ainda se não o reinvestir, é obvio que estamos perante um caso de flagrante injustiça e até de exploração do homem pelo homem.

Estes dois exemplos muito simples mostram aquilo que é óbvio, isto é, se não houver equilíbrio e justiça no funcionamento desta relação de produção, tudo pode estar comprometido e, no conjunto de uma sociedade, o crescimento económico e o desenvolvimento dessa sociedade.

Chegámos assim, ao ponto fulcral:

A esquerda reivindicativa tudo tem feito, através de Sindicatos, Corporações e Partidos, para chamar a si uma boa parte dos rendimentos gerados pelas empresas e, protegidos por uma Constituição desequilibrada apenas em seu favor, têm-no de certo modo conseguido.

E essas conquistas do Abril revolucionário, passaram a se conhecidas nos anais da nossa história como « Direitos Adquiridos» e por isso ainda se proclama o slogan abrilista «25 de Abril Sempre!» pelos grandes beneficiados do Regime.

Por outro lado o próprio Estado, também protegido pela Constituição, igualmente desequilibrada em seu favor, tudo tem feito para, através de impostos e contribuições sociais , também em geral em favor dos trabalhadores (protecção no desemprego, reforma, saúde, etc. ) e para permitir a sua expansão desmesurada, chamar a si, outro bom quinhão dos rendimentos gerados pelas empresas.

Numa economia débil como a nossa, esta pressão permanente da esquerda e do Estado, numa concepção ideológica igualmente de esquerda, sobre a direita, teve como resultado final a completa descapitalização das Pequenas e Médias Empresas de tal forma que, centenas de milhares foram à falência, gerando uma taxa de desemprego como há muito tempo não acontecia em Portugal e que, em trabalhadores desempregados, oficialmente quantificado,s já ronda os 750.000.

Mas certamente serão muitos mais, se contarmos os não oficialmente contabilizados. O total de desempregados já deve andar perto de um milhão.

Ou seja, o Feitiço virou-se contra o Feiticeiro!

Quisemos ser mais papistas que o Papa!

Em termos de empresas, desde que Sócrates tomou o poder, cerca de 250.000 PME´s foram à falência e desapareceram do mercado.

E com toda a legitimidade perguntamos: não teria sido preferível a moderação, o equilíbrio e o realismo, tentando perceber o que está em causa numa relação de produção?

Algo está de facto errado no nosso país! Como foi possível tudo isto acontecer? Como foi possível chegarmos a isto?

Parte da explicação está descrita atrás.
Mas há infelizmente mais, muito mais que, se tivesse a veleidade de o descrever aqui, nunca mais acabaria esta reflexão.

O que penso sobre tudo isto é que, este sistema económico e social em que vivemos, que não é capitalismo nem comunismo, que aposta na descapitalização das empresas e servindo-se dos empresários como meros instrumentos e marionetas duma gestão e intervenção públicas, como não há memória, conduziu-nos de FMI em FMI e de PEC em PEC, praticamente à bancarrota.

De facto este sistema original não é nada. É algo indefinido que não é carne nem é peixe.

É preciso de uma vez por todas, clarificar o sistema. Para que possamos começar a trabalhar conhecendo as regras do jogo e com o que podemos contar.

Com um novo governo eleito, com uma visão muito diferente da sociedade, do que o que o antecedeu, não percamos esta oportunidade única de MUDAR, de mudar de paradigma, de abandonar de vez, as velhas ideias, de poder respirar as fresco no futuro e de ambicionarmos a ser verdadeiramente livres da tutela de um Estado todo poderoso, que controla tudo e todos, usando e abusando do poder.

A esquerda portuguesa tem de perceber, tem de compreender que não é o Estado-tutela que cria riqueza, são as empresas!

E só estas poderão contribuir para a melhoria do nível de vida dos trabalhadores, de nós todos.

A esquerda portuguesa tem de perceber que é preciso dar oportunidade às empresas para criarem riqueza e entender, de uma vez por todas, que não se pode distribuir riqueza onde ela não existe. Este foi um dos erros em que incorreu.

A tal Relação de Produção de que falei atrás, tem de estar equilibrada entre as partes envolvidas (a esquerda e a direita), pois só assim poderá ter condições para criar a tal riqueza que permite o crescimento económico do país e com ele o seu desenvolvimento e a prosperidade de todos nós.

Riqueza distribuída com justiça, racionalidade e equilíbrio, entenda-se.

Não se trata de apostar em Neo-liberalismos, chavão e papão, que os mesmos de sempre e que contribuíram para a destruição do país, estão agora a agitar com grande veemência e preocupação, ainda nem sequer o Governo tomou posse, parecendo desejar a queda definitiva no abismo.

Calem-se de vez com esses papões! Não é disso que se trata. Trata-se de salvar o país e retirá-lo da trajectória do abismo.

Que soluções alternativas propõem? Comunismo? Marxismo-Leninismo? Trotskismo?
Isso, porventura, é solução para o nosso país?

Aproveitemos, sim, com realismo e pragmatismo, de uma vez por todas esta oportunidade única ! DEIXEM O NOVO GOVERNO TRABALHAR!

NÃO LHE COMPLIQUEM A VIDA, PORQUE MAIS DO QUE COMPLICADA JÁ ELA ESTÁ!

PARA ELES, E PARA TODOS NÓS.

Se puderem ajudem o Governo, mas se nada puderem fazer ao menos NÃO LHE COMLIQUEM A VIDA E AS TAREFAS CICLÓPICAS QUE TÊM PELA FRENTE!