segunda-feira, 5 de setembro de 2011

É URGENTE O EMAGRECIMENTO E A REESTRUTURAÇÃO DO ESTADO: combater apenas os efeitos sem atacar as causas só agrava a situação do doente

Todos entendemos que em três meses de governo já se fizeram mais coisas do que em seis anos de governação socialista. E por isso não se podem exigir milagres.

Também entendemos que, devido ao doente (Portugal) estar hospitalizado nos cuidados intensivos devido uma doença extremamente grave, que está a por em risco a sua sobrevivência, se têm de administrar tratamentos de urgência que combatam no imediato, os efeitos da grave doença de que foi acometido.

Mas, já é altura de, dando o doente sinais de alguma melhoria dos sintomas, se começar a pensar na cura, atacando eficazmente as causas desta grave doença.

Ou seja se, como está a fazer o governo, apenas insiste em combater os efeitos da doença, atacando o problema apenas do lado da receita, como se se insistisse em administrar aspirinas a um doente com tuberculose, apenas para ir reduzindo a febre, estamos a agravar cada vez mais a situação do doente.

Quase todas as medidas até agora tomadas para reduzir a défice orçamental, são recessivas, ou seja, não ajudam a melhorar a situação da economia portuguesa, antes pelo contrário, fazem diminuir cada vez mais o Produto Interno Bruto (PIB).

Se não houver compensação por aumento das exportações, que não está garantido, a situação tende a piorar e a agravar-se cada vez mais.

E corre-se o risco de os aumentos de impostos sobre os cidadãos e sobre as empresas, ter um efeito neutro sobre a recuperação do défice, e não servirem para nada, a não ser para tapar buracos, obrigando a mais impostos e entrando-se num círculo vicioso que já se está a tornar perigoso, pois já estamos, no meu entender, para além dos limites máximos admissíveis para a sustentabilidade do país.

A voz avisada e esclarecida de Manuela Ferreira Leite, e outros economistas, partilham desta opinião e não se cansam de alertar o governo para esse perigo.

É por isso extremamente urgente atacar as causas da doença, de contrário a situação do doente terá tendência a agravar-se e poderá mesmo não ter cura.

E atacar as causas é atacar as origens próximas e remotas que provocaram toda esta situação, ou seja o crescimento desmesurado e incontrolável do Estado, por via do despesismo da administração central, autárquica, sector empresarial do Estado, incluindo empresas autárquicas e todos os outros satélites que gravitam à volta disto e foram criados, não para satisfazerem necessidades efectivas dos cidadãos, mas para se arranjarem tachos para colocar os boys e as girls partidários.

Isto tem de acabar quanto antes!

Se o não fizermos estaremos provavelmente condenados a uma bancarrota, tão grave ou pior do que a da Grécia cuja situação, como sabemos, está completamente fora de controlo.

Em meu entender e partindo do pressuposto, como seria normal, que os membros deste governo, principalmente os mais próximos de Pedro Coelho, antes da previsível chegada ao governo, tinham  pensado e planeado minimamente as medidas a tomar para atacar as causas deste grave problema, em três meses de governação já era tempo de se apresentar um plano estratégico ao país,  definindo nem que fosse apenas as grandes linhas de acção para atacar o problema do lado da despesa e as grandes linhas gerais da reestruturação do Estado.

E a apresentação deste plano ao país, tinha ainda a vantagem de dar alguma tranquilidade aos cidadãos, fazendo-lhes crer que os grandes sacrifícios que lhes estão a ser pedidos, tinham uma contrapartida que se traduzia na recuperação do país e da melhoria progressiva da situação do todos nós, dentro de alguns anos.

Em meu entender, esse plano devia implementar desde já medidas imediatas que fizessem contrair a despesa, atacando o despesismo nos consumos correntes do Estado e reduzindo para metade os encargos com gestores e quadros intermédios de empresas públicas, fundações, institutos, direcções, e toda a espécie de organismos criados artificialmente.

Numa segunda fase, cumprir-se o que foi prometido na campanha eleitoral, ou seja reduzir o número de Câmaras Municipais (cujo número é notoriamente excessivo para dimensão do país), freguesias, empresas municipais com extinção, desde já,  das que, dessem prejuízos e todos os institutos, fundações etc, desnecessários.

Outra medida imediata que, poderia contribuir para a contenção dos prejuízos astronómicos nalgumas empresas públicas e até se solucionar este problema em definitivo, era substituir todos os Conselhos de Administração das empresas que apresentassem prejuízos. Era a sanção mínima que deveria ser aplicada.

Apenas um exemplo flagrante:

- Faz algum sentido pagar ao administrdaor da TAP, um vencimento de  largas dezenas  de milhares de euros por mês (pode ascender a € 735.000, quase um milhão  ano), acrescidos de outras compensações  e a companhia apresentar um prejuízo de quase 500 milhões de euros e aceitar-se a mesma desculpa já gasta e esfarrapada desse senhor, de que os prejuízos resultaram apenas do aumento dos combustíveis?

Será isto admissível? Porquê a demora na redução do seu vencimento, ou mesmo o seu afastamento?

O governo tem de interiorizar desde já, que estamos numa situação extremamente grave e excepcional, para a qual não se pode ter mais contemplações em tomar medidas drásticas, diria mesmo revolucionárias, para erradicar de vez as causas da grave situação a que chegámos.

Doa a quem doer!

Os grandes responsáveis e contemplados pelo regime, que beneficiaram durante muitos anos desta situação, têm de interiorizar e mentalizar-se que têm mesmo de ir embora, sem contemplações, rapidamente!

Não podem continuar nos seus tronos dourados a auferir ordenados milionários a gerir empresas públicas falidas, cujos prejuízos já estão a ser pagos por todos nós, principalmente pela classe média, o grande sustentáculo de qualquer país.

Esses senhores têm de perceber que não têm o direito de pôr de rastos todo um povo, muito dele já a passar fome, a ser apoiado pelas misericórdias ou a ter recorrer às hortas sociais, que têm de cultivar e trabalhar para poderem sobreviver.

Esses senhores, com a sua teimosia obstinada, muitos deles poderosos lobies, não têm o direito de pôr o país à beira da explosão social.

 E a avaliar pelas intervenções de alguns lideres políticos da esquerda, sindicais, religiosos e de muitos comentadores e analistas sociais, já estamos muito perto disto. Pouco falta para pegar fogo ao rastilho. É preciso que o governo esteja atento à situação social em que o país se encontra.

E que a paciência deste país dito de «brandos costumes» não pode suportar tudo. É preciso olhar para isto. Tudo tem limites.

O governo tem de apresentar ao país quanto antes o tão esperado plano estratégico de reestruturação do Estado e satélites e redução drástica da sua dimensão.

Não se está a atacar a causa de quase todos os males.

Medidas recessivas só geram recessão. Para que o país e a economia respirem e comecem a investir e a criar riqueza é preciso rapidamente pôr em prática um choque fiscal e contributivo que diminua substancialmente o esforço fiscal das empresas e dos cidadãos.

Isto só é possível com a reestruturação completa do Estado, a diminuição substancial da sua dimensão e com ela uma diminuição significativa da despesa global.

Infelizmente para todos os nós a dívida soberana do país atingiu níveis astronómicos e condiciona muito a diminuição da despesa, mas há margem suficiente para, por via do choque fiscal, só possível com a diminuição do Estado, criar condições para as empresas progressivamente retomarem os investimentos, criarem emprego e até ajudarem à estabilização da Banca e a partir daí retomar-se a concessão de crédito.

A situação actual é de completo sufoco e emergência e como diz o povo, para grandes males grandes remédios.

É preciso actuar já!
Não se pode perder mais tempo com paliativos!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

EUA: A CURTA EXPERIÊNCIA SOCIALISTA, O «TEA PARTY» E A II REVOLUÇÃO AMERICANA

Na pátria do país da liberdade e da maior democracia do mundo, soaram os sinais de alarme!

Obama tentou e iniciou uma das poucas experiências socialistas da história dos Estados Unidos da América do Norte, ao introduzir no país alguns paradigmas de referência deste modelo económico e social.

De facto, ao incrementar a dimensão do Estado, ao aumentar o nível de intervenção e de regulação do Estado na economia, ao ensaiar uma espécie de estado social embrionário, de génese pública, ao aumentar os impostos, para além de intervenção no sistema de educação e propor um Sistema Nacional de Saúde, este homem vindo do Partido Democrata, está a dar os primeiros passos de introdução do modelo socialista, que tão maus resultados deu na Europa e noutras partes do mundo.

Para uma grande parte dos americanos, esta curta experiência de intervencionismo e excessiva regulação da economia pelo Estado e de aumento da sua dimensão, representa a completa negação do que foi o Sonho Americano, baseado em princípios de liberdade, de livre iniciativa, de economia de mercado e de plena democracia.

Para uma grande parte dos americanos que se identificam com o Sonho Americano dos pioneiros que fizeram daquelas terras da América do Norte a maior democracia e potência económica do mundo, a curta experiência socialista de Obama que, para além de ter dado início à introdução dos primeiros paradigmas deste modelo, introduziu uma sistema de propaganda e de controlo de parte dos media e das organizações corporativas, que está a intoxicar a opinião pública, com informação manipulada e enviesada, constitui a negação da essência e dos fundamentos da democracia.

Uma democracia manipulada, não é uma verdadeira democracia, é um verdadeiro embuste, dizem.

Tal como cá, o modelo socialista vive da propaganda e da manipulação da opinião pública através do controlo dos media e das organizações corporativas (sindicatos, associações profissionais, etc.).

E mais uma vez, prometendo o paraíso para todos, sem ter em conta que é necessária uma sólida estrutura económica com bons níveis de crescimento, Obama incorreu neste erro que lhe pode sair caro em 02 de Novembro de 2012 e não ser reeleito.

Não só o modelo socialista não se encaixa na cultura da maioria dos americanos, como este ensaio de apenas três ou quatro anos, já está a sair caro ao país, como aconteceu a grande parte das democracias europeias.

Ou seja, já se fala em crescimento desmesurado do Estado, em despesismo desmesurado do Estado por via da sua expansão e crescimento, em aumento excessivo do défice orçamental, em asfixia das empresas e do sistema económico e em aumento para níveis astronómicos da dívida soberana americana, que continua aumentar para evitar que o país entre em incumprimento das suas obrigações correntes, ou seja, está-se a assistir ao desmoronar da economia, até agora, mais poderosa do mundo.

É óbvio que, a situação preocupante em que se encontra a economia americana, que pode afectar todo o mundo, não se deve apenas a este ensaio de experiência socialista, que durou ainda pouco tempo, mas a muitos outros factores e que também estão na base das crises políticas, económicas e sociais da Europa e um pouco por todo o mundo.

Mas, pelo que conhecemos da experiência vivida aqui na Europa dos modelos socialistas, a sua introdução na América, certamente que está a contribuir para isso.

A situação existente nos EUA está de tal forma a preocupar os americanos que já começaram a soar os sinais de alarme, com o aparecimento de um novo movimento social e político, conhecido como «Tea Party», que está a mobilizar a opinião pública americana e já a falar da necessidade de uma II Revolução Americana.

Apenas a título de esclarecimento, o Tea Party, ou Partido do Chá, nasceu em 2009, é um movimento de extrema-direita de cariz populista.

Tem origem no Boston Tea Party de 1773, ou Manifesto do Chá de 1773, uma acção directa dos colonos americanos de Boston, contra o Governo Britânico e a Companhia das índias Ocidentais, que detinha o monopólio do chá que entrava nas colónias. Nesta acção, todo o chá a bordo dos navios acostados ao porto de Boston, foi atirada ao mar.

Voltando ao tema, os sinais que vêm do lado de lá do Atlântico são motivo de preocupação para a Europa e para o resto do mundo.

Parece começar a desenhar-se alguma agitação e preocupação na sociedade americana.

Os americanos nem querem ouvir falar de socialismo, não só porque para eles a liberdade, a livre iniciativa e a autêntica democracia são valores sagrados e que inspiraram o grande Sonho Americano, como as experiências europeias e noutras partes do mundo, deram muito maus resultados sob o seu ponto de vista e não quereriam ver postos em causa, os grandes valores que inspiraram o nascimento da nação americana

Uma coisa é certa.

A crise está instalada na sociedade e economia americanas, por causas endógenas e por causas exógenas e os desequilíbrios que daí podem resultar a nível global podem afectar todos nós.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O INFERNO DE LONDRES: EXCLUSÃO SOCIAL, DESINTEGRAÇÃO SOCIAL OU AUTO-EXCLUSÃO?


Desde há muito que os arautos do dogma do «politicamente correcto», conotados com uma certa esquerda, nos vêm habituando, por lavagens sucessivas ao cérebro feitas através dos media que sempre controlaram e controlam, à ideia de que a marginalização e a desintegração social de grande parte dos imigrantes, oriundos das antigas colónias, da Europa de leste e de outras partes do mundo, são fruto de um processo de exclusão social por parte dos cidadãos autóctones ou do Estado que os acolheu.

Mais uma vez, no inferno de Londres, que por via do vandalismo, pilhagem generalizada e incêndios gigantescos provocados por fogo posto, e que causou centenas de milhões de euros de prejuízos ao povo britânico, o comportamento anacrónico e marginal destes imigrantes ou seus descendentes foi justificado, como sempre, com a exclusão social.

É preciso desmontar este mito! Não o desmontar e ignorar o problema pode, no futuro, sair muito caro à Europa.

Não há nenhuma exclusão social.

A exclusão social, no sentido do politicamente correcto que existe na mente de muitos dirigentes europeus e dos seus arautos, pressupõe que as populações autóctones (leia-se originárias historicamente do país anfitrião por descendência de sangue directa), discriminam, perseguem e afastam da ascendência e convivência sociais, estes imigrantes e seus descendentes e que os Estados que os acolheram não lhes proporcionaram, nem proporcionam, protecção social em pé de igualdade com todos os outros cidadãos.

O que se sabe é que os Estados europeus criaram todas as condições para a integração destes imigrantes, desde logo proporcionar-lhes educação, formação, apoio social subsidiado e outro, casas sociais de renda muito económica, a que a esmagadora maioria dos autóctones não tem acesso, protecção na justiça e outros direitos de protecção iguais ou melhores do que os concedidos aos cidadãos autóctones e muitas outras regalias.

Foram criadas leis anti- segregação, anti-discriminação e outras, para os protegerem.

Estes imigrantes e seus descendentes não se podem, portanto, queixar de falta de apoio para se integrarem completamente na sociedade em pé de igualdade com todos os outros cidadãos.

Ninguém os excluiu nem exclui.

A questão é que, na maior parte dos casos são eles próprios que se excluem, são eles próprios que, por questões de desenraizamento familiar, por os respectivos pais e familiares directos não lhes proporcionarem formação e educação em casa, por não acompanharem e exigirem a sua ligação permanente à escola, para poderem terminar os cursos com aproveitamento e a partir daí permitir o emprego no mercado de trabalho e a ascensão social.

Em grande parte dos casos os pais não têm sequer capacidade para os educarem e formarem normalmente e eles próprios não dão o exemplo.

A frequência da escola é rapidamente abandonada, às primeiras dificuldades, por causas muito diversas: a dita falta de apoio dos pais, o desinteresse natural pelo trabalho escolar de muitos deles, as más influências do exterior aliciando-os à marginalidade, situações bem mais cómodas.

Perante este cenário, a escola não pode fazer milagres. Não havendo aproveitamento escolar, não havendo interesse da parte destes alunos na formação e educação que a escola lhes podia proporcionar, suprindo em parte o défice de educação e formação familiares, estes alunos descendentes de imigrantes ficam entregues à sua sorte.

Ou seja, sem educação não conhecem as regras de um comportamento social normal e sem formação e sem aproveitamento escolar, não conseguem emprego nem ascensão social que este poderia proporcionar.

A única saída é a marginalidade e daí a sensação aparente de exclusão e desintegração sociais.

Se juntarmos a tudo isto a intolerância cultural e os traumas coloniais da parte destes cidadãos em relação aos autóctones, bem mais tolerantes, embora obviamente com excepções, e à pobreza resultante da situação de marginalidade, temos a mistura explosiva, que tem originado estas tensões sociais e ao aparecimento, cada vez mais frequente destes fenómenos, um pouco por toda a Europa e de que o reino Unido foi o último exemplo dramático.

O fenómeno não é, portanto causado pela exclusão por parte dos cidadãos autóctones ou por parte do Estado, mas sim pela auto-exclusão e desintegração social deles próprios.

Não havendo exclusão social, na esmagadora maioria dos casos, subsiste a questão de fundo.

E a questão de fundo é que algo está errado com estas camadas sociais que, não conseguindo integrar-se na sociedade que os acolheu, dedicando-se à marginalidade, ao crime e à destruição, estão a constitui um pesado encargo para aqueles que lhes deram uma oportunidade de vida.

Pesado encargo desde logo com o esforço contributivo que todos têm de suportar para os manter (leia-se apoio social subsidiado e outros apoios) e pesado encargo resultante do vandalismo destruidor a que, ao mínimo pretexto, dão largas à imaginação e por se sentirem completamente impunes, protegidos pelo poder político.

E interrogamo-nos como, perante este cenário com contornos dantescos, o poder político e as autoridades locais, se comportam com toda a complacência e tolerância, sem olhar aos prejuízos gigantescos provocados à sociedade autóctone e que generosamente os acolheu.

Como foi possível chegarmos a este limite extremo que, a longo prazo, terá tendência a agravar-se e que constitui já hoje um autêntico barril de pólvora de que a chacina do exterminador de Oslo é apenas o mais recente e trágico exemplo?

O extermínio de Oslo dirigido cirurgicamente aos cérebros dos que adoptaram e implementaram a utopia ideológica destas políticas extremas, é um sério e preocupante aviso do que poderemos ter de enfrentar, num futuro mais ou menos distante ou mais ou menos próximo, ou seja, graves conflitos sociais por toda a Europa, de consequências imprevisíveis.

Por outras palavras, podemos ter de enfrentar a guerra civil de origem étnica.

O extermínio de Oslo, não sendo, como tudo indica, um acto isolado, é a prova provada do estado de tensão social em que se encontram actualmente as sociedades europeias que, umas mais outras menos, adoptaram estas políticas de imigração em massa de que resultou a marginalidade, o crime e a destruição por parte de grande parte destes imigrantes ou seus descendentes, por via da desintegração social e da auto-exclusão, apesar de lhes oferecerem todas as condições para se inserirem na sociedade.

O extermínio de Oslo é um sério alerta de que algo vai muito mal na Europa com estas políticas extremas e as sociedades autóctones a dar preocupantes sinais de grande tensão e que não estão dispostas a suportar por mais tempo os enormes sacrifícios e prejuízos impostos por esta situação, com a complacência dos poderes políticos.

As populações europeias estão a dar sinais de que não querem continuar por mais tempo a servir de «carne para canhão» de políticas que, em última análise, visam proteger os interesses económicos instalados nas antigas colónias, ou seja, de tudo permitir aos imigrantes oriundos dessas regiões com o objectivo de não hostilizar o poder político lá instalado, extremamente sensível a qualquer indício de hostilização aos seus compatriotas, devido aos traumas da colonização europeia e que seria pretexto suficiente para, de um dia para o outro, correr com todas as empresas e cidadãos das antigas potências colonizadoras, lá instalados.

A Europa colonial está, portanto, num equilíbrio muito instável, pois se por um lado não pode nem deve pôr em causa os seus interesses económicos nas antigas colónias, por outro, não pode manter por mais tempo a impunidade das camadas sociais desintegradas e auto-excluídas da sociedade, resultante dos fluxos migratórios descontrolados, provenientes dessas regiões.

Tem de ser encontrada rapidamente uma solução, sob pena de toda a Europa se transformar num barril de pólvora e para isso basta uma simples faísca para incendiar o rastilho.

A reacção das populações autóctones, ajudadas por militantes da extrema-direita inglesa, para defenderem os seus haveres da onda de vandalismo destruidor que transformou Londres num inferno, foi apenas um ensaio do que pode acontecer num futuro próximo, ou seja, já estão dispostas a sair à rua e a organizar a sua defesa, perante a inépcia do poder político e a consequente complacência das autoridades policiais.

Estas coisas têm de ser ditas com objectividade, sem rodeios e forçando a barreira do politicamente correcto, pois iludir o problema e fingir que ele não existe, corremos o risco de, toda a Europa ser confrontada, mais tarde ou mais cedo, com um conflito social de origem étnica de proporções inimagináveis, por não termos prevenido as situações e por termos caído em extremos que, como sempre, só a extremos pode conduzir.

A Europa que já sofreu na pele o flagelo de duas grandes guerras, a última das quais sob o protagonismo de Hitler e o consequente genocídio dos judeus, parece que tem a memória curta e já se esqueceu das causas daquele genocídio e, os judeus, nem de perto nem de longe, se comportavam como se comportam as actuais gerações de imigrantes.

A diferença é que os primeiros não estavam protegidos pelo poder político, eram pessoas trabalhadoras e estavam completamente integradas na sociedade alemã. E mesmo assim, foram perseguidos e exterminados.

A Europa tem de acordar de vez e encarar de frente este problema, caso contrário arrisca-se a novo conflito, potenciado actualmente, pela grave crise económica e financeira internacional, sem precedentes desde 1929 e não se pode esquecer de que os grandes conflitos que já sofreu, também tiveram causas coloniais.

sábado, 30 de julho de 2011

UNIÃO EUROPEIA: BOA OU MÁ OPÇÃO PARA PORTUGAL

O sonho de uma Europa Unida e de um Império Europeu alargado, já vem de longe.

Uns usando a via da força, como Napoleão sonhando com impérios de hegemonia francesa, outros como Guilherme II e Hitler, com o argumento do darwinismo social, sob a égide alemã e outros ainda, depois do colapso europeu do pós 2ª guerra mundial, propondo a via pacífica, primeiro económica e social e depois semi-federativa, com moeda comum, estado em que estamos.

Perante os acontecimentos dos últimos anos e em particular deste último, tudo parece desagregar-se e traídos os sonhos de Konrad, Delors e outros que, desde os anos cinquenta do século passado, acreditaram que o sonho europeu era possível, por via do entendimento e do diálogo entre os povos europeus.

Os seus continuadores assim acreditaram e envolveram no sonho um número cada vez maior de estados europeus. Hoje já somos vinte e sete e pelo menos mais quatro candidatos.

Uma miscelânea de países, entre os quais um número significativo de economias débeis e mal preparadas para integrarem uma união de moeda forte e comandada por um directório de países ricos e de economias igualmente fortes.

Alguns, como a Grécia, camuflaram e fizeram iludir essas debilidades e hoje, estão a pagar bem caro a ânsia e a ousadia de participarem no clube europeu.

Outros, como Portugal, embora satisfazendo os requisitos mínimos, fizeram-se à frente, embora também com muitas fragilidades. De facto, em 1986, não estávamos ainda preparados e vivíamos ainda a ressaca da segunda vinda do FMI ao nosso país, depois do colapso financeiro do governo de Mário Soares.

Mas, perante o desagregar do império colonial, após uma penosa descolonização, que deixou ressentimentos nos colonizados, também poucas alternativas nos restavam.

Um das moedas mais fortes do mundo, o euro, não é compatível com economias débeis, como a nossa, porque não são competitivas, não têm grande capacidade para exportar tecnologias de ponta e inovadoras, vendidas ao exterior a peso de ouro, pelas grandes potências económicas.

A moeda forte só favorece as importações, mas prejudica bastante as exportações, para as economias frágeis, como a nossa, numa economia globalizada. Por isso e não só, a nossa Balança Comercial é altamente deficitária.

Os nosso parceiros europeus, aparentemente generosos, deram-nos uma grande ajuda com os biliões de euros em fundos de coesão, coesão com o objectivo de os aproveitarmos para nos desenvolvermos e nos aproximarmo-nos deles.

Não só a ajuda não foi aproveitada, predominando o oportunismo, a corrupção, as piscinas, os palácios, as mansões e os carros de luxo topo de gama, onde grande parte foi aplicada, como a ajuda europeia não foi assim tão generosa, como os factos vieram demonstrar.

De facto, para além da má aplicação que fizemos desses fundos, caímos que nem «patinhos» na cilada que os nossos parceiros do norte do clube europeu, com relevo para a Alemanha e França, nos prepararam, qual casca de banana em que todos escorregámos e como que desenterrando as teses darwinistas do domínio das grandes potências sobre as mais pequenas e fracas.

Estes factos, por si só, já explicam uma grande parte da tragédia que se abateu sobre nós.

A outra parte explica-se pelo sono profundo que o sedativo europeu nos provocou, optando claramente pelo doce saborear desse sono à sombra das bananeiras portuguesas.

Sono dos políticos, sono do regime e do sistemas em que temos vivido! E também sono de grande parte de nós!

E agora, de repente, acordámos e em pânico, vemo-nos colocados à beira de um precipício, bastando um leve empurrão para nos precipitarmos no abismo.

E interrogamo-nos, meio despertos deste sono letárgico, como foi isto possível?

A questão dos fundos já é sobejamente conhecida, rios de tinta se têm gasto a falar desse assunto. Já não vale a pena falar nisso.

Mas convém determo-nos um pouco sobre a «casca de banana» em que escorregámos e habilmente preparada pelos nossos «amigos» europeus, sob o directório franco- alemão.

Trata-se de uma estratégia congeminada por este directório, de unificação europeia, mas com domínio dos países, ditos mais fracos, do sul da Europa, não por via militar, mas pela via económica.

Uma estratégia bem simples:

- Complementar com os fundos comunitários de ajuda que, só por si, já nos alienaram bastante, um pacote de exigências de redução da nossa produção agrícola e de redução das nossa quotas pesqueiras nas águas nacionais e internacionais e abate de uma grande parte da nossa frota pesqueira, tudo isto em troca da oferta de compensações financeiras aos agricultores, pescadores e armadores.

Nós que, desde sempre, nos habituámos a compensar o défice de produção nacional, com fundos vindos do exterior, desde o ouro do Brasil até às remessas dos emigrantes, vimos nisto um verdadeiro maná.

Ganhar bom dinheiro sem trabalhar, isto é do melhor!

Para muitos agricultores e pescadores poderá ter sido um bom negócio, mas foi um péssimo negócio para o país.

País que, tendo tradicionalmente vivido muito da agricultura e das pescas, evitando muitas importações de produtos provenientes destes sectores económicos, de repente fica privado de uma grande parte desta produção, ficando, a partir daí na quase completa dependência da importação de produtos alimentares e de peixe, grande parte deles proveniente dos países europeus que congeminaram esta estratégia.

Ou seja, esta estratégia muito simples, gizada pelos países do norte europeu, visou criar no sul da Europa onde predominam as economias mais frágeis (Portugal, Espanha, Grécia, Chipre) um extenso mercado de exportação de produtos agrícolas e agro-industriais e para outros produtos de que ficámos privados pela amputação de grande parte daqueles sectores.

Deixámos assim, de ser quase auto-suficientes em produtos agrícolas, agro-industriais , de peixe e produtos da indústria pesqueira, dependendo da importação de aproximadamente 70% a 80% deste produtos base essencial da alimentação da população do país.

As consequências financeiras para o país foram desastrosas.

A falta de produção nacional deste produtos e de produção alternativa de bens e serviços exportáveis que pudessem compensar este défice de produção, foi uma das causas do grande endividamento externo a que fomos obrigados, pois que as importações têm de ser pagas ao exterior e a Balança Comercial sendo deficitária, forçou ao endividamento.

Mais uma vez fomos atrás do canto da sereia e ficámos encantados.

Mas a culpa não a podemos imputar aos agricultores e aos pescadores. Estes apenas agiram em função dos seus interesses pessoais. Se nos dão dinheiro para não trabalhar, porque haveremos de trabalhar?

Os grandes responsáveis foram, como sempre, os políticos da época e dos que lhes sucederam, que não souberam ou não quiseram, fazer uma negociação que defendesse os interesses do país.

Estamos agora, com este governo, saído das eleições de 05 de Junho, a tentar emendar a mão e corrigir os erros crassos em que incorreram os seus antecessores. E todos nós estamos, neste momento de grandes dificuldades, a pagar amargamente as consequências desses erros.

Mas, perante este cenário de grande cepticismo, em relação às «boas» intenções dos nossos parceiros europeus e em particular do eixo franco-alemão, e perante o ressurgimento do exacerbar dos egoísmos nacionais e até dos nacionalismos, em alguns países europeus, interrogamo-nos onde estão as tão propaladas solidariedade, coesão e união europeias?

Não estaremos antes perante um união de interesses egoístas, divergentes e de congeminação de estratégias de domínio dos países ditos mais fortes e ricos, em relação aos mais fracos e menos ricos, como que desenterrando as teses darwinistas?

É uma questão que nos deve preocupar e será a legítima a pergunta se fizemos bem ou mal ao aderirmos à União Europeia.

E perante o disparar dos canhões do lado de lá do Atlântico, com as miras apontadas para os flancos do sul da Europa, os elos mais vulneráveis desta união, explorando habilmente a sua inépcia, imobilismo, fragilidade económica e financeira e agora os evidentes e preocupantes sinais de divisão, ainda mais nos interrogamos sobre o desfecho final desta União Europeia.

Ou a União Europeia acorda de vez e consolida e reforça rapidamente a sua posição, enquanto espaço económico e geo-estratégico determinante a nível mundial, ou pode ser o princípio do fim do grande sonho europeu.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A FACE OCULTA DO SOCIALISMO

Ontem, ao ver e ouvir nos noticiários televisivos da manhã, o comentário do fiscalista Tiago Caiado, pessoa que já nos habituou às suas objectivas e contundentes opiniões, mas extremamente realistas, mais até do que as de Medina Carreira, sobre a situação portuguesa e do regime em que vivemos, fiquei e como sempre, satisfeito pela frontalidade e pelo desassombro anti politicamente correcto, com que exprime as suas opiniões.

É destas personalidades, infelizmente ainda raras em Portugal, que o nosso país precisa.

Que tenham a coragem de falar, que não tenham medo do politicamente correcto, que ponham em causa esta e muitas falsas ideias postas a circular pelas grilhetas mediáticas que nos têm acorrentado durante décadas, completamente alienadas e subservientes do poder político resultante do voto.

Falou da situação europeia, da sua debilidade enquanto espaço económico, politico e social e por isso mesmo, alvo dos ataques cirúrgicos dirigidos do outro lado do Atlântico, contra os seus elos mais fracos: Portugal, Grécia e Irlanda e agora também a Itália.

Falou da situação portuguesa e da sua debilidade, reflexo dos erros internos cometidos e dos males europeus, levados aqui em Portugal aos extremos.

Portugal é sempre o campeão dos extremos em quase tudo o que é mau na União Europeia. Talvez para dar nas vistas e se fazer notado, mas pelas piores razões.

A questão de fundo abordada por Tiago Caiado, era a causa do mal europeu e da cópia do seu modelo para quase todos os países que integram a União Europeia:

A aposta nos modelos económicos e sociais propostos pelo socialismo.Para ele e eu estou inteiramente de acordo, a causa da desagregação europeia e da sua debilidade económica e social reside exactamente nessa opção, aparentemente boa e prometendo o paraíso, a igualdade e a prosperidade para todos, como que retomando os dogmas da Revolução Francesa, mas conduzindo à debilidade económica, ao cavar das desigualdades sociais, e à desagregação do Estado Social, nos moldes em que ele foi concebido e construído.

É esta a face oculta do socialismo, aquela que não se vê, não se dá por ela, enquanto durar o dinheiro dos outros, como bem um dia afirmou Margaret Teatcher, antiga primeira-ministra do Reino Unido, mas que se começa a sentir na pele, quando o dinheiro dos outros começa a rarear e a acabar.
E esses outros, para que todos entendam, são as empresas, são os empresários empreendedores, que trabalham no duro para que as suas empresas gerem riqueza e são todos aqueles cidadãos que, querendo legitimamente prosperar e subir na vida, através do empenho esforçado na formação, qualificação e trabalho, quantas vezes árduo e difícil, conseguem atingir um patamar social e económico que lhe permite manter um nível de vida acima da média.

De facto, o chamado socialismo dito democrático, ideia lançada em Portugal pelo seu patrono ideológico, Sr. Mário Soares, pretende ser um meio termo, entre capitalismo puro ou regulado privado e comunismo (capitalismo de Estado).

Porque nem é uma coisa nem é outra, pretende atingir objectivos semelhantes aos do comunismo, mas pela dita via democrática,.

Ou seja, este conceito extremamente ambíguo de socialismo democrático, pretende, por via indirecta, isto é, deixando aparentemente aos cidadãos a livre iniciativa, o empreendedorismo económico e o esforço individual, para tentarem alcançar um nível de vida acima da média, mas no fim do processo, quando esses objectivos foram alcançados, o Estado extorque-lhes uma grande parte, ou mesmo a maior parte, do rendimento por eles gerado, com vista a atingir, por via da chamada redistribuição do rendimento, objectivos de igualdade e apoio social aos cidadãos, ditos «mais desfavorecidos».Ou seja, o Estado neste socialismo dito democrático, mas que na prática acaba por ser uma via indirecta de atingir objectivos próximos dos comunismos, desempenha o mero papel de saqueador dos agentes económicos e dos cidadãos, a chamada economia real, para entregar de mão beijada aos ditos desfavorecidos, uma grande parte deles, falsos desfavorecidos.

E falsos desfavorecidos, por via do golpe, do parasitismo, do oportunismo, do ócio por não quererem trabalhar, da inépcia de não quererem estudar e adquirir formação e qualificação e pelos rendimentos paralelos não declarados que auferem, em acumulação com os apoios sociais que auferem do Estado.É bem mais cómodo e agradável, como diz e bem, Tiago Caiado, viver no ócio e ir beber uns copos à cervejaria, do que ir trabalhar, e é ainda mais agradável saber que esses rendimentos foram extorquidos àqueles que trabalham no duro todos os dias.

Muitos ditos desfavorecidos
, vivem em boas casas de renda quase gratuita, recebem apoios sociais duplicados e triplicados, trabalham na economia paralela e ganham muito mais, do que o seu vizinho do mesmo prédio que, não sendo desfavorecido, tem de trabalhar arduamente todos os dias, e por isso mesmo, acaba por auferir um rendimento muito mais baixo do que o do seu vizinho considerado desfavorecido e que não faz nada de útil na vida.

O socialismo dito democrático é isto. Mas, é apenas uma das peças da sua tenebrosa face oculta.


Outra peça é sobejamente conhecida: os tachos, as mordomias e os privilégios dourados dos agentes, espalhados por todo o país, deste tipo de socialismo que, o «furo» de ser agente público desta original ideologia, pôde proporcionar para prosperar na vida e levar uma vida regalada à pala do paizinho Estado, que nunca falha com o pagamento dos ordenados destes privilegiados do regime.

E são muitos, muitos mais do que se pensa, os boys e as girls que viram este «furo» para subirem na vida. E subiram bastante bem, a avaliar pela exibição de riqueza que ostentam.

Quem paga tudo isto? Os mesmo de sempre!

A terceira peça da face oculta do socialismo democrático é o resultado final de tudo isto: desagregação do Sistema Económico e do Estado Social por via do saque e extorsão do Estado, para manter o sistema, aumento exponencial das desigualdades sociais, bancarrota, empobrecimento generalizado e miséria.Foi este o mal da Europa. Foi este o mal de Portugal.

A questão que se coloca a partir de agora é se o povo português quer continuar na rota do socialismo democrático que, com a trajectória que seguiu até aqui, vai desembocar no abismo ou se quer inverter a tendência e seguir outra trajectória.

Terá o povo português aprendido a lição?A resposta a esta pergunta é de prognóstico muito reservado.

Em meu entender receio bem que não.E a razão é muito simples: tendo em conta o perfil do nosso eleitorado e com metade do país habituada ao paternalismo do Estado e à subsídio dependência, não vai querer mudar.

Uma grande parte dos portugueses são avessos à mudança, não gostam de arriscar. Preferem o comodismo e a vida regalada que a subsídio-depedência pode proporcionar.

E os políticos profissionais, os boys e as girls, qualquer que seja o quadrante político, não vão desarmar e vão apostar em garantir a sua carreira.

Só que se esquecem duma coisa:

É que o socialismo só dura enquanto durar o dinheiro dos outros.

E o dinheiro dos outros está-se mesmo a acabar!

quinta-feira, 7 de julho de 2011