sábado, 5 de maio de 2012

O MITO DO CAPITALISMO


Lembro-me de, já há alguns meses, alguém que se intitulava «trabalhador», ter dito, em estilo de comentário a qualquer coisa que escrevi,  que apenas os trabalhadores criam riqueza.

Não me surpreendeu tal afirmação.

Ela é o resultado da falta de informação, da falta de conhecimento sobre a matéria e também, provavelmente, o resultado de formação sindical inconsistente, enviesada ou mesmo visando objectivos politicamente convenientes.

Mas esta afirmação, encerra também uma outra realidade.

É a que se relaciona com o conceito de trabalhador.

Se, trabalhador é todo aquele que trabalha, então todo aquele que exerce uma função seja ela qual for, numa qualquer Instituição, ou mesmo a título individual, são trabalhadores.

São por isso trabalhadores não apenas os que excutam as tarefas mais elementares de um determinado processo organizacional (industrial, comercial, administrativo, financeiro), como aqueles que, situando-se ao nível intermédio ou de gestão, exercem a função de supervisores, directores, controladores.

Mas, diria ainda mais. Se trabalhador é todo aquele que exerce uma função, também aqueles que, situando-se ao nível do vértice estratégico das organizações, os que exercem as funções de administração (por exemplo o Presidente de um Conselho de Administração e os membros deste Conselho), também são trabalhadores.

E, iria ainda mais longe. Os que, sendo proprietários (sócios ou accionistas) de uma organização e, exercem uma função (e muitos exercem-na), a qualquer nível, também são trabalhadores, também concorrem com o seu trabalho.

Mas, a questão que me leva a esta reflexão é que, o conceito de trabalhador tem vindo a ser associado, pela esquerda política, ao conceito marxista do século XIX, dos primórdios da Revolução Industrial, num contexto, completamente diferente daquele que hoje se vive nas organizações.

No tempo de MARX, o operário fabril, pouco mais era que o servo medieval, descendente do escravo, que veio dos campos feudais, em busca de melhores condições de vida.

Sendo as estruturas organizacionais pouco complexas, a produção era feita à custa de mão-de-obra intensiva, sendo praticamente os operários fabris os únicos que executavam as tarefas (os chamados trabalhadores) e apenas enquadrados por capatazes que controlavam esse trabalho.

Mas, mesmo nesse tempo, já as teorias da administração de Taylor e Fayol, nos falavam de uma função muito importante nas organizações, chamada «Função Administrativa» o que, já nessa altura indicava, claramente, que também havia trabalhadores a exercer essa função e não apenas os executantes das tarefas fabris.

Portanto, trabalhador é todo o funcionário que, numa organização, contribui com o seu trabalho, a qualquer nível, com vista a atingir um determinado objectivo (produção de bens ou serviços).

Mas, voltemos à velha questão de quem produz a riqueza.

Será apenas o funcionário, o trabalhador?

Imaginemos que alguém, com um pequeno lote de terreno, pretendia utilizá-lo para produzir batatas.

Seria possível, a esse alguém, produzir batatas, apenas utilizando o seu corpo, especificamente as suas mãos? Fornecendo apenas o seu próprio trabalho? Obviamente que não. Se o tentasse o mínimo que lhe poderia acontecer era ir parar a um Hospital.

Não podendo utilizar apenas as suas mãos, faltará qualquer coisa para que ele possa produzir as batatas.

O que falta é aquilo que se chama o Capital, não no sentido de dinheiro, mas no sentido de capital económico ou produtivo, no fundo as ferramentas, os utensílios, as matérias-primas, os adubos e o próprio terreno, onde o dinheiro, que alguém disponibilizou (até pode ser o próprio trabalhador), foi aplicado.

Só este Capital Económico, juntamente com o Trabalho, permitem criar riqueza e não  apenas um deste factores produtivos isoladamente.

No caso concreto, no mínimo, com uma enxada (que alguém teve de comprar) e a matéria–prima (a batata-semente) juntamente com a força muscular dada pelo trabalhador, seria possível produzir as batatas.

Este exemplo muito simples, é bem elucidativo, da forma como confundimos o conceito de Capital e de Capitalismo, julgando-se erradamente, que apenas o factor Trabalho produz riqueza.

Vem isto a propósito dos mitos, dos preconceitos que muitas vezes se criam, por errada informação ou errada formação, acerca do Capitalismo.

Em qualquer economia, mesmo na situação extrema de totalitarismo colectivista, há sempre capitalismo, pelas simples razão de que, para se produzir seja o que for, tem de haver concorrência de pelo menos dois factores produtivos: O Capital e o Trabalho.

Sabendo-se à partida, quem fornece o Trabalho (em princípio toda a população em idade activa), coloca-se a questão de saber quem fornece o Capital, ou seja quem dispõe da capacidade de aplicar o seu dinheiro em  bens imóveis e de equipamento (edifícios, terrenos, máquinas, ferramentas, viaturas, computadores, mobiliário, etc.) e ainda disponha de capacidade de gestão.

Nas economias totalmente colectivizadas, esse Capital é fornecido pelo Estado. É o chamado Capitalismo de Estado.

Nas economias mistas (sector público e privado) sãos os cidadãos (inclusive os trabalhadores que disponham de poupanças) e o próprio Estado através da receita dos impostos.

É o Capitalismo Misto.

Conclui-se, portanto que, em qualquer economia, há sempre Capitalismo, tem de haver sempre Capitalismo.

O problema de fundo não é tanto, o fantasma do Capitalismo e do seu mau ou abusivo uso (a Regulação do Estado visa evitá-lo), mas a forma como a riqueza produzida, resultante da intervenção do Capital e do Trabalho,  é distribuída.

É este o problema fundamental que, até agora, mau grado as teorias económicas, desde a «mão invisível de Adam Smith», do liberalismo puro, até aos modernos modelos económicos e sociais, ainda não se conseguiu resolver, de modo aceitável.

É que, em todos eles, existe a intervenção do Homem que, como todos os outros animais, age de acordo com o instinto de sobrevivência mas, que ele Homem, por ter uma inteligência acima da média, muitas vezes perverte, degenerando em oportunismo, inviabilizando e frustrando a sua aplicação de forma justa e equilibrada.

terça-feira, 1 de maio de 2012

CAPITÃES DE NOVEMBRO. OBRIGADO JAIME...


Retalhos de uma Revolução…


Crónica do jornalista «Manuel de Portugal» (pseudónimo), escrita no semanário «O TEMPO» em 18 de Dezembro de 1975, menos de um mês depois da contra-revolução libertadora de 25 de Novembro desse ano.



Manuel de Portugal

«Simbolizavas, Jaime Neves, bravo entre os bravos, Homem que se orgulha dos seus Homens, Homens que se orgulham do seu Homem, simbolizavas o NÃO, possante e viril dum Povo Inteiro que se quer Livre e não Escravo, a Liberdade Nacional face aos Miguéis de Vasconcelos que a outras Espanhas nos querem vender, simbolizavas o Grito, a Raiva, a Força daqueles que amando a Pátria, a não renegam nunca, por um prato de lentilhas, por trinta moedas de prata, por um punhado de rublos, da KGB soviética.

Simbolizavas todos os que contigo estavam na Gesta Heróica de, mais uma vez, libertar a Pátria. Simbolizavas, teus Comandos sem medo. Filhos do Povo, Filhos da Nação, simbolizavas o verdadeiro Espírito Libertador do 25 de Abril, conspurcado por Iscariotes sem nome, sem rosto e sem alma.

Simbolizavas os novos conjurados do novo Dia da Restauração – 25 de Novembro – Eanes, Veloso, Pezarat, Sousa e Castro e tantos outros que não é possível enumerar.

Simbolizavas, Jaime Neves, o Dever e a Honra que a Senhora Tua Mãe te ensinou em pequeno dizendo-te entre canções de ninar, o quanto é Belo e Grande este Nosso Portugal Bem-Amado.


Não, Jaime Neves, não, ninguém negociará este pedaço de chão, que é teu, que é meu, que é dos teus filhos, que é dos meus filhos, ninguém venderá esta Terra nossa, enquanto em cada coração português houver um pouco do Jaime Neves que és, um pouco do teu patriotismo infinito, um pouco do Infinito de Portugal que trazes dentro de ti.


Sim, Jaime Neves, aquele homem do Povo que não viste numa janela da Ajuda, com o filho em frente, com a mulher ao lado, era eu, o Portugal Civil, descobrindo com orgulho que havia ainda, um Portugal Militar para salvar a Pátria das garras interesseiras dos abutres sem lei.

Perante vós, Comandos em luto, descubro o meu respeito, como homenagem profunda pela página da História que com sangue escreveste. Vermelha é a vossa boina. Vermelha é a nossa bandeira. Vermelho é o sangue dos vossos  Heróis, mortos traiçoeiramente por balas assassinas de comunistas sem Pátria.

Sangue de Portugueses derramado por quem, talvez, já nem português se sentisse.

Comandos de Portugal, Orgulho do Povo, Homens de uma só Fé, de um só querer, Homens que não discutem a Nação, que não renegam a História, Homens eternos dum Portugal Eterno, dum Portugal Invencível, dum Portugal Português.

De pé, Comandos de Portugal.

Em sentido. Soam os clarins da vitória, escutai-os perfilados na Parada da Pátria. Para ouvirdes o Obrigado Infindo que vos chega de lés a lés do Portugal Redimido que acabais de libertar.


Para verdes de novo as crianças sorrindo,  com a esperança dum amanhã luminoso e belo. Para verdes um País ao Sol da Liberdade, dispersas por vós com o sangue e com a dor, as nuvens negras da ditadura e da opressão que nos ensombravam ameaçadoras.

Obrigado,  amigos. Obrigado, irmãos. São para vocês todas as palavras que dirijo ao vosso Comandante. Porque nas famílias unidas «quem o meu filho beija, minha boca adoça».

E vocês, Comandos de Portugal, são corpo coeso e disciplinado, onde a camaradagem se tornou moeda corrente num dia fraterno. Como nos Mosqueteiros d´El-Rei «um por todos e todos por um» é o lema da vossa amizade sem fim.

Vertido no campo da Honra o sangue quente dos vossos Heróis, será o exemplo doloroso de que a Pátria Una não admitirá jamais a insídia vergonhosa da traição, nem pactuará no futuro com aqueles que, renegando a independência nacional, não hesitaram em matar Soldados Portugueses, às ordens de países estranhos que, por formas vis de dominação, nos pretendem transformar em satélites obedientes para, nas nossas praias atlânticas, erguerem nova Cortina de Ferro que transforme Portugal num desolado campo de concentração e de morte.

Atentos Comandos de Portugal, para não serdes apunhalados pelas costas.

Olhai de frente a nobreza e o patriotismo do Homem que vos conduz. Pesa sobre os vossos ombros a gigantesca tarefa de continuar Portugal.

E tu, Jaime Neves, Homem do Povo que ao Povo serve, sê apenas aquilo que és, aquilo que mostraste ser na madrugada sangrenta, mas redentora, do 25 de Novembro. Um Português.

Por isso, Jaime Neves, Homem lusíada, Viriato de hoje, eu, Manuel de Portugal, que ao Presidente da República trato por tu, para quem o Primeiro-Ministro simplesmente é o Zé, aqui na praça pública te distingo, primo inter pares, proclamando-te na Inclita Geração do 25 de Novembro como o primeiro que arriscando a vida, salvou a Nação.

E como o primeiro é, por tradição e por norma, o Príncipe da Grei, tiro respeitosamente o meu chapéu, curvo galhardamente minha espinha sempre erecta e com a vénia que os grandes da Pátria merecem, vos digo OBRIGADO, não ao Jaime Neves que foste, mas àquele que pela coragem, pela valentia, pela heroicidade, sagro Cavaleiro do Reino e entra, a partir de agora, na História da Pátria como apenas e só: JAIME DE PORTUGAL».



P.S. – Em homenagem a esse Herói esquecido, a cuja têmpera e determinação se deveu a reposição do verdadeiro espírito do 25 de Abril.

Jaime Alberto Gonçalves das Neves, transmontano de Vila Real, nascido em 1936,  Coronel na reforma e promovido, por distinção em 2009, a Major-General.

A esquerda portuguesa, os tutores da revolução, salvo algumas excepções, sempre se opuseram à promoção de Jaime  Neves a General, porque nunca lhe perdoaram a ousadia de contrariar o Processo Revolucionário em Curso (PREC) e restituir a liberdade ao Povo Português.

Mas, o bom senso acabou por prevalecer.

Em evocação do seu protagonismo determinado na noite de  25 de Novembro de 1975, foi-lhe erigido um monumento em frente à Praça do Campo Pequeno , por ironia do destino, o local onde a ditadura totalitária pretenderia executar a chamada «Matança da Páscoa».

Jaime Neves, vive numa urbanização algures na margem sul do Tejo, concelho do Seixal, onde é meu vizinho, na mesma rua. Teve graves problemas de saúde, mas felizmente ainda está entre nós.








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Esta crónica ilustra bem o clima de euforia e de liberdade que se viveu após o pesadelo de Abril.

Mal saberia Manuel de Portugal que, trinta e sete anos depois, o tal pouco do Jaime Neves já dele pouco resta.

Portugal é hoje um país destroçado, sem rumo, sob intervenção estrangeira, com soberania limitada, onde os de fora é que ditam as regras, envolvido numa globalização económica, social e cultural que o prejudicou e onde os portugueses cada vez se sentem mais estrangeiros na sua própria terra.

Um Estado absoluto, uma economia falida, uma justiça de rastos, uma política fraudulenta e, em suma, o atraso de sempre enfeitado com os pechisbeques informatizados de hoje.

Foi para esta glorificação do socialismo “moderado” que se fez o 25 de Novembro? Jaime Alberto Gonçalves das Neves diz que não.

Ele terá a suas razões, eu tenho as minhas.

De nada serviu o 25 de Abril, de nada serviu o 25 de Novembro…

domingo, 29 de abril de 2012

O ESPÍRITO DE NOVEMBRO. OBRIGADO JAIME... (PARTE I)

Retalhos de uma Revolução…


Crónica do jornalista «Manuel de Portugal» (pseudónimo) escrita no semanário «O TEMPO» em 18 de Dezembro de 1975.

Este jornalista assim como Vera Lagoa, eram das poucas pessoas ligadas aos media, que na época revolucionária, ousavam desafiar o regime e por isso sofreram perseguições.

Para que hoje possamos entender o clima de confusão revolucionária vivido de 25 de Abril de 1974 até 25 de Novembro de 1975, data em que ocorreu a contra-revolução, que pôs termos ao desvario totalitário comunista.

O 25 de Novembro de 1975, liderado pelo então Ten. Coronel Ramalho Eanes e pelo seu operacional do Regimento de Comandos, Major Jaime Neves, bem pode considerar-se o verdadeiro movimento militar que repôs a ordem democrática no país e pretendeu devolver a verdadeira liberdade ao Povo Português.

O verdadeiro espírito de Abril, a autêntica liberdade, é nesta data que deviam ser comemorados.

E por isso, devíamos antes comemorar o «Espírito de Novembro» como o sentido da verdadeira democracia e da verdadeira liberdade.
Mas, os donos da revolução, que sempre a tutelaram desde o início, passam pelo dia 25 de Novembro, como se ele nunca tivesse existido, como data histórica.

É deplorável. Para quem, como eu, viveram estes acontecimentos.

Mas, em tudo há sempre um «mas», uma dúvida, uma sombra, uma mancha que estraga tudo.

O poder devolvido aos civis, pelo movimento libertador de 25 de Novembro de 1975, como é apanágio das verdadeiras democracias foi, depois de muitos tumultos, conspirações e incertezas,  aproveitado para, desfraldando bandeiras socialistas,  como impunha a Constituição Revolucionária de 1976, oportunismo, despesismo, manipulação, incompetência, terminando no caos.

A texto de «Manuel de Portugal», escrito na época,  diz bem da mordaça que haviam colocado ao Povo Português.

Vale a pena de ler…


Manuel de Portugal

« Mais vale tarde do que nunca e nunca é tarde para pagar uma dívida, mesmo de gratidão.

Chegou-te a vez, Jaime Neves, de seres alvo desta crónica amiga que devia ser, em boa verdade, duma só palavra, grande, extensa, a toda a largura da página: OBRIGADO.

Há em ti, Jaime Neves, a força dum Povo, a determinação de uma raça, o sentido cósmico de uma espécie. É a tua bravura um Hino de Liberdade. É a tua coragem um sintoma de portuguesismo.

Direito, na torre do Chaimite, quando te vi, no dealbar do 25 de Novembro, a  subir a Calçada da Ajuda, bravo entre os bravos, ouvi dentro de mim, oitocentos anos de História, a bradarem em uníssono: vai ali, Portugal.

E ia!

Ia dentro de ti, Jaime Neves, o peão ignoto de Aljubarrota, pensando na mãe, pensando no filho, segurando firme a longa lança guerreira, determinado e audaz, contra o castelhano invasor da Pátria.  Salvé Jaime Neves de Aljubarrota, Libertador da Grei, companheiro de Nun´Álvares, Homem da Gesta e do Combate.

Ia dentro de ti Jaime Neves, o algarvio da moirama, o beirão entroncado, o minhoto labutador, subindo à enxárcia, puxando a vela, manobrando o leme, na Caravela da Aventura, da Grande Nau da Descoberta, levando por mares nunca dantes navegados, a Cruz de Cristo e as Quinas deste Portugal Cristão, deste Portugal Humano.

Ia dentro de ti Jaime Neves, o patriótico conspirador de 1640, valentia indómita a repelir a traição opressora, certeza lusíada em luta de morte contra os vis interesses de nação estrangeira a tentar dominar a nossa Pátria comum.

Ia dentro de ti, Jaime Neves, o lisboeta sem nome, pimpão afadistado que no Rossio em efervescência, bramava irado contra o Mapa-Cor-de- Rosa e as exigências ofensivas dum Ultimato vergonhoso que menosprezava a dignidade do Portugal de Sempre.

Bravo entre os bravos, Jaime Neves, eras Martim Moniz morrendo no Castelo de S. Jorge, Egas Moniz de baraço ao pescoço, eras Santo António a pregar aos crentes, Capelo e Ivens nas selvas traiçoeiras, Republicano da Rotunda, Liberal do Mindelo, Gomes Freire de Andrade balouçando ao vento, Cronista do Reino, Custódia de Gil Vicente, Profecia de Bandarra, Emigrante Partindo, eras tu Jaime Neves, eras eu, Manuel de Portugal.

Jaime Neves de ontem, Jaime Neves de hoje, Jaime Neves de sempre, Português dos Quatro Costados, Povo Trabalhador, Sábio, Santo, Artista, filhos da mesma Terra, filhos do mesmo Sonho, filhos da mesma Grandeza Eterna que nos chama irmãos, para lá Vida e para lá da Morte.

Simbolizavas, Jaime Neves, bravo entre os bravos, Homem que se orgulha dos seus Homens, Homens que se orgulham do seu Homem, simbolizavas o NÃO, possante e viril dum Povo Inteiro, que se quer Livre e não Escravo, a Liberdade Nacional face aos Miguéis de Vasconcelos, que outras Espanhas nos querem vender, simbolizavas o Grito, a Raiva, a Força daqueles que, amando a Pátria, a não renegam nunca, por um prato de lentilhas…»



Continua… (PATRTE II, a publicar brevemente)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

GRÂNDOLA VILA MORENA...


Hoje, 25 de Abril de 2012, passou mais um aniversário de uma revolução.

Foi a Revolução Portuguesa de 1974

Revolução que, como muitas outras, pretendeu romper com um estado social, político, económico e cultural, considerado ultrapassado e por isso com premente necessidade de substituição.

Como em todas as revoluções, o novo estado social que veio substituir o anterior, pretendeu-se que fosse melhor, de contrário não compensaria os custos de uma revolução.

Mas, os custos da revolução de 1974, foram enormes:

- Desde a destruição do sistema económico inicial e da desastrosa descolonização, passando por três bancarrotas, até à actual situação do país. 

O novo estado social pretendeu romper radicalmente com o anterior, como se nada deste se aproveitasse. E por isso o país teve de suportar custos, de que ainda hoje, trinta e oito anos depois, estamos a tentar curar as sequelas.

E os custos foram tanto mais pesados quanto o modelo de arquitectura da nova sociedade se afastou do equilíbrio e se pautou pelo radicalismo,  pela utopia, pelos extremos.

O modelo escolhido e formatado por uma Constituição saída de uma Assembleia Constituinte, eleita por um voto obrigatório e coactivo de um terrível ambiente revolucionário foi, inicialmente, inspirado nos modelos socialistas totalitários da Europa de leste, de capitalismo de Estado ou das democracias populares.

Fidel Castro foi consultado e aconselhou os revolucionários portugueses.

Para o destino dos  reaccionários, fascistas e contra-revolucionários, chavões, porque vazios de significado, apenas pretenderam intimidar os incrédulos e eliminar os adversários políticos, o Campo Pequeno era o mais indicado. A mão de alguém, fez travar o processo e evitar o pior.

Perante as ameaças externas, a revolução arrepiou caminho e inflectiu depois para um modelo socialista moderado, dito democrático. O chamado socialismo soarista.

Este modelo, tentando contornar os problemas do totalitarismo, serviu-se da economia privada e dos cidadãos, para criar um Estado gigantesco que, segundo os seus mentores, ofereceria o paraíso a todos os cidadãos  (o chamado estado social):

- Saúde e educação gratuitos, habitação social para todos, toda a espécie de direitos económicos, sociais e culturais, cumprindo-se à risca a letra da Constituição.

Foi o modelo do DÁ e TIRA. Dá-se com uma mão e tira-se com a outra. Uma espécie de Comunismo Indirecto.

O modelo, no domínio dos direitos, liberdades e garantias também caiu nos extremos, perdendo-se o sentido do equilíbrio, originando oportunismo e desigualdades gritantes.

A dinamização cultural nos campos, nas fábricas, nas escolas, nos sindicatos, alimentou a utopia e o Povo acreditou. Mais uma vez acreditou.

E votou e consagrou!

A cobaia portuguesa experimentou a receita, a habilidade dos políticos condimentou-a e o Povo, embriagado, mais uma vez gostou. E repetiu a dose!

Não deu por nada!

Não se apercebeu da sinistra  e sinuosa curva decrescente da nossa economia e que o sonho do paraíso prometido à sombra de cujas palmeiras dormia ou repousava, saboreando a receita, era alimentado pelo dinheiro dos «mercados» agiotas, que nos era emprestado.

Até que um dia, acordou!

Acordou no meio de um pesadelo.
O pesadelo da Revolução dos Cravos, das Foices, dos Martelos, dos Fitipaldis dos Chaimites:

- Economia de rastos, falências em massa, desemprego generalizado, precaridade, pobreza, miséria.

- Depressão,  casinha dos pais para a juventude, sem direito a constituir família, sem futuro, sem nada. Refém do sistema. Emigração a única saída.

- Títulos académicos fabricados para compor as estatísticas da OCDE, mas que não servem para nada. Um orgulho nacional.

- Igualdade e nivelamento por baixo. Somos todos iguais.

- O crime compensa. O orgulho da justiça portuguesa.

- País a saque.

- Riqueza? Muita, mas só de alguns. Os do sistema, estatais e paraestatais, os dos salve-se quem puder, os chicos espertos, os saqueadores. Estes safaram-se e bem.

Culpados? Não há!

Uns fugiram, outros andam por cá, encobertos pela capa da imunidade e insistindo na utopia, na cassete e na já apodrecida demagogia.

Mas insistem. Insistem enquanto houver mel no tacho e o fundo já roto, ainda se poder lamber.

Até se romper de vez…

Mas, não havendo culpados, há bodes expiatórios!

São estes, os da direita, os fascistas e os reaccionários (à revolução) que o Povo elegeu. Aqueles que deviam ter ido parar ao campo Pequeno, na época, mas que agora estão a levar com todas as foices e martelos em cima, por terem ousado virar a página para nos fazer sair do lamaçal e por isso desafiar a tutela da revolução.

É a democracia tutelada, pelos donos da revolução, militares do MFA (agora Associação 25 de Abril) e civis dos polvos cor de rosa e vermelhos que, julgando-se mais iluminados que os deuses, atestam sempre um certificado de incapacidade e insanidade mental ao Povo Português, sempre que este, por ignorância cultural e minudência mental, na opinião deles, ousa não carimbar o socialismo que eles apregoam e que nos conduziu à desgraça.

O sonho de Abril transformou-se no maior pesadelo da história portuguesa dos últimos cento sessenta anos.

NÓS, POVO PORTUGUÊS, TEMOS RAZÕES PARA COMEMORAR ESTA DATA? NÃO!

SÓ ELES O TÊM, NÓS NÃO!

Eles sim porque, hoje, na Assembleia da República de cravo vermelho na lapela, foram os grandes beneficiados pelo sistema que criaram e com o qual frustraram as justas expectativas do Povo Português.

Aprendamos a lição!




O GRÁFICO DO SOCIALISMO
- Linha descendente azul: queda da riqueza produzida (empobrecimento)
                         - Linhas vermelha, verde e roxa  (o despesismo do Estado, o endivi-
                           damento do Estado e o endividamento total do país, dívida soberana)
                            
                         NB: a linha decrescente da riqueza (empobrecimento), contrasta com
                              a subida galopante do despesismo do Estado, do endividamento do
                              Estado e do endividamento total do país.
                            A linha azul descendente, ao aproximar-se do zero em 2010 e situando-
                              se abaixo dele a partir de 2011, provocou a bancarrota, pela ruptura do
                              modelo.







domingo, 15 de abril de 2012

A FORMA E O CONTEÚDO


Costuma dizer-se que «Mais vale sê-lo do que parecê-lo».

Na nossa vida quotidiana, muitas vezes parecemos aquilo que não somos e também somos aquilo que não parecemos.

Vem isto a propósito daquilo que observamos, daquilo que lemos, daquilo que ouvimos e do modo como formamos a nossa opinião e tomamos decisões.

A subtileza, com que se comunica, em qualquer das suas formas, escrita, oral, gestual, codificada, tem muita influência na forma como o receptor interpreta a mensagem.
Em qualquer processo de comunicação há sempre um emissor, um canal de comunicação e um receptor.
O emissor, quem comunica a mensagem, pode, ele próprio, usar de subtileza, hipocrisia e no limite a própria mentira e o canal (o meio de comunicação), também ele próprio, deturpar a mensagem.

Quando isto acontece, dizemos que existe ruído na comunicação.
E o ruído (a alteração, muitas vezes propositada) do verdadeiro sentido da mensagem, faz com que o receptor (o destinatário) a interprete de modo completamente diverso do seu sentido original, influenciando deste modo, a sua maneira de pensar.

Um exemplo típico de ruído extremamente perverso, é o que acontece quando uma mentira, repetida muitas vezes faz com que os destinatários a considerem como uma verdade. Ou um boato, posto a circular, pelos meios mais diversos, faça com que milhares e milhares de pessoas, acreditem nele.
Podia citar aqui vários casos concretos, que se passaram em Portugal e que convenceram muita gente.
Lembro-me, há uns anos, do meteorito que tinha caído numa praia, algures no norte do país.
A encenação foi perfeita, desde a filmagem da queda, à cratera deixada na praia, à simulação da cor queimada do objecto vindo do espaço, até ao isolamento do local pelas autoridades!

Na política, principalmente, quem dominar os meios de comunicação e usar da máxima subtileza e poder oratório, domina multidões e dessa forma formata a nossa maneira de pensar, influenciando as nossas decisões.

A isto chama-se marketing político.

Contrariamente ao marketing comercial que, perante uma concorrência e competição cada vez maiores, num determinado mercado de produtos ou serviços, procura acrescentar vantagem competitiva às empresas e valor real ao cliente final, o marketing político é, quase sempre, perverso e visa, muitas vezes, influenciar o cliente final (o cidadão eleitor) oferecendo-lhe um «valor» falso que, embrulhado numa atraente embalagem lindamente enfeitada, convence facilmente milhares (milhões) de incautos.

Nem seria preciso reafirmar que estes factos, têm sido uma constante em Portugal, desde sempre,  e é característico de todas as democracias desenhadas neste formato imperfeito, tal como as conhecemos.

Paralelamente à capacidade que devemos ter de distinguir o trigo do joio, aquilo que é verdadeiro daquilo que é falso, também devemos adquirir a capacidade de distinguir entre a embalagem e o enfeite de um presente ( a sua atraente aparência) e o seu conteúdo (o que está lá dentro).

E, antes de tomar uma decisão ou formar uma opinião, devemos, antes de tudo, abrir o presente e observar o seu conteúdo. Ver e analisar, de todos os ângulos.

E, perante o que está a acontecer por este país fora, em que os tradicionais arautos da desgraça, começam a emergir e a ressuscitar dos mortos, apregoando as mesmas falsidades de sempre e a mesma táctica demagógica de sempre, temos (devemos), mais do que nunca estar atentos.

Porque, não queremos, nunca mais, que a tragédia que, já pela terceira vez, nos bateu à porta, se volte a repetir, pela mão desses já sobejamente conhecidos arautos, temos (devemos), mais do que nunca, estar em «posição de guarda».

Nesta democracia imperfeita, de fachada e camuflada e por isso enganadora, nós portugueses, temos de adquirir rapidamente esta capacidade de avaliação e análise, entre o que é falso e o que é verdadeiro, entre a  forma exterior daquilo que observamos e nos vendem e o seu conteúdo (a verdadeira razão das coisas).

E aqui chegamos ao ponto fulcral desta reflexão.

A tentativa de ressuscitar a figura de José Sócrates,  actualmente em marcha, pelos tais profetas da desgraça, mais não visa do que branquear a figura de um dos principais (não o único)  responsáveis da situação trágica que o país está viver,  pela relevância do cargo que desempenhou nos últimos seis anos de governação cor de rosa, do país.

E, o que é preocupante, neste momento, é constatar que muitos de nós portugueses, estamos novamente a acreditar que o Partido Socialista é o grande salvador da Pátria e que estes, os que agora estão no governo, a quem Sócrates passou a «batata quente» e depois fugiu para Paris, onde leva uma vida regalada e de luxo, são agora os grandes responsáveis e os bodes expiatórios de todas as desgraças.

O bluff funcionou em pleno. E foi duplo. Como sempre!

Os que destruiram a Pátria, nunca serão capazes de a reconstruir. Isto também é dos livros e da história. Aprendamos a lição!

Já é tempo de a aprendermos!

Já é tempo de termos adquirido a capacidade de distinguir o que são causas e o que são efeitos.

Já é tempo de entendermos que são as causas que provocam os efeitos, são as causas anteriores que provocam as consequências e que as causas são anteriores aos efeitos.

Se as causas forem boas, os efeitos serão bons. Se as causas forem más, as consequências serão más.

É preciso perceber que este governo, recebeu do governo anterior ( o de José Sócrates) uma situação económica, financeira, social e demográfica, da maior gravidade, que não ocorria em Portugal desde há mais de  século e meio.

Por isso as consequências, os efeitos,  estão a ser gravíssimos.

Mas,  não foi este governo que as ocasionou. Parece-me claro.

Este governo herdou a situação e foi obrigado a cumprir uma severo programa de austeridade.

Este programa não pode ser confundido com as causas. Este programa (dito da troika) visa atacar os efeitos, as consequências de governações anteriores irresponsáveis e desastrosas, que podem ter sido agradáveis e beneficiado muita gente, mas que arruinaram o país.

Podemos questionar se podia ter sido executado de forma mais suave ou se havia alternativas. Mas fomos obrigados a cumpri-lo. Porque se não o aceitássemos, o dinheiro acabava-se em Portugal e as consequências ainda seriam piores.

Nós portugueses, temos de ter a capacidade de, nesta situação de grave emergência nacional, pôr de lado, as nossas convicções ideológicas e de nos unirmos em prol da recuperação do país. Todos os contributos, todas as ideias são úteis e bem-vindas.

Não podemos continuar desunidos. A união faz a força.

Olhemos para os exemplos da Irlanda e da Islândia.
A Grécia não é um bom exemplo, porque os abusos de governações anteriores (socialistas) foram longe demais.

E, nesta hora difícil para todos nós, não deixa de ser preocupante, parte da população portuguesa continuar radicalizada em torno do partido socialista, que sistematicamente nos nem tem atirado para a desgraça.

Radicalizada como se um partido político fosse um clube de futebol! Nada mais perigoso!




Uma coisa é certa:

Se não tivermos a coragem de mudar, continuaremos eternamente numa estagnação crónica ou entrar definitivamente numa espiral de pobreza, que comprometerá irremediavelmente o nosso futuro colectivo e inviabilizará Portugal como país.