terça-feira, 15 de maio de 2012

FAMÍLIA: MANUTENÇÃO, DESTRUIÇÃO OU EVOLUÇÃO?




Hoje, dia Internacional da Família, achei oportuno, fazer uma reflexão sobre este tema, não apenas porque este agregado social mereceu o reconhecimento de um DIA para sua comemoração e consagração universais, mas também porque está ser alvo de todos os ataques, nesta sociedade pós-moderna.






Mas, há uma outra razão porque resolvi reflectir sobre este tema e que com ele está relacionada.

Há dias, alguém, no Face Book, escreveu um comentário, sobre o qual fiquei a pensar.

Dizia, a propósito da homossexualidade e dos direitos dos homossexuais, designadamente ao seu direito ao «casamento» institucionalizado constitucionalmente que, todos «temos de adaptar a nossa mentalidade àquilo que está na Constituição».

Mas, vai mais longe. Afirma que, historicamente, a homossexualidade é um comportamento espontâneo e que, em relação à Família, todas as formas devem ser admitidas. Presumo ao que o autor se estivesse a referir.

Em relação à primeira questão, a do ajustamento da nossa mentalidade à Constituição, direi que, isso é o que pretendem os mentores dos regimes totalitários e do pensamento único, imposto pelo Estado.
Por isso nunca, em circunstância alguma, devemos abdicar da nossa forma de pensar e das nossas convicções.
Não é a Constituição que nos pode obrigar a pensar desta ou daquela maneira.
Isso nunca!

Quanto à segunda questão, a do comportamento espontâneo da homossexualidade, estudos científicos recentes negam esse facto, tanto na forma isolada como na de exclusividade (parceiro(a)/certo(a)), pelo menos na espécie humana.
Nem resulta sequer de alteração genética (existência de um gene «gay»), de uma doença ou de um processo evolutivo, segundo a teoria de Darwin.

Aqueles estudos  sobre a homossexualidade de que podemos citar Fischer e Grémaux (1995), Gadpaille (1980), concluem que a homossexualidade é um mero subproduto do prazer (a procura de outras formas ou variantes do prazer) e a exclusividade (que poderia justificar o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo) é apenas um produto da sociedade.

Quer isto dizer que, a Natureza, a Evolução, não seleccionaram um padrão não-reprodutivo (como é a relação homossexual) mas seleccionaram, isso sim, um meio, um processo, um elo de ligação, a que chamamos prazer sexual, que pudesse vincular progenitores com capacidade reprodutiva. A relação sexual só é possível, havendo prazer e havendo prazer, pode haver procriação, o fim último desejado pela Natureza.
A reprodução medicamente assistida, em casos de infertilidade, ou outros, é um mero artificialismo que, do ponto de vista ético, só se justifica nesses casos extremos.

A homossexualidade não é assim, mais do que um sub-produto desde vínculo, visando apenas o prazer e portanto sem capacidade reprodutiva.

Esta conclusão bastaria para injustificar o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo, que Sócrates, sem consultar a população e cedendo a pressões de minorias, fez consagrar na Constituição da República Portuguesa, como uma grande conquista da modernidade!

Obviamente, que a questão sentimental e afectiva poderá estar presente, sob qualquer forma, como o está, entre os membros duma família, entre amigos ou até entre humanos e animais.

Esta pequena introdução conduz-nos à questão da Família que, hoje se consagra, dedicando-lhe um dia internacional para a sua comemoração. Mas, ao mesmo tempo, alvo de muitos ataques, de quadrantes que querem forçar a ordem natural e a evolução e que a pretendem anarquizar e vulgarizar, desviando-a das suas funções fundamentais.

Por isso, vale a pena determo-nos um pouco sobre a sua evolução e avaliar do contributo das investigações sociológicas, económicas e demográficas que apontam para uma concepção dinâmica da Família em oposição à sua concepção estática tradicional.
Mas, que mantêm e aperfeiçoam o fundamental do papel que desempenha numa sociedade.

Algumas questão prévias são, no entanto, necessárias.

Em primeiro lugar as questões de linguagem, aquilo de que estamos a falar.
E, neste particular, os termos, as palavras, servem para caracterizar as coisas e os factos. Uma laranja não é a mesma coisa do que um limão, embora ambos sejam citrinos.

Uma Família, na espécie humana, tal como a entendemos na cultura ocidental e que este termo procura definir, é o agregado social primário ou básico, formado inicialmente por duas pessoas de sexo diferente (o grupo conjugal primário), com determinadas necessidades e estrutura, visando o desempenho de determinadas funções e podendo ser ampliada pela procriação ou pela adopção (grupo conjugal secundário).

Nesta perspectiva, qualquer outro agregado social, com características diferentes, não o podemos nem devemos designar pelo mesmo termo. Outra designação tem de ser adoptada, sob pena de confusão e tratarmos da mesma forma, coisas que são substancialmente diferentes e visando objectivos diferentes.

Colocadas estas questões, voltamos ao tema «Família».

Sem me deter demasiado sobre  as características das famílias primitivas e  medievais, direi que, a primeira era baseada na segurança proporcionada pelo grupo organizado e exercia desta forma uma função protectora contra agressões externas.

Na antiguidade, nas famílias gregas e romanas, passou a observar-se o parentesco para a sua constituição, porque era identificado com o culto dos antepassados e que muito contribuiu para a sua agregação à volta do «pater», que daria depois lugar à figura medieval do chefe de família, centrada no pai.

Tanto nas famílias gregas como romanas, haviam as micro-religiões, cada família possuía os seus próprios deuses, representados pelos seus antepassados mortos. O chefe de família eram também um chefe religioso e praticava uma liturgia específica.

Acreditava-se que a extinção do culto familiar determinaria a condenação eterna dos seus membros e dos seus antepassados. Também acreditavam estes povos que a morte sem descendentes, constituía uma desgraça e como tal foi criado o instituto da adopção na chamada Lei das XII Tábuas, que se realizou no Império Romano. A cerimónia da adopção era pública, com um representante do Estado, da Religião e do Povo.

Na Idade Média, a partir dos séculos XVI e XVII, opera-se uma mudança nas relações internas com os filhos. Passou a educação a ser feita essencialmente nas escolas, retirando-as da antiga socialização no meio familiar. Foi o início da escolarização.

O registos dos nascimentos passa a ser feito nas paróquias, a partir do século XVIII e opera-se a separação entre a vida mundana e profissional, da privada. O processo começa com a nobreza e a burguesia e estende-se progressivamente a todas as famílias.

A família conjugal, ou em sentido lato,  o «ménage», a «maisonnée», tal como existiu durante muito tempo na Europa, correspondia: no espaço, a uma unidade de habitação; do ponto de vista económico, a uma unidade de produção e de consumo; do ponto de vista social, a uma unidade de autoridade, a do «senhor da casa» ou chefe de família; e encontrava-se duplamente inserta num «sistema de parentesco» e num grupo local mais vasto: lugar, aldeia ou bairro.

As grandes transformações dão-se, porém, a partir da Revolução Industrial e do desenvolvimento da vida urbana, nos séculos XIX e XX, que resultam também de mudanças no sistema económico e dos sistemas de parentesco.

Assim, a família conjugal mudou simultaneamente de posição na sociedade e de estrutura interna. Ao mesmo tempo, novas ideologias modificaram os modelos antigos, aos quais se reportam os membros da família. A imagem do «grupo primário» adquiriu outra forma na representarão mental. Alteraram-se os sistemas de valores. Até as palavras «pai» e «filho» deixaram de ter o mesmo significado, e a linguística revela as suas profundas modificações.
Para compreender estas alterações, torna-se necessário estudara evolução das funções da família na sociedade e a evolução das suas estruturas, assim como a modificação das relações e dos papéis sociais no interior do grupo familiar.

Seguindo as investigações do Grupo de Etnologia Social de Paris, as funções da Família podem ser sintetizadas em quatro grupos: funções físicas e biológicas; funções económicas; funções sociais e culturais; funções afectivas e espirituais.

Funções físicas e biológicas

Dizem respeito à reprodução e à sobrevivência da espécie. Esta função é básica e portanto menos susceptível de modificação, em condições normais de funcionamento de uma sociedade.
No entanto, circunstâncias adversas ou excepcionais, como transformações tecnológicas, questões de carreira profissional, especialmente das mulheres, guerras, crises económicas e a influência de correntes ideológicas, podem influenciar o comportamento do homem perante a vida e a espécie
.
Assiste-se actualmente a uma diferenciação entre função de procriação e relação afectiva, apesar das suas fortes ligações. O casamento ou a união de facto, tendem hoje, a ser antes de mais, uma união entre duas pessoas.

Funções económicas

São as relativas a produção e consumo. Perdeu importância em meio urbano, tendo algum peso em meio rural. No entanto, conserva um importante contributo na produção de serviços para os seus próprios membros (trabalho doméstico).
A sua função de consumo é, no entanto mais importante. A família é uma unidade de consumo e de habitação. Dispõe de um rendimento comum, que o aplica em consumo e como tal é factor de dinamização económica.

Funções culturais e sociais

Num primeiro plano, estas funções são de socialização das crianças. Embora muitas destas funções estejam a ser confiadas à escola, perante a falência desta, muitos autores defendem que o papel da família é fundamental para uma boa socialização dos filhos. Assiste-se, hoje em dia, a uma demissão deste papel por parte da família, deixando a uma escola deficiente e ao bando de rua, a socialização dos nossos filhos.

Num segundo plano, estas funções também são de identificação social. É por intermédio da família que o indivíduo recebe um nome, uma paternidade e uma identidade, para além de ser, através da família, que o indivíduo é admitido na sociedade.

Num terceiro plano, poder-se-ia considerar as funções jurídicas e políticas, centradas na figura do chefe de família, mas que perderam relevância nas sociedades democráticas actuais.

Podemos ainda considerar, as funções de transmissão, de bens de uma geração a outra. As regras relativas à herança, têm-se modificado e os bens herdados reduzidos por via dos impostos do Estado.

Finalmente neste grupo, a função de transmissão da cultura. Continua a ser muito importante, mesmo com a intervenção da escola. Está associada ao meio social onde se insere a família.

Funções afectivas e espirituais

As afectivas, dizem respeito à necessidade de a criança dispor de um ambiente afectivo e acolhedor, para o desenvolvimento harmonioso da sua personalidade. Os psicólogos são unânimes neste ponto e que o papel da mulher é insubstituível. No entanto, noutro plano, o papel do pai e até dos irmãos, se os houver, têm hoje relevância.
Estudos demonstram que o desenvolvimento harmonioso da criança só possível com o contributo destas funções e tendo como referência um pai e uma mãe, nunca dois pais ou duas mães.
As espirituais, dizem respeito, nas famílias em que existem crenças religiosas, de as transmitir aos descendentes, como referência de valores culturais e sociais.

Tendências actuais. A evolução dos papéis sociais e das relações familiares

Nas sociedades democráticas actuais, as transformações tecnológicas, o reconhecimento da igualdade de oportunidades entre os sexos, a primazia das carreiras profissionais, as correntes ideológicas, o relativismo demótico, as condições de vida, o espaço urbano, os comportamentos, a alteração dos valores e padrões sociais de referência, têm levado a um alteração profunda nos papéis e funções desempenhados tradicionalmente pela família.

Estará a Família em completa desagregação? Estará comprometida a educação, a formação e a socialização dos nossos descendentes? Estará, em suma, comprometida a sobrevivência da própria sociedade?

São questões pertinentes que se colocam.

A família conjugal, tal como está a evoluir, encontra-se caracterizada hoje, por uma maior individualização dos personagens, não só em relação aos progenitores, como em relação aos filhos.
Mas é, sobretudo a posição privilegiada do casal que mais se salienta. Parece estarmos perante uma regressão da família como instituição, dando esta lugar a uma união mais livre, entre homem e mulher, sob a forma de um «companheirismo» e baseada apenas no amor recíproco.
Nesta perspectiva, o diálogo do casal e a sua estabilidade emocional, tornam-se os aspectos centrais. Para os filhos é essencial, perante as graves repercussões que podem ter sobre eles, quando há dissociação e desentendimento familiar.

Compreende-se até que ponto são importantes as modificações nas atitudes do homem e da mulher, relativamente à posição desta última na sociedade. As noções de igualdade e liberdade da mulher, expressas pelos dois sexos, constituem o ponto difícil da evolução do casal e da estabilidade familiar.

Por outro lado, se levarmos em conta as mudanças de actividades, de papéis sociais e de relações no interior da família, e as modificações introduzidas nas relações entre o grupo familiar e a sociedade, poderemos ter uma ideia da evolução das estruturas familiares.
 A família deixou de apresentar uma figura tão rígida como outrora; as personagens estão mais desligadas de imagens pré-estabelecidas, que implicavam o desempenho de papéis sociais cujos mais pequenos pormenores estavam socialmente fixados. A vida familiar é, assim, uma perpétua criação.

Por vezes, parece resultar uma incerteza desta situação nova. Inversões de papéis, demissões de responsabilidades e mesmo revoltas são as consequências de transformações demasiado rápidas e da falta de adesão a formas novas.

Reflexão final

A igualdade entre homens e mulheres  não pode ser confundida com a uniformidade total dos papéis sociais, como o pretende, muitas vezes, um feminismo agressivo que, é desejável, para o equilíbrio das sociedades e das relações entre homens e mulheres, de se ver ultrapassado.

E tanto mais desejável quanto os factos demonstram que se está a virar contra ela.

A mulher vai alcançando, em quase toda a parte, uma igualdade de direitos com o homem. Isto não quer dizer que se deva tornar semelhante a ele e muito menos igual a ele.

A mulher imitadora do homem é um modelo que perde toda a sedução para ambos os sexos.
 A igualdade de direitos deixou de parecer incompatível com uma diferenciação profunda, necessária ao diálogo do casal.
A mulher tem um papel a desempenhar em todos os campos: familiar, profissional, político e outros; papel que é tão importante como o do homem; mas imprime-lhe uma nota pessoal diferente.

O estudo das necessidades da Família (necessidades-obrigação e necessidades- aspiração) permite-nos ver até que ponto uma transformação geral das estruturas é necessária para permitir à mulher o desempenho dos seus diferentes papéis, sem ser esmagada por um trabalho excessivo (doméstico, profissional e social).


Em suma, para que a Família cumpra as suas funções essenciais, nas modernas sociedades democráticas, que o mesmo é dizer dos seus protagonistas principais, o homem e a mulher, é absolutamente indispensável, por um lado, o respeito recíproco pelos papéis que cada um deve desempenhar de acordo com o seu género e com a sua estrutura psicológica seleccionada pela Evolução (aspecto muito importante) e uma  adaptação das estruturas da sociedade, que facilite o cumprimento dessas funções.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

[12 de Maio] Demitir Cavaco para salvar a Democracia - YouTube#at=423#!

[12 de Maio] Demitir Cavaco para salvar a Democracia - YouTube#at=423#!


A NOVA SOCIEDADE



Sem dúvida que uma nova e inovadora arquitectura da sociedade é necessária.

E que relegue a partidocracia para segundo plano. A história já demonstrou que o sistema de partidos está gasto, está ultrapassado e gerou péssimos resultados, em todos os tempos.

Não é fácil desenhar um modelo alternativo que corrija as vicissitudes do sistema partidário, porque em todos eles intervem o Homem, com todos os seus defeitos e virtudes, com o seu instinto animal de sobrevivência e muitas vezes pervertido pela sua inteligência.

Mas, o sistema apresentado, aproxima-se muito daquilo que julgo, funcionaria melhor e com mais transparência.
Esta nova Assembleia da República teria a seguinte composição:

- 1/3 dos deputados representando partidos
- 1/3 dos deputados representados por  cidadãos independendes, que aprentariam candidaturas a um juri nacional, a que eu me atrevo de chamar de tecno-políticos, ou seja, que sejam tecnocratas e simultâneamente tenham cultura política, mas independentes dos partidos.
- 1/3 dos deputados eleitos directamente pela população, em sistema de democracia directa.

 O desenho do novo modelo económico e social é também importante, para que garanta a criação efectiva de riqueza e permita distribuí-la com justiça e equidade.
Este vídeo, que hoje surgiu nas redes sociais, é a prova de que a sociedade civil começa a ter consciência de que o sistema por que nos regemos está podre e decadente e originou milhões de excluídos, em nome de um socialismo de que apenas os agentes do sistema e os seus mentores beneficiaram.


Temos de construir algo de novo.

sábado, 5 de maio de 2012

O MITO DO CAPITALISMO


Lembro-me de, já há alguns meses, alguém que se intitulava «trabalhador», ter dito, em estilo de comentário a qualquer coisa que escrevi,  que apenas os trabalhadores criam riqueza.

Não me surpreendeu tal afirmação.

Ela é o resultado da falta de informação, da falta de conhecimento sobre a matéria e também, provavelmente, o resultado de formação sindical inconsistente, enviesada ou mesmo visando objectivos politicamente convenientes.

Mas esta afirmação, encerra também uma outra realidade.

É a que se relaciona com o conceito de trabalhador.

Se, trabalhador é todo aquele que trabalha, então todo aquele que exerce uma função seja ela qual for, numa qualquer Instituição, ou mesmo a título individual, são trabalhadores.

São por isso trabalhadores não apenas os que excutam as tarefas mais elementares de um determinado processo organizacional (industrial, comercial, administrativo, financeiro), como aqueles que, situando-se ao nível intermédio ou de gestão, exercem a função de supervisores, directores, controladores.

Mas, diria ainda mais. Se trabalhador é todo aquele que exerce uma função, também aqueles que, situando-se ao nível do vértice estratégico das organizações, os que exercem as funções de administração (por exemplo o Presidente de um Conselho de Administração e os membros deste Conselho), também são trabalhadores.

E, iria ainda mais longe. Os que, sendo proprietários (sócios ou accionistas) de uma organização e, exercem uma função (e muitos exercem-na), a qualquer nível, também são trabalhadores, também concorrem com o seu trabalho.

Mas, a questão que me leva a esta reflexão é que, o conceito de trabalhador tem vindo a ser associado, pela esquerda política, ao conceito marxista do século XIX, dos primórdios da Revolução Industrial, num contexto, completamente diferente daquele que hoje se vive nas organizações.

No tempo de MARX, o operário fabril, pouco mais era que o servo medieval, descendente do escravo, que veio dos campos feudais, em busca de melhores condições de vida.

Sendo as estruturas organizacionais pouco complexas, a produção era feita à custa de mão-de-obra intensiva, sendo praticamente os operários fabris os únicos que executavam as tarefas (os chamados trabalhadores) e apenas enquadrados por capatazes que controlavam esse trabalho.

Mas, mesmo nesse tempo, já as teorias da administração de Taylor e Fayol, nos falavam de uma função muito importante nas organizações, chamada «Função Administrativa» o que, já nessa altura indicava, claramente, que também havia trabalhadores a exercer essa função e não apenas os executantes das tarefas fabris.

Portanto, trabalhador é todo o funcionário que, numa organização, contribui com o seu trabalho, a qualquer nível, com vista a atingir um determinado objectivo (produção de bens ou serviços).

Mas, voltemos à velha questão de quem produz a riqueza.

Será apenas o funcionário, o trabalhador?

Imaginemos que alguém, com um pequeno lote de terreno, pretendia utilizá-lo para produzir batatas.

Seria possível, a esse alguém, produzir batatas, apenas utilizando o seu corpo, especificamente as suas mãos? Fornecendo apenas o seu próprio trabalho? Obviamente que não. Se o tentasse o mínimo que lhe poderia acontecer era ir parar a um Hospital.

Não podendo utilizar apenas as suas mãos, faltará qualquer coisa para que ele possa produzir as batatas.

O que falta é aquilo que se chama o Capital, não no sentido de dinheiro, mas no sentido de capital económico ou produtivo, no fundo as ferramentas, os utensílios, as matérias-primas, os adubos e o próprio terreno, onde o dinheiro, que alguém disponibilizou (até pode ser o próprio trabalhador), foi aplicado.

Só este Capital Económico, juntamente com o Trabalho, permitem criar riqueza e não  apenas um deste factores produtivos isoladamente.

No caso concreto, no mínimo, com uma enxada (que alguém teve de comprar) e a matéria–prima (a batata-semente) juntamente com a força muscular dada pelo trabalhador, seria possível produzir as batatas.

Este exemplo muito simples, é bem elucidativo, da forma como confundimos o conceito de Capital e de Capitalismo, julgando-se erradamente, que apenas o factor Trabalho produz riqueza.

Vem isto a propósito dos mitos, dos preconceitos que muitas vezes se criam, por errada informação ou errada formação, acerca do Capitalismo.

Em qualquer economia, mesmo na situação extrema de totalitarismo colectivista, há sempre capitalismo, pelas simples razão de que, para se produzir seja o que for, tem de haver concorrência de pelo menos dois factores produtivos: O Capital e o Trabalho.

Sabendo-se à partida, quem fornece o Trabalho (em princípio toda a população em idade activa), coloca-se a questão de saber quem fornece o Capital, ou seja quem dispõe da capacidade de aplicar o seu dinheiro em  bens imóveis e de equipamento (edifícios, terrenos, máquinas, ferramentas, viaturas, computadores, mobiliário, etc.) e ainda disponha de capacidade de gestão.

Nas economias totalmente colectivizadas, esse Capital é fornecido pelo Estado. É o chamado Capitalismo de Estado.

Nas economias mistas (sector público e privado) sãos os cidadãos (inclusive os trabalhadores que disponham de poupanças) e o próprio Estado através da receita dos impostos.

É o Capitalismo Misto.

Conclui-se, portanto que, em qualquer economia, há sempre Capitalismo, tem de haver sempre Capitalismo.

O problema de fundo não é tanto, o fantasma do Capitalismo e do seu mau ou abusivo uso (a Regulação do Estado visa evitá-lo), mas a forma como a riqueza produzida, resultante da intervenção do Capital e do Trabalho,  é distribuída.

É este o problema fundamental que, até agora, mau grado as teorias económicas, desde a «mão invisível de Adam Smith», do liberalismo puro, até aos modernos modelos económicos e sociais, ainda não se conseguiu resolver, de modo aceitável.

É que, em todos eles, existe a intervenção do Homem que, como todos os outros animais, age de acordo com o instinto de sobrevivência mas, que ele Homem, por ter uma inteligência acima da média, muitas vezes perverte, degenerando em oportunismo, inviabilizando e frustrando a sua aplicação de forma justa e equilibrada.

terça-feira, 1 de maio de 2012

CAPITÃES DE NOVEMBRO. OBRIGADO JAIME...


Retalhos de uma Revolução…


Crónica do jornalista «Manuel de Portugal» (pseudónimo), escrita no semanário «O TEMPO» em 18 de Dezembro de 1975, menos de um mês depois da contra-revolução libertadora de 25 de Novembro desse ano.



Manuel de Portugal

«Simbolizavas, Jaime Neves, bravo entre os bravos, Homem que se orgulha dos seus Homens, Homens que se orgulham do seu Homem, simbolizavas o NÃO, possante e viril dum Povo Inteiro que se quer Livre e não Escravo, a Liberdade Nacional face aos Miguéis de Vasconcelos que a outras Espanhas nos querem vender, simbolizavas o Grito, a Raiva, a Força daqueles que amando a Pátria, a não renegam nunca, por um prato de lentilhas, por trinta moedas de prata, por um punhado de rublos, da KGB soviética.

Simbolizavas todos os que contigo estavam na Gesta Heróica de, mais uma vez, libertar a Pátria. Simbolizavas, teus Comandos sem medo. Filhos do Povo, Filhos da Nação, simbolizavas o verdadeiro Espírito Libertador do 25 de Abril, conspurcado por Iscariotes sem nome, sem rosto e sem alma.

Simbolizavas os novos conjurados do novo Dia da Restauração – 25 de Novembro – Eanes, Veloso, Pezarat, Sousa e Castro e tantos outros que não é possível enumerar.

Simbolizavas, Jaime Neves, o Dever e a Honra que a Senhora Tua Mãe te ensinou em pequeno dizendo-te entre canções de ninar, o quanto é Belo e Grande este Nosso Portugal Bem-Amado.


Não, Jaime Neves, não, ninguém negociará este pedaço de chão, que é teu, que é meu, que é dos teus filhos, que é dos meus filhos, ninguém venderá esta Terra nossa, enquanto em cada coração português houver um pouco do Jaime Neves que és, um pouco do teu patriotismo infinito, um pouco do Infinito de Portugal que trazes dentro de ti.


Sim, Jaime Neves, aquele homem do Povo que não viste numa janela da Ajuda, com o filho em frente, com a mulher ao lado, era eu, o Portugal Civil, descobrindo com orgulho que havia ainda, um Portugal Militar para salvar a Pátria das garras interesseiras dos abutres sem lei.

Perante vós, Comandos em luto, descubro o meu respeito, como homenagem profunda pela página da História que com sangue escreveste. Vermelha é a vossa boina. Vermelha é a nossa bandeira. Vermelho é o sangue dos vossos  Heróis, mortos traiçoeiramente por balas assassinas de comunistas sem Pátria.

Sangue de Portugueses derramado por quem, talvez, já nem português se sentisse.

Comandos de Portugal, Orgulho do Povo, Homens de uma só Fé, de um só querer, Homens que não discutem a Nação, que não renegam a História, Homens eternos dum Portugal Eterno, dum Portugal Invencível, dum Portugal Português.

De pé, Comandos de Portugal.

Em sentido. Soam os clarins da vitória, escutai-os perfilados na Parada da Pátria. Para ouvirdes o Obrigado Infindo que vos chega de lés a lés do Portugal Redimido que acabais de libertar.


Para verdes de novo as crianças sorrindo,  com a esperança dum amanhã luminoso e belo. Para verdes um País ao Sol da Liberdade, dispersas por vós com o sangue e com a dor, as nuvens negras da ditadura e da opressão que nos ensombravam ameaçadoras.

Obrigado,  amigos. Obrigado, irmãos. São para vocês todas as palavras que dirijo ao vosso Comandante. Porque nas famílias unidas «quem o meu filho beija, minha boca adoça».

E vocês, Comandos de Portugal, são corpo coeso e disciplinado, onde a camaradagem se tornou moeda corrente num dia fraterno. Como nos Mosqueteiros d´El-Rei «um por todos e todos por um» é o lema da vossa amizade sem fim.

Vertido no campo da Honra o sangue quente dos vossos Heróis, será o exemplo doloroso de que a Pátria Una não admitirá jamais a insídia vergonhosa da traição, nem pactuará no futuro com aqueles que, renegando a independência nacional, não hesitaram em matar Soldados Portugueses, às ordens de países estranhos que, por formas vis de dominação, nos pretendem transformar em satélites obedientes para, nas nossas praias atlânticas, erguerem nova Cortina de Ferro que transforme Portugal num desolado campo de concentração e de morte.

Atentos Comandos de Portugal, para não serdes apunhalados pelas costas.

Olhai de frente a nobreza e o patriotismo do Homem que vos conduz. Pesa sobre os vossos ombros a gigantesca tarefa de continuar Portugal.

E tu, Jaime Neves, Homem do Povo que ao Povo serve, sê apenas aquilo que és, aquilo que mostraste ser na madrugada sangrenta, mas redentora, do 25 de Novembro. Um Português.

Por isso, Jaime Neves, Homem lusíada, Viriato de hoje, eu, Manuel de Portugal, que ao Presidente da República trato por tu, para quem o Primeiro-Ministro simplesmente é o Zé, aqui na praça pública te distingo, primo inter pares, proclamando-te na Inclita Geração do 25 de Novembro como o primeiro que arriscando a vida, salvou a Nação.

E como o primeiro é, por tradição e por norma, o Príncipe da Grei, tiro respeitosamente o meu chapéu, curvo galhardamente minha espinha sempre erecta e com a vénia que os grandes da Pátria merecem, vos digo OBRIGADO, não ao Jaime Neves que foste, mas àquele que pela coragem, pela valentia, pela heroicidade, sagro Cavaleiro do Reino e entra, a partir de agora, na História da Pátria como apenas e só: JAIME DE PORTUGAL».



P.S. – Em homenagem a esse Herói esquecido, a cuja têmpera e determinação se deveu a reposição do verdadeiro espírito do 25 de Abril.

Jaime Alberto Gonçalves das Neves, transmontano de Vila Real, nascido em 1936,  Coronel na reforma e promovido, por distinção em 2009, a Major-General.

A esquerda portuguesa, os tutores da revolução, salvo algumas excepções, sempre se opuseram à promoção de Jaime  Neves a General, porque nunca lhe perdoaram a ousadia de contrariar o Processo Revolucionário em Curso (PREC) e restituir a liberdade ao Povo Português.

Mas, o bom senso acabou por prevalecer.

Em evocação do seu protagonismo determinado na noite de  25 de Novembro de 1975, foi-lhe erigido um monumento em frente à Praça do Campo Pequeno , por ironia do destino, o local onde a ditadura totalitária pretenderia executar a chamada «Matança da Páscoa».

Jaime Neves, vive numa urbanização algures na margem sul do Tejo, concelho do Seixal, onde é meu vizinho, na mesma rua. Teve graves problemas de saúde, mas felizmente ainda está entre nós.








_________________________________________________________________________________

Esta crónica ilustra bem o clima de euforia e de liberdade que se viveu após o pesadelo de Abril.

Mal saberia Manuel de Portugal que, trinta e sete anos depois, o tal pouco do Jaime Neves já dele pouco resta.

Portugal é hoje um país destroçado, sem rumo, sob intervenção estrangeira, com soberania limitada, onde os de fora é que ditam as regras, envolvido numa globalização económica, social e cultural que o prejudicou e onde os portugueses cada vez se sentem mais estrangeiros na sua própria terra.

Um Estado absoluto, uma economia falida, uma justiça de rastos, uma política fraudulenta e, em suma, o atraso de sempre enfeitado com os pechisbeques informatizados de hoje.

Foi para esta glorificação do socialismo “moderado” que se fez o 25 de Novembro? Jaime Alberto Gonçalves das Neves diz que não.

Ele terá a suas razões, eu tenho as minhas.

De nada serviu o 25 de Abril, de nada serviu o 25 de Novembro…

domingo, 29 de abril de 2012

O ESPÍRITO DE NOVEMBRO. OBRIGADO JAIME... (PARTE I)

Retalhos de uma Revolução…


Crónica do jornalista «Manuel de Portugal» (pseudónimo) escrita no semanário «O TEMPO» em 18 de Dezembro de 1975.

Este jornalista assim como Vera Lagoa, eram das poucas pessoas ligadas aos media, que na época revolucionária, ousavam desafiar o regime e por isso sofreram perseguições.

Para que hoje possamos entender o clima de confusão revolucionária vivido de 25 de Abril de 1974 até 25 de Novembro de 1975, data em que ocorreu a contra-revolução, que pôs termos ao desvario totalitário comunista.

O 25 de Novembro de 1975, liderado pelo então Ten. Coronel Ramalho Eanes e pelo seu operacional do Regimento de Comandos, Major Jaime Neves, bem pode considerar-se o verdadeiro movimento militar que repôs a ordem democrática no país e pretendeu devolver a verdadeira liberdade ao Povo Português.

O verdadeiro espírito de Abril, a autêntica liberdade, é nesta data que deviam ser comemorados.

E por isso, devíamos antes comemorar o «Espírito de Novembro» como o sentido da verdadeira democracia e da verdadeira liberdade.
Mas, os donos da revolução, que sempre a tutelaram desde o início, passam pelo dia 25 de Novembro, como se ele nunca tivesse existido, como data histórica.

É deplorável. Para quem, como eu, viveram estes acontecimentos.

Mas, em tudo há sempre um «mas», uma dúvida, uma sombra, uma mancha que estraga tudo.

O poder devolvido aos civis, pelo movimento libertador de 25 de Novembro de 1975, como é apanágio das verdadeiras democracias foi, depois de muitos tumultos, conspirações e incertezas,  aproveitado para, desfraldando bandeiras socialistas,  como impunha a Constituição Revolucionária de 1976, oportunismo, despesismo, manipulação, incompetência, terminando no caos.

A texto de «Manuel de Portugal», escrito na época,  diz bem da mordaça que haviam colocado ao Povo Português.

Vale a pena de ler…


Manuel de Portugal

« Mais vale tarde do que nunca e nunca é tarde para pagar uma dívida, mesmo de gratidão.

Chegou-te a vez, Jaime Neves, de seres alvo desta crónica amiga que devia ser, em boa verdade, duma só palavra, grande, extensa, a toda a largura da página: OBRIGADO.

Há em ti, Jaime Neves, a força dum Povo, a determinação de uma raça, o sentido cósmico de uma espécie. É a tua bravura um Hino de Liberdade. É a tua coragem um sintoma de portuguesismo.

Direito, na torre do Chaimite, quando te vi, no dealbar do 25 de Novembro, a  subir a Calçada da Ajuda, bravo entre os bravos, ouvi dentro de mim, oitocentos anos de História, a bradarem em uníssono: vai ali, Portugal.

E ia!

Ia dentro de ti, Jaime Neves, o peão ignoto de Aljubarrota, pensando na mãe, pensando no filho, segurando firme a longa lança guerreira, determinado e audaz, contra o castelhano invasor da Pátria.  Salvé Jaime Neves de Aljubarrota, Libertador da Grei, companheiro de Nun´Álvares, Homem da Gesta e do Combate.

Ia dentro de ti Jaime Neves, o algarvio da moirama, o beirão entroncado, o minhoto labutador, subindo à enxárcia, puxando a vela, manobrando o leme, na Caravela da Aventura, da Grande Nau da Descoberta, levando por mares nunca dantes navegados, a Cruz de Cristo e as Quinas deste Portugal Cristão, deste Portugal Humano.

Ia dentro de ti Jaime Neves, o patriótico conspirador de 1640, valentia indómita a repelir a traição opressora, certeza lusíada em luta de morte contra os vis interesses de nação estrangeira a tentar dominar a nossa Pátria comum.

Ia dentro de ti, Jaime Neves, o lisboeta sem nome, pimpão afadistado que no Rossio em efervescência, bramava irado contra o Mapa-Cor-de- Rosa e as exigências ofensivas dum Ultimato vergonhoso que menosprezava a dignidade do Portugal de Sempre.

Bravo entre os bravos, Jaime Neves, eras Martim Moniz morrendo no Castelo de S. Jorge, Egas Moniz de baraço ao pescoço, eras Santo António a pregar aos crentes, Capelo e Ivens nas selvas traiçoeiras, Republicano da Rotunda, Liberal do Mindelo, Gomes Freire de Andrade balouçando ao vento, Cronista do Reino, Custódia de Gil Vicente, Profecia de Bandarra, Emigrante Partindo, eras tu Jaime Neves, eras eu, Manuel de Portugal.

Jaime Neves de ontem, Jaime Neves de hoje, Jaime Neves de sempre, Português dos Quatro Costados, Povo Trabalhador, Sábio, Santo, Artista, filhos da mesma Terra, filhos do mesmo Sonho, filhos da mesma Grandeza Eterna que nos chama irmãos, para lá Vida e para lá da Morte.

Simbolizavas, Jaime Neves, bravo entre os bravos, Homem que se orgulha dos seus Homens, Homens que se orgulham do seu Homem, simbolizavas o NÃO, possante e viril dum Povo Inteiro, que se quer Livre e não Escravo, a Liberdade Nacional face aos Miguéis de Vasconcelos, que outras Espanhas nos querem vender, simbolizavas o Grito, a Raiva, a Força daqueles que, amando a Pátria, a não renegam nunca, por um prato de lentilhas…»



Continua… (PATRTE II, a publicar brevemente)