segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

FICÇÃO CIENTÍFICA: A SOCIEDADE HOMOSSEXUAL «J» DO FUTURO

 
 
 
«Os estudos mais recentes indicam que, embora as experiências de vida possam concorrer para que alguém se torne homossexual, os fatores biológicos, decididamente, têm um papel nesse processo. Uma pesquisa divulgada na semana passada, feita pelo Stockolm Brain Institute, do Instituto Karolinska, na Suécia, foi recebida pelo meio científico como a prova mais consistente até hoje do peso do fator biológico na homossexualidade. A conclusão da pesquisa mostra que o cérebro de pessoas homossexuais se assemelha mais ao de indivíduos do sexo oposto do que ao de heterossexuais do mesmo sexo.
As pesquisas que chegaram a essas conclusões, no entanto, não tinham como afirmar se as diferentes formas de reagir dos cérebros homo e heterossexual se deviam a razões biológicas ou resultavam da aprendizagem. O estudo do Instituto Karolinska joga a favor da primeira alternativa.
Pesquisas que atribuem origens biológicas ao homossexualismo costumam causar controvérsia entre pessoas que se relacionam com o mesmo sexo. Parte da comunidade gay avalia que elas são positivas porque mostram que o homossexualismo é uma característica inata, tanto quanto a cor dos olhos, e, portanto, algo natural. Mas há quem entenda que essas pesquisas podem levar à conclusão de que o homossexualismo é uma anomalia, uma doença hereditária. Os que partilham dessa opinião temem que se instale a eugenia sexual, com tentativas de intervir nos embriões para prevenir o nascimento de homossexuais».

 
 
 
 
FICÇÃO CIENTÍFICA: A SOCIEDADE HOMOSSEXUAL «J» DO FUTURO
 
 
Depois da bola, do panteão e do degradado bordel em directo da Teresa Guilherme, está agora nos top da sociedade portuguesa, a questão dos homossexuais e das suas adopções de crianças.
São estes os grandes temas da actualidade nacional, são os ópios do povo e os avultados proventos para os cartéis da finança. É tudo o que interessa ao regime: adormecer o pessoal e ganhar dinheiro.
É estranha esta insistência mórbida dos larilas, pela adopção das crianças dos outros, quando eles próprios que as podiam fazer, não as fazem, por opção pessoal de vida.
Uma coisa é certa: sem reprodução não há continuidade das espécies animais e vegetais do Planeta, não haverá também continuidade da espécie humana.

É um facto incontroverso, indesmentível.

E a descoberta da clonagem, para além de antinatural e levantando sérios problemas éticos, as criaturas animais ou humanas daí resultantes, são frágeis, doentes e com uma expectativa de vida muito inferior à normal.
O caso da ovelha «Dolly» é um exemplo desastroso do que foi essa experiência.
Ninguém tem o direito de condicionar ou destruir a vida de outrem.

Mas, esta insistência, esta agenda permanente, nos media, nas telenovelas, nos shows televisivos, nas escolas, na boca dos comentadores, nas revistas, nas redes sociais, na mente obtusa das formações partidárias da esquerda à direita, a defesa e propaganda da homossexualidade, como uma coisa normal, uma virtude, um direito, um bem supremo da sociedade, conquistado com a liberdade de Abril, é estranha, muito estranha.

Como a homossexualidade não é reprodutiva, numa sociedade em queda demográfica acentuada e já com graves desequilíbrios de sustentabilidade futura, esta agenda permanente da homossexualidade, para além de muito estranha, parece que toda a sociedade entrou numa espiral de demência e irresponsabilidade colectivas.
Parece que a cultura, a moda e o pós-modernismo que comanda o comportamento duma geração, nestas primeiras décadas do século XXI, estão a impor, por mero egoísmo e capricho, um fatalismo terrível às gerações vindouras.
Uma geração que, apostada não apenas em viver o seu mundo, o seu utópico modo de vida, no curto espaço da sua existência temporal, mas tenta impor por todos os meios a cultura da homossexualidade, como a grande corrente cultural do século XXI e age coagindo, condicionando e insultando a própria natureza, apelidando-a de preconceituosa.
Sim, para eles a Natureza é preconceituosa, por ter, ao longo de milhões de anos formatado geneticamente a evolução da vida neste Astro do Sistema Solar, segundo um padrão heterossexual.
Para eles o heterossexual é um preconceituoso, por se «orientar» sexualmente segundo o padrão reprodutivo.
Mais uma vez e como vem sucedendo ao longo desta Era, que começou sensivelmente em 1500, de decadência da civilização ocidental, são as minorias sociais influentes que impõem e comandam a cultura prevalecente numa época, sobrepondo-se aos interesses das maiorias sociais.
Mais uma vez, são os interesses egoístas individuais de pessoas influentes, que prevalecem sobre os interesses colectivos, estes sim, os que deviam ser efectivamente protegidos pelo poder político.
Mas, é exactamente o contrário, talvez por ser este também o seu modo de vida, o poder político faz o jogo das minorias, impondo os seus pontos de vista ao conjunto da sociedade.
Impõe as regras para o presente e para esta geração e deixa entregue aos bichos as gerações futuras e os gravíssimos problemas que terá de enfrentar.
Talvez por isso, e não só, esta geração tenha sido a mais egoísta de sempre, por só ter pensado em si própria!
Mas, a hipótese, aparentemente utópica e do domínio da ficção, que deixo aqui em aberto, nesta reflexão, é a de, sem ainda termos dado conta, o padrão genético reprodutivo na espécie humana, já se ter entretanto alterado e, por via de um comportamento homossexual cada vez maior, de geração para geração, a mutação pode ter-se operado em muitos indivíduos como forma de adaptação da natureza aos comportamentos e modos de vida da espécie humana.
Esta hipótese confirma a existência de indivíduos homossexuais, com esta tendência, machos e fêmeas, desde tenra idade, cada vez em maior número, na espécie humana, sem explicação aparente.
Estudos efectuados já algumas décadas (anos 80 e 90 do século passado), demonstravam a não existência desta mutação genética na espécie humana, ou seja, tanto o homossexual macho como o homossexual fêmea, mantinham a sua estrutura cromossómica intacta.
A tendência assumia-se como uma variante do prazer, que alguns indivíduos, gostavam de praticar e como um simples produto cultural da sociedade.
No entanto, sabe-se que a natureza e os indivíduos adaptam-se conforme as circunstâncias e comportamentos repetidos em gerações sucessivas, e bem podemos estar, dada a frequência e prevalência de indivíduos homossexuais, cada vez maior na espécie humana, perante uma verdadeira mutação genética.
Estudos mais recentes apontam nesse sentido, como se pode inferir do texto acima transcrito,
 

Se assim for, uma parte da espécie humana pode estar ameaçada de extinção e desaparecer dentro de alguns séculos, nas sociedades onde a prevalência desta mutação for maior (civilização ocidental) originando entretanto graves desequilíbrios e conflitos nas sociedades.
 
Se assim for, bem se pode dizer que a Natureza poderá já ter desenvolvido, no seu processo de evolução, uma forma de eliminar uma boa parte do Homem da face da Terra, o mais predador, perverso e destruidor de todas as espécies e devolvê-la exclusivamente às outras que, em geral, vivem segundo a evolução e seu habitat natural.
Esta hipótese é ficção.
Cabe à ciência investigá-la.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O ACTIVISMO DO POVO PORTUGUÊS




Desde há muito que corre a ideia de que o Povo Português já não quer ouvir falar de partidos, tais os prejuízos e danos que causaram à Nação.
Sempre ouvi dizer isto mas, cada vez tenho mais dúvidas.
O que constato é que o Povo Português é avesso a mudanças, não gosta de alterar o «status quo» por muito mau que ele seja. Adapta-se, desenrasca-se como é sua cultura.

Ou, como frequentemente acontece, vinga-se, abstendo-se, o que é um erro colossal, pois só reforça o poder dos partidos existentes.

O que se verifica é que o Povo Português é uma manta de retalhos, extremamente heterogéneo, desde os filiados e simpatizantes, até aos inconscientes e abstencionistas
Mas há uma camada, por vezes esquecida, mas influente, que se encontra fortemente ligada aos partidos, aos seus tentáculos locais e regionais, por pequenos interesses instalados e de que tira algum proveito, o que torna inviável qualquer ruptura.

O que se observa, na realidade, é que, em geral, o Povo Português não abandona os partidos tradicionais, sempre se manteve e, tudo indica, se manterá, fiel aos mesmos. Pelas razões atrás apontadas e porque não gosta de mudar, é avesso à mudança.
Prefere a paz, a tranquilidade, mesmo nas situações mais adversas. Aguenta e desenrasca-se, como é sua cultura. Só olha para si e trata da sua vida.

E já temos provas no passado, desta atitude, quando um novo partido surgiu, O PRD (Partido Renovador Democrático) patrocinado pelo Gen. Ramalho Eanes e que pretendia renovar o sistema político, face à governação desastrosa do Partido Socialista, nos anos 80 do século passado.

A convicção corrente de que o Povo Português está farto de partidos, tem de ser encarada com muita reserva.
Iniciativas recentes da sociedade, não tiveram eco no Povo Português, o que parece confirmar esta tendência para a inépcia e o deixa andar.
Muita gente não sabe, nem nunca soube, o que está a acontecer ao país. Apenas protesta porque a tesoura lhes está a cortar os proventos habituais. Mas não sabe porquê.
 
A questão é esta:
Se não temos Povo que, de forma activa, se mobilize em torne de projectos credíveis para mudar Portugal  e, em larga medida, não entende o que se está a passar, estamos perdidos e seremos todos cúmplices de continuarmos vítimas, cada vez mais reprimidas e exploradas pela ditadura partidária.

Se assim for, não nos poderemos, no futuro, queixar, e teremos aquilo que merecemos.

domingo, 5 de janeiro de 2014

O BURRO DE MIRANDA

 
 


 
Uma vez mais, Portugal foi alvo de sátira internacional.
 
Desta vez do New York Times, que comparou o nosso país ao burro de Miranda, porque, tal como este, ameaçado de extinção, tem de viver sempre de apoios e de subsídios que, de fora, lhe têm sido concedidos.
Mais uma vez são os outros, os de fora, a criticar o resultado da irresponsabilidade que tem reinado impune no nosso país.
 
Uma vez mais, como em muitas ocasiões no passado, são os de fora a chamar-nos a atenção para a letargia e inépcia em que temos estado mergulhados.
Parece que em Portugal, cada um trata de si, cada um desenrasca-se como pode, cada um só vê pelo ângulo estreito do seu mundo particular, cada um de nós perdeu a noção do geral, do conjunto, da comunidade a que pertence e do estado em que ela se encontra.
 
Mas, o que é mais grave não é a perda da visão de conjunto de cada um de nós, enquanto cidadãos, o que tem sido extremamente grave é essa perda de visão colectiva que os nossos governantes sempre evidenciaram, ao longo de décadas, também só olhando para si próprios, para o seu mundo particular.
Esses sim foram os verdadeiros responsáveis. E, como sempre, responsabilidades não há, nem nunca houve.  Em Portugal a culpa sempre morreu solteira.
Sempre as mãos de Pilatos foram lavadas nas mesmas águas. A culpa é sempre dos outros, ou não é de ninguém.
Uma vergonha!
 
E assim continuamos à deriva, sem rumo, sem norte, sem liderança que esteja à altura de, uma vez por todas, acabar com estes ciclos de permanente dependência do exterior.
Que nos enterram cada vez mais e que, no limite, nos podem conduzir a formas de dependência e opressão irreversíveis.
Falamos muito, temos soluções miraculosas para tudo, mas só na ponta da língua.
De resto, deixamos andar, esperando pacientemente que o burro seja alimentado com a palha dos  subsídios e se vá aguentando sem que o dono se preocupe muito com ele.
O que é preciso é ir andando e que a «massa» vá chegando…
 
O que é preocupante é que, no geral, o comportamento do país e dos governantes, desde há séculos, tem sido sempre assim.
Desde as coloniais especiarias da Índia e do ouro do Brasil, até às remessas dos emigrantes e aos fundos comunitários, foi sempre assim.
Tudo desapareceu como fumo!
Qual tacho de mel que, de tanto lamber, sempre se rompeu o fundo!
 
Mas, o que é que se passa connosco? Algum gene defeituoso que nos impede de sair deste sinistro ciclo?
É preciso investigar a causa do mal português, porque assim não podemos continuar. E, se necessário, efectuar a imperiosa mutação genético/cultural, que corrija esta anomalia secular.


domingo, 22 de dezembro de 2013

VALE MAIS UM DIA NAS CARAÍBAS, DO QUE TRINTA NA FONTE DA TELHA?

Alguém, do nosso mundo artístico, há uns anos, fez esta afirmação num programa televisivo
Alguém, também do mundo artístico, há uns anos,  afirmou que «O QUE TEM DE SER TEM MUITA FORÇA»
Estas afirmações, aparentemente inofensivas, carregam em si, uma enorme carga emocional e até ideológica.
 Aparentemente inofensivas e ditas em contexto humorístico, dizem muito, de muita coisa.

Desde logo a diferença entre qualidade e quantidade e depois das próprias virtudes da democracia.

Todos temos acreditado, todos interiorizámos o carácter quase sagrado do conceito de democracia, tradicionalmente aceite. É quase algo indiscutível, intocável, inquestionável.
Na verdade, também alguém afirmou que «a democracia é o melhor do pior dos regimes», deixando transparecer a ideia de que todos os regimes são maus, não há regimes ideais e que, a democracia, ainda assim, é o menos mau.
Mas, sendo um mal menor, conclui-se que a democracia, também não é o regime ideal, tem defeitos, tem falhas, tem zonas cinzentas, é manipulável e, acima de tudo, pode não garante a qualidade das decisões.
De facto, as decisões baseadas apenas no número, de forma nenhuma garantem a qualidade das decisões. Garantem a quantidade, mas podem não garantir a qualidade.
A democracia sendo o regime do número apenas exprime vontades, interesses pessoais ou de grupo,  gostos pessoais e muitas vezes, disperso no número, diluído no número, sem peso nem expressão, pode estar uma, ou várias excelentes ideias que, por muita qualidade que tenham, nada valem, ante a poderosa dimensão do número, a expressão da democracia.

Por isso a democracia, não é o regime ideal, nem sequer o regime razoável, nem sequer o aceitável, porque exprime apenas o peso colossal do número. A Lei de Gauss, confirma-o.

Mas, é um mal menor.

À falta de uma boa qualidade de uma decisão, pelo menos, os egos pessoais ficaram satisfeitos, as opiniões técnicas ou não, ideológicas ou não, expressas pelo número, ficaram satisfeitas e é quanto basta, não importam as consequências.

Por isso, é preciso que as sociedades e os regimes políticos reflictam sofre os defeitos e virtudes das democracias e passem a tomar as decisões, num patamar mais elevado e elaborado do processo decisório, de forma a que as decisões possam reflectir, não apenas o número, mas também o peso da qualidade.
Tudo aponta, assim,  para bem das sociedades, para a necessidade de uma reformulação e aperfeiçoamento do conceito tradicional de democracia.

sábado, 21 de dezembro de 2013

A GUILHOTINA DA HISTÓRIA




O Tribunal Constitucional chumbou o corte nas pensões dos aposentados da Caixa Geral de Aposentações.
Fez o seu trabalho, nada a objectar. Os fundamentos estão na Constituição.

Mas, todas as medidas de austeridade, todas as medidas que, num prazo diminuto de três anos o país foi forçado a aplicar, para ajustar um desajustado e desastrado modelo de desenvolvimento, bem ou mal, por agora pouco importa, foram consequências, foram efeitos de causas muito profundas, de que o país não soube cuidar.

E o país não soube cuidar, não por culpa do Povo, mas pelos representantes por ele eleitos que, lavando as mãos uns atrás dos outros, não assumiram a responsabilidade pelo mal que fizeram a este Povo e a este país.

Há sempre uma desculpa, ninguém assume.

Aqueles que, numa primeira linha de responsabilidades deviam ser responsabilizados e condenados pelos péssimos serviços que prestaram ao país e pela ruina a que votaram este Povo, esses, são os primeiros a descartar-se, a descontrair-se e entrar no cortejo, como dizia Confúcio.
Não é nada com eles. Para eles nada aconteceu. Quem vier a seguir que feche a porta e o assunto está resolvido.

As pensões têm de ser cortadas, os salários diminuídos, os impostos têm de aumentar, toda uma série interminável de penalizações sobre dez milhões de almas que nada tiveram a ver com o assunto e apenas confiaram os destinos do país nas mãos de energúmenos, que outro nome não têm.
O país faliu, não há dinheiro, dizem vozes insuspeitas, e por isso a austeridade e o castigo do Povo são uma inevitabilidade, à bruta, a eito, cegamente, sem se cuidar das consequências para vidas formadas em expectativas, que os próprios carrascos do Povo lhe criou.
Não há dinheiro, é verdade. Mas, porque razão não há dinheiro? Alguém pergunta? Muito poucos.

O afirmar-se que não há dinheiro não pode justificar tudo. Temos de nos interrogar,  qual a razão, porque um país, com os recursos de que dispõe, mais do que suficientes para gerar muito dinheiro, foi à falência, o dinheiro desapareceu e continua a desaparecer.
É preciso que uma auditoria às contas do país, ao défice do país, à dívida do país, em quarenta anos de democracia, apure responsabilidades e sejam identificados os mentores do descalabro, internos e externos.

Não basta dizer que não há dinheiro, dar o facto como consumado e vir depois pedir, exigir a dez milhões de pessoas que entrem com o dinheiro que falta, destruindo vidas, e causando graves estragos ao sistema económico e social do país, quando se sabe que grande parte desse dinheiro, está sair do país para pagar os custos astronómicos de uma dívida, que os políticos contraíram sem aval do país, para satisfazerem os seus devaneios.

Bastava que os encargos, os juros da dívida pública portuguesa fossem reduzidos a metade, para que muitos cortes em pensões e salários e aumento de impostos fossem evitada e ainda haveria alguma margem para estimular as funções sociais do Estado.
O que o Tribunal Constitucional devia ter feito, além de chumbar o corte nas pensões, era ter incluído no Acórdão, a identificação da responsabilidade civil e criminal para quem geriu tão mal o Estado e o país, que ocasionou a ruptura dos fundos de pensões para os quais os cidadãos agora penalizados descontaram, quebrando a confiança no Estado e seus agentes.
A guilhotina da História não pode cair sempre sobre a cabeça dos mesmos, é preciso inverter o sentido da lâmina e que os responsáveis de outrora, agora armados em carrascos do Povo, também ponham a cabeça no cepo e assumam as suas responsabilidades.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

IDEIAS BASE SOBRE A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA

 
 
 
 
 
S O D E P A R
 
 
 
 


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

OS NOVOS GUETTOS EUROPEUS OU A PROFECIA DE BUKOVSKY




Cada vez mais se avolumam os factos que comprovam que a entrada de Portugal na União Europeia, foi um erro e um embuste.
Desde o ilusório crescimento da primeira década após a entrada na então CEE em 1986, impulsionado por factores diversos, alguns durante o período do chamado cavaquismo (1986-1995) e outros por impulso na própria União Europeia, em particular do eixo franco-alemão, até à entrada na moeda única em 2001, Portugal só perdeu com a entrada na UE.
De facto, neste período que se seguiu à segunda bancarrota, em 1983 – 1985, pela mão de Mário Soares, então primeiro-ministro, a que se seguiu o cavaquismo, a ilusória aparência de prosperidade, foi devida essencialmente a uma conjuntura mundial favorável, que alterou as relações de troca a favor de Portugal (grande diminuição dos preços do petróleo e a desvalorização do dólar) e factores internos igualmente favoráveis, designadamente o avultado investimento estrangeiro, a chegada das primeiras tranches dos fundos comunitários e a desvalorização deslizante do escudo, realizada por Cavaco Silva, então primeiro-ministro.
Nesta altura ainda tínhamos soberania monetária e o país podia jogar com a desvalorização cambial, como forma de tornar a economia mais competitiva.

Mas, foi ainda durante este período e em parte durante o consulado de Guterres, que o pior aconteceu.

Esta aparente prosperidade que nos fascinou, deixou-nos suficientemente embriagados para não termos dado conta da sinistra ofensiva da Europa Central, via Comissão Europeia, que a patrocinou  e que consistiu em obrigar Portugal e desmantelar e destruir os principais recursos económicos que eram o sustentáculo da sua riqueza: a agricultura, a pesca e a indústria.
A troco de subsídios efémeros, isto é, que pouco perduram no tempo, como contrapartida.

Foi o primeiro embuste.

A estratégia era óbvia: criar no sul da Europa mercados de exportação para os países do centro, por via do desmantelamento dos principais recursos daqueles e da sua consequente dependência de importações.

A curva de rendimentos daqueles países começa a subir, impulsionada por esta estratégia, enquanto a dos países do sul, desce cada vez mais, tornando-os deficitários e cada vez mais endividados.
O aparente sucesso de Portugal por via dos factores externos apontados e alguns internos favoráveis, porque ainda tinha autonomia monetária, foi totalmente anulado pela astuciosa estratégia europeia.

Para a UE foi uma sucesso, para Portugal foi o princípio do fim.

Mas, o aprisionamento total do país, viria a seguir, com a entrada na moeda única, o euro, em 2001 e com a vinculação do país ao tratado orçamental.
Não só perdemos a soberania monetária, mas também a orçamental. Portugal deixa de ter moeda competitiva nas trocas comerciais e passa a utilizar uma moeda cuja cotação foi fixada igual à do marco alemão, ou seja, uma moeda que vale duzentas vezes mais que o escudo.
Portugal passa a utilizar uma moeda demasiado forte nas trocas comerciais, tornando as importações mais baratas, mas tornando as exportações muito mais caras, ou seja, criou-se, apenas por este mecanismo, uma situação extremamente desfavorável para o país, dificultando extremamente as exportações, dada a nossa fraca capacidade económica e tecnológica e por via do baixo custo das importações, tornando o país extremamente dependente de produtos importados.
O resultado prático desta política europeia, foi o agravar do défice comercial, fazendo diminuir o Produto Interno Bruto do país e gerando um progressivo endividamento, financiado em boa parte pelos países que congeminaram a estratégia e em que Portugal caiu.

Para além da incompetência e servilismo dos nossos governantes que, completamente acocorados, aceitaram tudo isto, extremamente mal negociado e caíram na tentação fácil dos fundos comunitários, muito mal aproveitados, como forma de gerar rendimento interno que, de outra forma não era possível gerar, entraram na loucura do betão, dos investimentos em obras públicas não reprodutivos e sem efeito multiplicador na economia e pior do que tudo, perante a insuficiência de meios financeiros, a negociação de ruinosas parcerias público-privadas, criando novas dependências e sobrecarregando um erário público já deficitário.

Era óbvio que Portugal bateria no fundo.

A entrada em insolvência era inevitável, perante o enorme endividamento, a fraca capacidade económica, cada vez mais débil, perante um quadro extremamente desfavorável em todos os sentidos, contrastando, paradoxalmente, com uma histeria despesista pública nunca vista, ignorando tudo e todos.
Surge então a ameaça final: a austeridade sem fim, para durar décadas. Cega, não negociada, servil e acocorada. Bons alunos para desgraça alheia. 
É esta austeridade forçada,  a que este povo e outros povos da Europa, estão a ser condenados, que nos faz temer o pior. Primeiro a Grécia, depois Portugal, depois Chipre, Malta, Espanha Itália…
A estratégia europeia de dominação dos povos do sul, começa a tomar forma e novos guettos começam a desenhar-se no horizonte. Zonas do sul descriminadas, marginalizadas, empobrecidas, dominadas.

É esta a União Europeia que queremos construir? Categoricamente não!

Quase todos os dias, novas normas, novas imposições, novas restrições, asfixiam e tornam a vida impossível aos povos europeus do sul, em que muita da sua população já luta por sobreviver.
A uma estratégia concertada de dependência comercial e de destruição das nossas infra-estruturas económicas, em simultâneo com a transferência de fundos para o país, pretensamente para nos aproximarmos dos países mais desenvolvidos, seguiu-se um endividamento galopante, em boa parte tendo como credores os próprios mentores dessa estratégia.

Portugal está amarrado e cercado por todos os lados. Encontra-se completamente dependente.
O culminar da estratégia europeia, em simultâneo com a nossa incapacidade interna para reagir e inverter o rumo a tempo, chama-se AUSTERIDADE, austeridade para décadas, amarrados à dívida, amarrados ao défice, amarrados à normas anacrónicas europeias que só nos prejudicam, amarrados a uma moeda não competitiva para o país, que só beneficia os países economicamente mais fortes.

Receio bem que se cumpra a profecia de Bukovsky, segundo a qual a União Europeia se poderá transformar numa nova União Soviética, em que o papel da Rússia irá ser desempenhado pelo eixo franco-alemão e os países periféricos do sul transformados em repúblicas soviéticas anexadas.

E, em perspectiva, novas formas de dominação e opressão.

Por isso, mais do que nunca, faz todo o sentido, questionarmos a nível nacional a nossa permanência na União Europeia e começar a preparar a saída.

Mas a estratégia terá de ser concertada com todos os países do sul, única forma de, unindo esforços, se obter a força suficiente para intimidar as zonas central e norte da Europa.

A cisão poderá ser uma solução e uma nova comunidade económica (não política) dos países do sul, começar a tomar forma e tirar daí as vantagens comerciais em toda a bacia do mediterrâneo, com uma moeda competitiva a nível mundial.