sábado, 3 de maio de 2014

SAÍDA LIMPA, SAÍDA SUJA

 
 
Quando um país, entregue a governantes, que têm tanto de incompetentes, como de mentirosos e oportunistas, é obrigado a pedir um resgate financeiro internacional, para poder sobreviver, a entrada nessa situação de dependência, de humilhação nacional e de perda de soberania, é sempre suja.
A saída de uma situação que, por si própria já é suja, também só pode ser suja.
 
Não se pode sair limpo de uma situação suja.
O termo das avaliações da troika a um programa severíssimo de austeridade, que o país foi obrigado a suportar, deixando de rastos a grande maioria da sua população, nunca pode ser considerada limpa a situação que se lhe segue.
 
A situação em que vamos entrar, de regresso aos mercados a taxas mais baixas, significa que vamos continuar a mendigar, a pedir emprestado a especuladores e agiotas , a engrossar a dívida e os seus custos, para podermos continuar a viver, nunca será limpa, é suja e bem suja.
 
Contrair dívida para pagar dívida e financiar os défices de produção e de criação de riqueza, que o país nunca conseguiu superar, mercê de um modelo de desenvolvimento errado, gasto e ultrapassado, por cega obediência a referenciais ideológicos, continua a ser uma situação suja, perigosa e que vai certamente por em causa o nosso futuro colectivo.
 
Falar o governo, embandeirando em arco, em saída limpa do programa da troika, é uma qualificação que não podia ser mais  infeliz, e nunca deveria ter sido invocada, por respeito ao povo português e que apenas serve para o enganar e perturbar ainda mais a sua mente.
Os políticos que protagonizaram todo o descalabro das finanças públicas, durante décadas, deviam ter vergonha.
As suas mãos estão sujas e bem sujas, algumas de sangue.
O legado que deixaram aos governados e seus descendentes, foi de destruição, foi o de comprometerem e alienarem todo o futuro colectivo de uma Nação.
Por todo este legado de destruição, que nos deixaram aqueles em quem confiámos o nosso voto, somos irremediavelmente confrontados com a grande realidade com que nos deparamos hoje:
 
- O referencial ideológico da chamada esquerda socialista, o grande mote da ala moderada da revolução de 1974 e consubstanciada na ordem partidária, pelos partidos socialista e social-democrata, fracassou estrondosamente, por ter fracassado o modelo económico e social dele resultante.
É um facto incontroverso.
 
E que foi agravado substancialmente, pelo negócio intermediário do Estado e seus agentes, ligado e coligados ao poder económico favorecido,  que bem se aproveitaram das suas fragilidades.
A terceira bancarrota, em quarenta anos de regime de Abril e a dura provação a que teve de se sujeitar o povo português, são a prova provada de que o Abril, mesmo o regenerado,  fracassou.
Mas fracassou também este modelo de democracia que, ludibriando o povo português, se transformou numa quase ditadura, fragilizando o poder do voto, e tornando-o cada vez mais inútil.
 
O sistema e o regime precisam, por isso, de ser urgentemente reformados.
 
Continuar a insistir nele é insistir nas grandes desigualdades sociais, na pobreza e na miséria, no desemprego em massa, no regresso da emigração, na ignorância, na subserviência, nos jovens sem futuro e a viver na casinha dos país, no sub-desenvolvimento, em suma sem futuro colectivo digno.
Estará o povo português à altura de protagonizar a reforma do regime? Terá o povo português de hoje, capacidade para interiorizar a necessidade dessa mudança, depois de quarenta anos de intoxicação ideológica no «politicamente correcto» e no dogma do socialismo de Abril?
 
Enquanto estas questões não tiverem resposta,  A NOSSA SAÍDA, SEJA DO QUE FOR, NUNCA SERÁ LIMPA!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ABRIL 74 - É TEMPO DE VIRAR A PÁGINA

 
 
 
 
 
O espírito original da revolução de Abril de 1974, embora com antecedentes ligados a reivindicações corporativas, foi genuíno: democratizar, instaurar as liberdades cívicas, desenvolver o país, descolonizar.
 
 
Estes objectivos constavam da Proclamação ao país, nesse dia 25 de Abril de 1974, pela então Junta de Salvação Nacional, presidida pelo General António de Spínola.
 
Todos os protagonistas, incluindo aqueles que fizeram a revolução, têm, em maior ou menor grau,  culpa no rumo que levou o país.

Desde logo os militares, porque, ingenuamente  se dividiram e radicalizaram em opções ideológicas antagónicas, muitos manipulados e instrumentalizados por forças totalitárias oportunistas, da esquerda radical portuguesa.
Opções  ideológicas, áreas onde nunca se deveriam ter imiscuído, pois não era essa a sua vocação, enquanto militares do activo.
 
O capitão Salgueiro Maia, cujo contributo para o golpe militar fora decisivo,  foi das poucas excepções: cumpriu a missão de que estava incumbido e regressou à sua unidade militar. Dever cumprido. Por isso, não teve o protagonismo que outros tiveram
Honra seja feita à sua memória!
 
Não se cuidou, como se impunha, dados os enormes interesses envolvidos, de uma descolonização programada, cuidada, que salvaguardasse os interesses das partes e compensasse, minimamente, treze anos de esforço de guerra.

Por isso, o caos e a guerra se instalaram de novo em África, durante décadas, com prejuízos humanos e materiais incalculáveis. Os portugueses que viviam em África foram obrigados a uma debandada precipitada e ficaram despojados de tudo o que possuíam.
 
O então Movimento das Forças Armadas dividiu-se em facções , umas moderadas,  outras colocaram-se ao lado das correntes comunistas, de inspiração soviética, que pretendiam impor a Portugal a Ditadura do Proletariado.
 
Desde logo, a facção radical, instrumentalizada pelo partido Comunista Português , tomou a vanguarda da revolução, tentando eliminar a facção moderada, imediatamente rotulada de fascista e reacionária, epíteto que ainda hoje prevalece, para assassinar adversários políticos.
 
Tudo servia de argumento para eliminar os moderados. Inventaram-se intentonas, forjaram-se assassinatos em massa na praça de touros do Campo Pequeno em Lisboa, conhecidas como «Matança da Páscoa».
 
Os moderados sentindo-se ameaçados, tentaram travar a deriva revolucionária comunista e repor o espírito democrático inicial da revolução. 
Em 11 de Março de 1975, ocorre a primeira  tentativa falhada, A facção moderada, liderada pelo General António de Spínola, exila-se em Espanha e forma o Movimento Democrático para a Libertação de Portugal, reúne forças, e promete avançar sobre o país.
 
Livres  dos adversários, os militares comunistas, de várias tendências, imprimem à revolução uma deriva e loucura nunca vistas, conhecida como Verão Quente de 1975.
O general Otelo Saraiva de Carvalho, desloca-se a Cuba e aconselha-se com o o seu camarada Fidel Castro, «El Comandante».
 
O General Vasco Gonçalves de tendência comunista, conhecido como Vasco o Louco, ou Camarada Vasco, é nomeado 1º Ministro e inflama o país com os seus discursos revolucionários sobre a Batalha da Produção e a Reforma Agrária e ameaçando  os fascistas, reaccionários e contrarrevolucionários, isto é, todos os opositores.
A chamada «CASSETE» comunista, nasce aqui, com Vasco, o Louco. Foi a cartilha aprendida de Cunhal. 
 
As sedes do Partido Comunista no norte do país, são incendiadas e o seu recheio é queimado na via pública. É a reacção do Povo do Norte à intentona comunista.
 
O Governo da União Soviética regozija-se com os acontecimentos que estão a ocorrer em Portugal e já sonha com uma testa de ponte do comunismo soviético, na ponta mais ocidental da Europa.
 
O Circo de Moscovo instala-se em Portugal para uma série de espectáculos em homenagem e honra à revolução portuguesa.
Durantes os espectáculos, o apresentador incita frequentemente a assistência portuguesa a saudar Moscovo: «Saluté Moscovo!», dizia.  A assistência, fascinada, repetia em uníssono, o slogan.
Santa ingenuidade...!
 
 

Os EUA e alguns países da Europa, designadamente a França, ameaçam Portugal de invasão, se não for parada a implantação do Partido Comunista, liderado por Álvaro Cunhal, em Portugal.
 
 
Perante a ameaça, nas assembleias das unidades militares, em que todos os militares eram obrigados a participar, sob pena de saneamento selvagem, o termo «COMUNISMO» começa a ser substituído pelo termo «SOCIALISMO».
O Oficial Revolucionário, Guarda Vermelho da Revolução Portuguesa,  que lidera a assembleia, informa os presentes de que «O MÁXIMO ATÉ ONDE PODEMOS IR É O SOCIALISMO...». Como capitão, que era nessa altura, testemunhei pessoalmente estes factos.
 
Mário Soares, do partido socialista, mobiliza a população de Lisboa na Alameda D. Afonso Henriques e, num discurso inflamado, declara que está em marcha a implantação de uma ditadura comunista em Portugal.
No meu ponto de vista, foi das poucas atitudes sensatas deste senhor chegado a Santa Apolónia (Estação Ferroviária de Lisboa), com uma Bíblia Moderada da Revolução.
 
O golpe bem sucedido de 25 de Novembro desse mesmo ano de 1975, liderado pelo então Ten. Coronel Ramalho Eanes põe, definitivamente, termo ao desvario revolucionário. Segue-se uma via moderada, coordenada por um Conselho da Revolução
e, entra-se na fase da entrada em cena dos partidos.
 
Os militares mais radicais, liderados por Otelo Saraiva de Carvalho, não desarmam, formam grupos terroristas (Forças Revolucionárias 25 de Abril, vulgo FP-25)  apoderam-se de armas militares e dedicam-se à prática de atentados terroristas selectivos.
Muitos civis radicais, aderiram a estes grupos terroristas, entre eles a hoje médica, Isabel do Carmo.
Muitas pessoas, consideradas «fascistas» são assassinadas.
Otelo é julgado e preso. Mário Soares indulta-o e é posto em liberdade.
 
 
Com mais discurso ou com menos discurso na Assembleia da República, nada já consegue repor o espírito original da revolução,  desvirtuado, pervertido, aproveitado, esmagado.
Tal a gravidade  dos erros cometidos. Pelos militares e pelos políticos.
 
Tudo o que se diga são palavras vazias, de circunstância, apenas para comemorar uma data,  que nada já representa para o Povo Português, a não  ser para o Partido Comunista e próximos, de facto, os grandes inspiradores da revolução de 1974.
 

Nada já resta, a não ser o saudosismo de tempos revolucionários que, aproveitando a ingenuidade de alguns capitães de Abril, tentaram implantar em Portugal um regime totalitário, a  ditadura do proletariado, de inspiração soviética.

Nada já há que mereça ser comemorado: nem a democracia, nem a liberdade falseada, nem o desenvolvimento que não existe.
 
Esta é a «VERDADE POLÍTICAMENTE INCORRECTA SOBRE O 25 DE ABRIL DE 1974».

O país está num caos, a pobreza e a miséria alastram. Todos os direitos de cidadania essenciais foram negados ao povo português.

Portugal é hoje, quarenta anos depois deste evento, um país sub-desenvolvido, dominado por uma oligarquia de poderes instalados: económico, político, estatal, judicial, mediático.

O país mais desigual de toda a União Europeia onde uma minoria social abastada e riquíssima, concentra quase toda a riqueza do país.

Uma democracia limitada, uma cultura dominante da chamada esquerda, em que apenas alguns têm direito a exprimir-se livremente e ter acesso privilegiado à comunicação social.

Onde outros são silenciados, marginalizados e rotulados de fascistas, o carimbo com que sempre Abril tentou assassinar adversários que pensam de maneira diferente e ousam desafiar a mentira do politicamente correcto, a sórdida metáfora que alienou as nossas consciências e tentou impor o pensamento único em Portugal.

Os Partidos Políticos, considerados pela Constituição Portuguesa, como os únicos agentes da democracia, agiram de forma incompetente, calculista, interesseira, oportunista, governando à vista sem visão de futuro, desvirtuando a própria democracia, enganando este povo simples e incrédulo, com retórica ideológica inflamada,  falácias e mentiras, para se instarem no poder.
Tomaram opções europeístas precipitadas, sem prepararem devidamente o país para tal desiderato. Os prejuízos foram incalculáveis.

O balanço da sua acção, saldou-se por três bancarrotas que custaram muito caro ao povo português, a última das quais, atirando com o país para um abismo de difícil retorno durante muitos anos e pelo descontrolo completo, das principais variáveis críticas que dão sustentabilidade a uma sociedade: económicas, financeiras, sociais, demográficas, políticas.
 

NÃO TEMOS POIS, RAZÕES PARA COMEMORAR ABRIL.
 
Comemorar o quê? A tentativa frustrada para instalar em Portugal uma ditadura, a Ditadura do Proletariado, pelos militares que se apoderaram da revolução?
A desgraça a que foi votado o povo português? Ou,
A exuberante satisfação e alegria daqueles que, explorando este simples e incrédulo povo ou de cravo ao peito, fingindo-se de grandes democratas de esquerda e com o «25 de Abril sempre» na boca, acumularam  fortunas fabulosas, não se sabe como?
 
Por isso, Abril é um capítulo da História Portuguesa que devia ser definitivamente encerrado.
 
 
A época que estamos a viver não é de comemoração, é de profunda tristeza, de desolação e de desespero, para milhões portugueses enganados e defraudados e por isso de  reflexão e de acção.
É tempo de limpar os cacos e destroços de uma revolução que, embora bem intencionada no início, foi instrumentalizada, caótica, muito mal conduzida, oportunisticamente aproveitada por minorias sociais e que acabou por terminar num desastre para o país.

É tempo de voltar a ressurgir dos escombros de uma revolução fracassada,  é tempo de corrigirmos os erros do passado, de abrir as mentes, de nos libertarmos dos dogmas e mitos de Abril, das mentiras politicamente correctas, que alienaram durante quatro décadas as nossas consciências, de pensarmos num novo modelo  de sociedade,  que nos possa dar garantia de um futuro melhor para todos nós.
 

É TEMPO DE JULGAR A HISTÓRIA, DAR UM PASSO EM FRENTE E VIRAR A PÁGINA!


PS: caricaturas de um jornal da época, «a Luta», bastante crítico à forma como estava a ser conduzida a revolução. Nomes dos protagonistas, por ordem de apresentação das imagens:

- Otelo de Saraiva de Carvalho de visita a Cuba, passeando ao lado de Fidel de Castro, para se aconselhar.
- António de Spínola presidente da Junta de Salvação Nacional e que fez, pela televisão, a proclamação ao país, do Movimento das Forças Armadas.
- Otelo Saraiva de Carvalho a olhar-se ao espelho e a imaginar-se o Fidel Castro português, a fumar charutos Havanos.
- Capitão Dinis de Almeida, um dos revolucionários mais activos do Regimento de Artilharia de Lisboa. Deslocava.se quase sempre numa viatura blindada «Chaimite». Era conhecido como o «Fitipaldi dos Chaimites». Muitas prisões arbitrárias de pessoas consideradas pela liderança da revolução, como «fascistas» e «reacionárias» eram feitas com estas viaturas, para transportar os presos.
- Grupo de terroristas das FP-25 de Abril, com armas roubadas (G-3) de unidades militares, designadamente do depósito de material de guerra de Beirolas. Vêm-se no cartoon, as figuras de José Tengarrinha do MDP-CDE ligado ao Partido Comunista Português e Isabel do Carmo, do grupo revolucionário, PRP-BR (Partido Revolucionário do Proletariado - Brigadas Revolucionárias) de inspiração «guevarista». Pretendia implementar o «Poder Popular» , a chamada «Democracia Popular». Este partido revolucionário chegou a receber cerca de 3.000 espingardas G-3 entregues por um capitão de Abril, que seriam utilizadas pelos chamados «Conselhos Revolucionários» e com o objectivo de organizar uma insurreição armada do Povo. este grupo criou ainda, no domínio da educação, a «Universidade Proletária» Ernesto e Luís, a fim de educar os jovens portugueses numa cultura proletária, em alternativa à cultura e educação «burguesas».
- O 1º Ministro Vasco Gonçalves, conhecido como Vasco o «Louco» ou «Camarda Vasco». Era considerado a «Muralha de Aço» para o partido comunista, inspirador da revolução portuguesa. Vasco, nos seus discursos inflamados.
- Imagem da inventada «intentona fascista e reacionária» de 28 de Setembro de 1974 Foi colocada nas paredes , como símbolo da reacção e do fascismo e assustar e intimidar as pessoas.
- Otelo Saraiva de Carvalho, no tempo do Copcon (Comando Operacional do Continente) de que era comandante. Alusão às armas roubadas das unidades militares e que Otelo dizia «estarem em boas mãos». Para Otelo, «boas mãos» eram as da Isabel do Carmo e dos Conselhos Revolucionários, para a insurreição armada do Povo.
- Mário Soares, montado numa tartaruga, quando da sua passagem pelas Seychelles, numa viagem à volta do mundo, à conta do contribuinte português.
- Cavaco Silva 10 anos 1º ministro e 10 anos Presidente da República. O homem das «obras públicas», da criação do «Monstro do Estado», das indecisões e das «parcerias estratégicas» com José Sócrates, de quem tinha um medo patológico. Deixou o país cair na bancarrota, em parceria com Sócrates.
- José Sócrates, 1º ministro durante os últimos 6 anos antes do pedido de resgate financeiro internacional. Governou à deriva, num completo descalabro despesista, agravou substancialmente o endividamento público do país e celebrou o maior número de PPP´s ruinosas para Portugal e para os contribuintes, de que estamos todos a sofrer as consequências.




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domingo, 23 de março de 2014

DO HOMO SAPIENS AO HOMO ASTÚCIUS

Sabe-se, pela observação comportamental e pelos estudos da mente do Homem, que este animal, segundo a classificação taxonómica, pertencente à classe dos Tetrapoda Mammalia, Ordem dos Primatas, Família dos Hominídios e à espécie Homo Sapiens ( a única ainda sobrevivente do tipo Homo), que apresenta características instintivas, natas, comuns a outros animais com classificação idêntica.
 
O Homem não é, portanto, muito diferente dum cão, dum gato ou duma galinha, em termos de comportamentos instintivos, nomeadamente a tendência para o egoísmo, o açambarcamento e ganância, e a agressão ao seu semelhante, quando contrariado nestas tendências natas.
Mas, porque dotado de uma inteligência superior, consegue levar a extremos estas características, potenciando a astúcia, a argúcia, a esperteza, a perfídia e toda uma série de artimanhas, para conseguir, não apenas concretizar os seus instintos animalescos mais primários, mas toda uma série de objectivos, muitas vezes da maior perversidade.
 
Temos de admitir e concluir que o Homem é um animal extremamente perigoso, mesmo o mais perigoso da Evolução, não apenas para os da sua espécie, mas ainda para todas as outras espécies e até o mais predador de todo o ecossistema.
 
Estes factos contradizem aquilo que devia ser uma racionalidade, uma lógica positiva, resultante da inteligência, ao serviço da sua comunidade e do seu semelhante.
E assim, o Homem, com tais características de perigosidade, só consegue ser controlado (e com dificuldade, pela comunidade) por meio de um conjunto de regras coactivas, compulsivas, portanto, com caracter obrigatório, acompanhadas de sanções e punições para quem as infringir, que podem ir até à pena de morte.
 
A pena de morte é, ela própria, como sanção extrema que é, o melhor indicador de que o Homem é um animal extremamente perigoso.
Deixado ao seu livre arbítrio, este mamífero, da ordem dos primatas, é capaz de cometer as maiores atrocidades.
E, mesmo extremamente controlado por um conjunto complexo de regras, normas e leis e de graves sanções no caso de infracção, este primata, consegue, muitas vezes, escapar ao seu cumprimento.
 
Os Tribunais atolados de processos, muitos do foro criminal, são a melhor prova desta realidade.
As perfídias e artimanhas que usa, para escapar à sanção, são também a prova de que, este animal, quando detectado e apanhado nas suas actividades instintivas natas potenciadas pela inteligência, estrebucha até à exaustão e muitas vezes consegue mesmo iludir os seus vigilantes e consegue escapar, sob a protecção das máfias colocadas ao seu serviço.
 
 
O Homem odeia, portanto,  sistemas de controlo, exactamente por que o deixam agressivo ao contrariarem os seus instintos natos.
 Os casos, BPN, BCP, BPP, Face Oculta, Monte Branco, Penedas, Loureiros, Freeport etc. são bem a prova dos poderes mafiosos que se instalam nas comunidades onde vivem estes animais extremamente perigosos, para lhes proporcionar cobertura e protecção e assim fugirem aos sistemas de controlo.
 
Outros animais astutos e argutos, desta Família, nem sequer são detectados e agem como se nada existisse para os controlar. Estes são duma esperteza a toda a prova.
 
Chegamos assim, ao aspecto central desta reflexão.
 
Perante estas características e tendências natas do Homem, comuns aos outros animais, mas levadas ao extremo por aquele, é lícito perguntar, se algum sistema político, económico, social e judicial, por mais elaborado que seja, consegue funcionar de forma equilibrada, justa e com um determinado grau de liberdade,  de forma a servir adequadamente uma comunidade humana.
 E, desde logo, que modelo, que sistema social é mais adequado, tendo em conta estas características.
As sociedades, em geral, têm optado pelos modelos democráticos representativos do tipo socialista ou social-democrata da chamada esquerda, com o objectivo de equilibrarem a livre iniciativa com a necessidade de justiça social, através da redistribuição do rendimento.
 Estes modelos fracassaram. O Homem, sempre conseguiu iludi-los, transpô-los e o resultado foi a excessiva concentração de poder e riqueza numa minoria social, obtida à custa do enfraquecimento e pobreza da grande maioria.
Criaram-se máfias operacionais, que protegeram, protegem e continuam a dar cobertura aos detentores do poder e da fortuna.
A própria democracia, perdeu por completo o seu significado, foi ultrajada e adulterada.
 Já nada representa os interesses e os direitos das maiorias, que ficaram reféns da astúcia e perversidade natas do Homem.
 
Do Homo Sapiens evoluiu-se para o Homo Astúcius.
 
A livre iniciativa  empreendedora, o grande argumento e a grande panaceia em que se baseiam as economias de mercado, dando largas à capacidade criadora e de imaginação do Homem para empreender, criar riqueza e postos de trabalho, contribuir para o desenvolvimento comunitário, está a transformar-se na livre iniciativa selvática, num salve-se quem poder, numa exploração desenfreada do trabalho, quase escravatura.
 
É caso para perguntar, perante características tão ignominiosas e selvagens do Homem, se ele é merecedor da liberdade e do direito de livre iniciativa que as sociedades civilizadas actuais lhe têm conferido.
E, perante os factos e as evidências, agora alargados ao nível planetário, o Homem é merecedor de viver em democracia e não será mais adequada a férrea ditadura para o pôr na ordem e com isso salvaguardar os interesses mais básicos e de uma vida digna das maiorias.
 
E assim sendo, que tal  um COMUNISMO A 100%? Talvez lhe fizesse bem!

domingo, 9 de março de 2014

A SOLUÇÃO FINAL PORTUGUESA: QUE ESTRATÉGIA?

 
 
 
 
Os sectores mais conscientes da sociedade portuguesa, sabem que o país não está bem, nunca esteve, porque limitado e constrangido durante décadas de regime abrilista, por condicionalismos internos e externos.
Não está bem, nunca esteve, não tanto pela política de cortes e de aumento brutal de impostos, que este governo, de forma subserviente, foi obrigado a executar por imposição dos credores internacionais mas, pior do que isso, pelo rumo incerto e sem estratégia de futuro, que o país está a trilhar.
 
Perante o descalabro do modelo de desenvolvimento imposto pelo regime abrilista e implementado pela mão do partido do regime, o partido socialista, que em boa parte explica a necessidade da brutal austeridade que, de forma desigual, nos foi imposta, e perante o garrote constitucional e a inoperância dos partidos do sistema em implementar as reformas de fundo necessárias, Portugal encontra-se numa encruzilhada extremamente difícil e perigosa da sua história.
Neste momento crucial da história portuguesa, todas as opções devem estar em aberto.
Todas têm riscos, é certo.
Mas há quer optar. Ou, por um fim violento ou por uma violência sem fim.
A opção clara dos governos tem sido, desde sempre, a da integração na União Europeia, a de tudo fazerem, mesmo sacrificando o seu povo à vontade arbitrária dos oligarcas e burocratas europeus que, de Bruxelas, comandam os nossos destinos, para imporem essa solução.
Esta insistência mórbida dos governos, à revelia do seu povo, precipitou o país num jogo de forças europeu, para o qual não estava preparado, nem em 1986, quando da adesão à então CEE e muito menos em 1992, com a assinatura do Tratado de Maachtricht e com ele a decisão, também à revelia da população, de entrada no euro em 1999, não deixou margem para a sua preparação e posterior decisão ponderada.
 
No meu ponto de vista, o pior erro da história contemporânea portuguesa, foi este, da entrada na Zona Euro, decisão mais uma vez precipitada dos governantes da época, forjando, artificialmente, as condições de convergência, para que o país fizesse parte do «pelotão da frente» como, demagogicamente o 1º ministro da ápoca, o socialista António Guterres, tanto apregoava aos quatro ventos.
Veio o pântano como era de esperar e o demagogo abandonou o país, à sorte de uma moeda, feita à imagem e semelhança do marco alemão.
As consequências foram trágicas.
Sem soberania monetária e por isso, sem poder emitir moeda própria e, de forma autónoma poder por em prática as politicas monetárias e cambiais, que melhor se ajustassem às necessidades da economia portuguesa, o país ficou completamente à mercê da vontade dos mercados financeiros, como único recurso para se financiar.
O resultado foi a subida quase exponencial da dívida pública e da dívida soberana do país, a partir de 2002, ano em que euro entrou com curso legal em Portugal.
 
As exportações caíram progressivamente, contrastando com a subida quase proporcional das importações, como era de esperar para uma economia débil, não preparada para competir com uma moeda tão forte. A economia definhou, acabando numa profunda recessão de que, só agora se está (aparentemente) a recuperar de forma ténue.
Mas, no meu ponto de vista, porventura o efeito mais perverso e nefasto para o país, da entrada no euro, foi a grave distorção na estrutura produtiva do país pois, perante a falta de competitividade  nas relações comerciais com o exterior, os investimentos de vulto passaram a ser orientados preferencialmente para os sectores de bens não transaccionáveis, apenas para o mercado interno, e que originou toda uma grande concentração de poder económico e financeiro, num grupo restrito de grandes empresas.
 
Os governos do sistema insistem nesta fórmula, porque dominados por políticos que têm tanto de oportunistas como de incompetentes e fazem o seu jogo.
A população definha, a pobreza e a miséria alastram, as condições de vida degradam-se.
As soluções centram-se em decisões tomadas em Bruxelas, à revelia dos interesses do país e da sua população e, naturalmente, também fazem o seu jogo, procurando assentar a competitividade do nosso país, numa mão de obra barata, numa espécie de luso-sinolândia ao serviços da globalização.
 
Portugal, está, portanto, numa encruzilhada histórica.
Está na hora das grandes opções e decisões estratégicas para o país. Está na hora de definir, sem tibiezas, o rumo a seguir.
Está na hora de parar para pensar e fazer o balanço da história.
É tempo de decidir se queremos uma integração tutelada, protegida pela EU, se queremos um protectorado permanente, alienante e sem soberania, ou se queremos ser livres e donos do nosso destino.
Está na hora de decidir se queremos um fim violento ou uma violência sem fim.
A convergência de posições dos países do sul da Europa, as grandes vítimas das estratégias integracionistas europeias,  é absolutamente fulcral.