quinta-feira, 5 de junho de 2014

DESUNIÃO NACIONAL: INCAPACIDADE DO POVO OU DAS LIDERANÇAS PARTIDÁRIAS?

 
 
O país sempre viveu em crise, desde que foi instituído um novo regime e uma nova República, em 1974.
Não me lembro de alguma vez e com qualquer governo, se viver em Portugal uma situação estável e normal.
Todos os sectores da sociedade portuguesa, incluindo os media e a própria Igreja, se queixavam da crise permanente em que, década após década, vivia a democracia portuguesa.
Crises de etiologia diversa, desde a rivalidade viral entre as ditas esquerda e direita, radicalizadas nos seus redutos ideológicos, até às resultantes da cíclica bancarrota quando a esquerda tomava o poder.
Neste contexto, a direita apenas era chamada a governar, para corrigir os desmandos de uma esquerda protagonizada pelo partido socialista, o partido do regime, que resultou da contra-revolução de 25 de Novembro de 1975.
Mas crise também de hostilidade viral de uma esquerda, convicta da sua propriedade exclusiva do regime instaurado em 1974, tentando, por todos os meios destituir, uma direita, dita reaccionária, quando esta toma o poder, mesmo legitimado pelo voto do povo, porque incompatível com o regime de Abril.
De crise em crise, de bancarrota em bancarrota, de queda em queda de governos, tidos como incompatíveis com Abril, de eleições antecipadas em eleições antecipadas, para recolocar a esquerda no poder, a dona legítima do mesmo, porque para ela e só para ela, o regime de Abril existe.
Crise, portanto, de uma democracia, neste sentido, limitada, em que apenas algumas correntes ideológicas, da dita esquerda, são aceites e apadrinhadas pelos donos do regime que, na sombra e mesmo já com as suas capacidades mentais reduzidas pela idade, continuam a comandar os cordelinhos do regime.
Fora disto, há um mundo que não existe.
Crise de identidade também,  sem nunca se saber ao certo, o que teria sido melhor para Portugal: estar ou não na União Europeia.
Tardando ou descurando essa avaliação, em tempo útil, hoje, talvez tarde demais, os resultados práticos dizem-nos que não foi a melhor opção, pelo menos no «timing» em que foi tomada.
O país da crise permanente, percorrendo, década após década, uma linha sinuosa de altos e baixos, mas sempre tendencialmente decrescente, finalmente e como se previa, acabou por se estatelar no abismo.
Crise das crises, nunca Portugal viveu, pelos menos desde há dois séculos, tempos tão difíceis, de verdadeira emergência nacional.
Mas, apesar desta espécie de estado de sítio em que estamos mergulhados, nem por isso a consciência nacional da união,  perante o perigo, falou mais alto.
Como se nada estivesse a acontecer, a sociedade portuguesa continua dividida, radicalizada em torno do radicalismo interesseiro los líderes partidários e do pensamento egoísta de muitas pessoas, que ainda acreditam que a ideologia do seu clube partidário, se for poder, lhes trará a tábua de salvação e lhes abrirá as portas do paraíso.
Uma clara violação inconsciente, do princípio da «união faz a força».
Divididos, cada vez estamos mais frágeis e vulneráveis e mais facilmente seremos vencidos.
 
Vencidos, pelas consequências da instabilidade e da ingovernabilidade do país. Vencidos por uma situação financeira, económica e social insustentáveis.
Numa situação de drástica redução das reservas de soberania de que dispúnhamos e que opções europeístas precipitadas, nos retiraram, a desunião dos portugueses é alarmante e não pressagia nada de bom.
 
Para além da maciça abstenção em eleições, sinal do enorme desinteresse da maioria da sociedade, pelos partidos políticos, mercê do comportamento incongruente dos seus lideres e dos seus governos, que tramaram irremediavelmente este povo, o espectáculo degradante da desunião e da crise, já os atingiu nas suas entranhas, pondo em risco a sustentabilidade do próprio regime democrático.
Ou entramos na realidade e afastamos o fantasma da desunião, mobilizando forças e ultrapassando divergências ideológicas, começando pela regeneração dos partidos e pela tomada duma nova atitude e simultaneamente a emergência de novas forças políticas, com programas inovadores que introduzam reformas de fundo no regime, Portugal e a sua população, arriscam-se a um futuro extremamente problemático, cujo ponto de não retorno, estará prestes a ser atingido.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A CEREJA EM CIMA DO BOLO: O CULMINAR DUM REGIME

 
O regime inaugurado com o golpe de estado de 1974 e continuado durante algum tempo, com uma revolução protagonizada por forças antagónicas totalitárias, que se digladiavam pela conquista do poder, bem se pode dizer que sempre viveu em crise permanente.
 
Crise de afirmação, crise económica, crise financeira, crise social, crise de competências e oportunismo dos governantes, crise do modelo de desenvolvimento, crise de opções europeístas precipitadas,  crise do modelo de democracia (pseudo representativa), crise da desactualização da Lei Fundamental. sem reforma à vista por teimosia partidária
 
Portugal tem vivido, durante os quarenta anos de regime de Abril numa instabilidade permanente, resultante de todos estes constrangimentos e restrições.
E de crise em crise, num sistema bipartidário que se alterna no poder, apoiado apenas por  menos de metade da população de eleitores,  Portugal definha, a população empobrece, as desigualdades aumentam na mesma proporção em que a riqueza se concentra nas mãos de uma minoria astuta e oportunista, que bem soube explorar as crises.
O sistema globalizado das economias mundiais, criou novos problemas aos países mais débeis como o nosso,  colocados perante uma luta desigual, sujeitando-os às mesmas regras.
Com a adesão à União Económica e Monetária e com a assinatura dos Tratados de Maastricht, Nice e Lisboa, Portugal perdeu praticamente todos os instrumentos de soberania de que dispunha, ficando sujeito, a partir daí, ao cumprimento obrigatório de regras ditadas por centros de decisão europeus.
De tal forma que, hoje, Portugal dispõe de menos soberania do que qualquer estado federado norte-americano.
Tudo foi consumado e congeminado à revelia do povo português, mas acabou ser este a grande vítima destas opções europeístas precipitadas.
Não cuidámos sequer, de manter um mínimo de reserva de soberania, que nos permitisse salvaguardar a nossa dignidade como Nação, em momentos julgados oportunos.
Ficámos completamente à mercê de decisões tomadas por instâncias europeias, por iniciativas irracionais de eurocratas, das regras económicas e financeiras da globalização do mundo e cujos agentes, instalando-se cá dentro, no nosso território, devoram tudo o que é bom e tem valor, da voracidade maior ou menos dos mercados financeiros, para nos financiarmos e no limite deste processo, a meros fornecedores de mão de obra barata, ao serviço dos novos senhores do mundo.
No meio de tudo isto e cá dentro, campeia o salve-se quem puder, o oportunismo, a maçonaria do tráfico de influências e onde se movem os actores do sistema político e os que não conseguem acompanhar este ritmo, ficam irremediavelmente para trás, confinando-se à pobreza e à miséria.
Os actores políticos de sempre digladiam-se pela disputa do poder, exploram a simplicidade e a incredulidade do povo, tentam assassinar os adversários que ganham alguma visibilidade, rotulando-os agora com o novo nome do fascismo, o populismo, eles que sempre foram os mais demagogos e populistas de sempre.
A luta fratricida pelo poder atinge os próprios actores políticos da mesma cor.
Costa contra Seguro, Seguro contra Costa.
Na sombra, o grande predador do sistema e que atirou Portugal para a pior bancarrota de sempre, espreita a sua nova oportunidade: ser Presidente da República.
Cenário provável, se Costa vencer a contenda pelo poder.
Seria a cereja em cima do bolo e o culminar de um regime, maçónico, corrupto e mafioso.
O Portugal de hoje é tudo isto.
Um país à deriva sem uma estratégia de futuro, sem soberania, dominado por oportunistas e resignado aos novos mandarins da Europa e do Mundo.
Que futuro nos reserva? Ninguém tem resposta para esta pergunta, tal a camisa de onze varas em que estamos metidos.
Mas, uma coisa é certa, se nada fizermos nada mudará, ou tenderá a piorar.
Se queremos ainda ter esperança de um futuro digno, é preciso agir, é preciso pegar o touro pelos cornos, enfrentá-lo com determinação e começar desde já com a revisão dos anacrónicos Tratados Europeus e com a renegociação da dívida do país,  que nos devolva a tal reserva de soberania que possa garantir o grau de liberdade necessário e as condições para planearmos livremente o nosso futuro colectivo.
 
Mas é preciso também julgar a história, para que os protagonistas deste enorme desastre nacional, não fiquem impunes, imputando-lhes apenas responsabilidades políticas que, como estamos a assistir, nem estas lhes têm sido atribuídas.
 

sábado, 3 de maio de 2014

SAÍDA LIMPA, SAÍDA SUJA

 
 
Quando um país, entregue a governantes, que têm tanto de incompetentes, como de mentirosos e oportunistas, é obrigado a pedir um resgate financeiro internacional, para poder sobreviver, a entrada nessa situação de dependência, de humilhação nacional e de perda de soberania, é sempre suja.
A saída de uma situação que, por si própria já é suja, também só pode ser suja.
 
Não se pode sair limpo de uma situação suja.
O termo das avaliações da troika a um programa severíssimo de austeridade, que o país foi obrigado a suportar, deixando de rastos a grande maioria da sua população, nunca pode ser considerada limpa a situação que se lhe segue.
 
A situação em que vamos entrar, de regresso aos mercados a taxas mais baixas, significa que vamos continuar a mendigar, a pedir emprestado a especuladores e agiotas , a engrossar a dívida e os seus custos, para podermos continuar a viver, nunca será limpa, é suja e bem suja.
 
Contrair dívida para pagar dívida e financiar os défices de produção e de criação de riqueza, que o país nunca conseguiu superar, mercê de um modelo de desenvolvimento errado, gasto e ultrapassado, por cega obediência a referenciais ideológicos, continua a ser uma situação suja, perigosa e que vai certamente por em causa o nosso futuro colectivo.
 
Falar o governo, embandeirando em arco, em saída limpa do programa da troika, é uma qualificação que não podia ser mais  infeliz, e nunca deveria ter sido invocada, por respeito ao povo português e que apenas serve para o enganar e perturbar ainda mais a sua mente.
Os políticos que protagonizaram todo o descalabro das finanças públicas, durante décadas, deviam ter vergonha.
As suas mãos estão sujas e bem sujas, algumas de sangue.
O legado que deixaram aos governados e seus descendentes, foi de destruição, foi o de comprometerem e alienarem todo o futuro colectivo de uma Nação.
Por todo este legado de destruição, que nos deixaram aqueles em quem confiámos o nosso voto, somos irremediavelmente confrontados com a grande realidade com que nos deparamos hoje:
 
- O referencial ideológico da chamada esquerda socialista, o grande mote da ala moderada da revolução de 1974 e consubstanciada na ordem partidária, pelos partidos socialista e social-democrata, fracassou estrondosamente, por ter fracassado o modelo económico e social dele resultante.
É um facto incontroverso.
 
E que foi agravado substancialmente, pelo negócio intermediário do Estado e seus agentes, ligado e coligados ao poder económico favorecido,  que bem se aproveitaram das suas fragilidades.
A terceira bancarrota, em quarenta anos de regime de Abril e a dura provação a que teve de se sujeitar o povo português, são a prova provada de que o Abril, mesmo o regenerado,  fracassou.
Mas fracassou também este modelo de democracia que, ludibriando o povo português, se transformou numa quase ditadura, fragilizando o poder do voto, e tornando-o cada vez mais inútil.
 
O sistema e o regime precisam, por isso, de ser urgentemente reformados.
 
Continuar a insistir nele é insistir nas grandes desigualdades sociais, na pobreza e na miséria, no desemprego em massa, no regresso da emigração, na ignorância, na subserviência, nos jovens sem futuro e a viver na casinha dos país, no sub-desenvolvimento, em suma sem futuro colectivo digno.
Estará o povo português à altura de protagonizar a reforma do regime? Terá o povo português de hoje, capacidade para interiorizar a necessidade dessa mudança, depois de quarenta anos de intoxicação ideológica no «politicamente correcto» e no dogma do socialismo de Abril?
 
Enquanto estas questões não tiverem resposta,  A NOSSA SAÍDA, SEJA DO QUE FOR, NUNCA SERÁ LIMPA!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ABRIL 74 - É TEMPO DE VIRAR A PÁGINA

 
 
 
 
 
O espírito original da revolução de Abril de 1974, embora com antecedentes ligados a reivindicações corporativas, foi genuíno: democratizar, instaurar as liberdades cívicas, desenvolver o país, descolonizar.
 
 
Estes objectivos constavam da Proclamação ao país, nesse dia 25 de Abril de 1974, pela então Junta de Salvação Nacional, presidida pelo General António de Spínola.
 
Todos os protagonistas, incluindo aqueles que fizeram a revolução, têm, em maior ou menor grau,  culpa no rumo que levou o país.

Desde logo os militares, porque, ingenuamente  se dividiram e radicalizaram em opções ideológicas antagónicas, muitos manipulados e instrumentalizados por forças totalitárias oportunistas, da esquerda radical portuguesa.
Opções  ideológicas, áreas onde nunca se deveriam ter imiscuído, pois não era essa a sua vocação, enquanto militares do activo.
 
O capitão Salgueiro Maia, cujo contributo para o golpe militar fora decisivo,  foi das poucas excepções: cumpriu a missão de que estava incumbido e regressou à sua unidade militar. Dever cumprido. Por isso, não teve o protagonismo que outros tiveram
Honra seja feita à sua memória!
 
Não se cuidou, como se impunha, dados os enormes interesses envolvidos, de uma descolonização programada, cuidada, que salvaguardasse os interesses das partes e compensasse, minimamente, treze anos de esforço de guerra.

Por isso, o caos e a guerra se instalaram de novo em África, durante décadas, com prejuízos humanos e materiais incalculáveis. Os portugueses que viviam em África foram obrigados a uma debandada precipitada e ficaram despojados de tudo o que possuíam.
 
O então Movimento das Forças Armadas dividiu-se em facções , umas moderadas,  outras colocaram-se ao lado das correntes comunistas, de inspiração soviética, que pretendiam impor a Portugal a Ditadura do Proletariado.
 
Desde logo, a facção radical, instrumentalizada pelo partido Comunista Português , tomou a vanguarda da revolução, tentando eliminar a facção moderada, imediatamente rotulada de fascista e reacionária, epíteto que ainda hoje prevalece, para assassinar adversários políticos.
 
Tudo servia de argumento para eliminar os moderados. Inventaram-se intentonas, forjaram-se assassinatos em massa na praça de touros do Campo Pequeno em Lisboa, conhecidas como «Matança da Páscoa».
 
Os moderados sentindo-se ameaçados, tentaram travar a deriva revolucionária comunista e repor o espírito democrático inicial da revolução. 
Em 11 de Março de 1975, ocorre a primeira  tentativa falhada, A facção moderada, liderada pelo General António de Spínola, exila-se em Espanha e forma o Movimento Democrático para a Libertação de Portugal, reúne forças, e promete avançar sobre o país.
 
Livres  dos adversários, os militares comunistas, de várias tendências, imprimem à revolução uma deriva e loucura nunca vistas, conhecida como Verão Quente de 1975.
O general Otelo Saraiva de Carvalho, desloca-se a Cuba e aconselha-se com o o seu camarada Fidel Castro, «El Comandante».
 
O General Vasco Gonçalves de tendência comunista, conhecido como Vasco o Louco, ou Camarada Vasco, é nomeado 1º Ministro e inflama o país com os seus discursos revolucionários sobre a Batalha da Produção e a Reforma Agrária e ameaçando  os fascistas, reaccionários e contrarrevolucionários, isto é, todos os opositores.
A chamada «CASSETE» comunista, nasce aqui, com Vasco, o Louco. Foi a cartilha aprendida de Cunhal. 
 
As sedes do Partido Comunista no norte do país, são incendiadas e o seu recheio é queimado na via pública. É a reacção do Povo do Norte à intentona comunista.
 
O Governo da União Soviética regozija-se com os acontecimentos que estão a ocorrer em Portugal e já sonha com uma testa de ponte do comunismo soviético, na ponta mais ocidental da Europa.
 
O Circo de Moscovo instala-se em Portugal para uma série de espectáculos em homenagem e honra à revolução portuguesa.
Durantes os espectáculos, o apresentador incita frequentemente a assistência portuguesa a saudar Moscovo: «Saluté Moscovo!», dizia.  A assistência, fascinada, repetia em uníssono, o slogan.
Santa ingenuidade...!
 
 

Os EUA e alguns países da Europa, designadamente a França, ameaçam Portugal de invasão, se não for parada a implantação do Partido Comunista, liderado por Álvaro Cunhal, em Portugal.
 
 
Perante a ameaça, nas assembleias das unidades militares, em que todos os militares eram obrigados a participar, sob pena de saneamento selvagem, o termo «COMUNISMO» começa a ser substituído pelo termo «SOCIALISMO».
O Oficial Revolucionário, Guarda Vermelho da Revolução Portuguesa,  que lidera a assembleia, informa os presentes de que «O MÁXIMO ATÉ ONDE PODEMOS IR É O SOCIALISMO...». Como capitão, que era nessa altura, testemunhei pessoalmente estes factos.
 
Mário Soares, do partido socialista, mobiliza a população de Lisboa na Alameda D. Afonso Henriques e, num discurso inflamado, declara que está em marcha a implantação de uma ditadura comunista em Portugal.
No meu ponto de vista, foi das poucas atitudes sensatas deste senhor chegado a Santa Apolónia (Estação Ferroviária de Lisboa), com uma Bíblia Moderada da Revolução.
 
O golpe bem sucedido de 25 de Novembro desse mesmo ano de 1975, liderado pelo então Ten. Coronel Ramalho Eanes põe, definitivamente, termo ao desvario revolucionário. Segue-se uma via moderada, coordenada por um Conselho da Revolução
e, entra-se na fase da entrada em cena dos partidos.
 
Os militares mais radicais, liderados por Otelo Saraiva de Carvalho, não desarmam, formam grupos terroristas (Forças Revolucionárias 25 de Abril, vulgo FP-25)  apoderam-se de armas militares e dedicam-se à prática de atentados terroristas selectivos.
Muitos civis radicais, aderiram a estes grupos terroristas, entre eles a hoje médica, Isabel do Carmo.
Muitas pessoas, consideradas «fascistas» são assassinadas.
Otelo é julgado e preso. Mário Soares indulta-o e é posto em liberdade.
 
 
Com mais discurso ou com menos discurso na Assembleia da República, nada já consegue repor o espírito original da revolução,  desvirtuado, pervertido, aproveitado, esmagado.
Tal a gravidade  dos erros cometidos. Pelos militares e pelos políticos.
 
Tudo o que se diga são palavras vazias, de circunstância, apenas para comemorar uma data,  que nada já representa para o Povo Português, a não  ser para o Partido Comunista e próximos, de facto, os grandes inspiradores da revolução de 1974.
 

Nada já resta, a não ser o saudosismo de tempos revolucionários que, aproveitando a ingenuidade de alguns capitães de Abril, tentaram implantar em Portugal um regime totalitário, a  ditadura do proletariado, de inspiração soviética.

Nada já há que mereça ser comemorado: nem a democracia, nem a liberdade falseada, nem o desenvolvimento que não existe.
 
Esta é a «VERDADE POLÍTICAMENTE INCORRECTA SOBRE O 25 DE ABRIL DE 1974».

O país está num caos, a pobreza e a miséria alastram. Todos os direitos de cidadania essenciais foram negados ao povo português.

Portugal é hoje, quarenta anos depois deste evento, um país sub-desenvolvido, dominado por uma oligarquia de poderes instalados: económico, político, estatal, judicial, mediático.

O país mais desigual de toda a União Europeia onde uma minoria social abastada e riquíssima, concentra quase toda a riqueza do país.

Uma democracia limitada, uma cultura dominante da chamada esquerda, em que apenas alguns têm direito a exprimir-se livremente e ter acesso privilegiado à comunicação social.

Onde outros são silenciados, marginalizados e rotulados de fascistas, o carimbo com que sempre Abril tentou assassinar adversários que pensam de maneira diferente e ousam desafiar a mentira do politicamente correcto, a sórdida metáfora que alienou as nossas consciências e tentou impor o pensamento único em Portugal.

Os Partidos Políticos, considerados pela Constituição Portuguesa, como os únicos agentes da democracia, agiram de forma incompetente, calculista, interesseira, oportunista, governando à vista sem visão de futuro, desvirtuando a própria democracia, enganando este povo simples e incrédulo, com retórica ideológica inflamada,  falácias e mentiras, para se instarem no poder.
Tomaram opções europeístas precipitadas, sem prepararem devidamente o país para tal desiderato. Os prejuízos foram incalculáveis.

O balanço da sua acção, saldou-se por três bancarrotas que custaram muito caro ao povo português, a última das quais, atirando com o país para um abismo de difícil retorno durante muitos anos e pelo descontrolo completo, das principais variáveis críticas que dão sustentabilidade a uma sociedade: económicas, financeiras, sociais, demográficas, políticas.
 

NÃO TEMOS POIS, RAZÕES PARA COMEMORAR ABRIL.
 
Comemorar o quê? A tentativa frustrada para instalar em Portugal uma ditadura, a Ditadura do Proletariado, pelos militares que se apoderaram da revolução?
A desgraça a que foi votado o povo português? Ou,
A exuberante satisfação e alegria daqueles que, explorando este simples e incrédulo povo ou de cravo ao peito, fingindo-se de grandes democratas de esquerda e com o «25 de Abril sempre» na boca, acumularam  fortunas fabulosas, não se sabe como?
 
Por isso, Abril é um capítulo da História Portuguesa que devia ser definitivamente encerrado.
 
 
A época que estamos a viver não é de comemoração, é de profunda tristeza, de desolação e de desespero, para milhões portugueses enganados e defraudados e por isso de  reflexão e de acção.
É tempo de limpar os cacos e destroços de uma revolução que, embora bem intencionada no início, foi instrumentalizada, caótica, muito mal conduzida, oportunisticamente aproveitada por minorias sociais e que acabou por terminar num desastre para o país.

É tempo de voltar a ressurgir dos escombros de uma revolução fracassada,  é tempo de corrigirmos os erros do passado, de abrir as mentes, de nos libertarmos dos dogmas e mitos de Abril, das mentiras politicamente correctas, que alienaram durante quatro décadas as nossas consciências, de pensarmos num novo modelo  de sociedade,  que nos possa dar garantia de um futuro melhor para todos nós.
 

É TEMPO DE JULGAR A HISTÓRIA, DAR UM PASSO EM FRENTE E VIRAR A PÁGINA!


PS: caricaturas de um jornal da época, «a Luta», bastante crítico à forma como estava a ser conduzida a revolução. Nomes dos protagonistas, por ordem de apresentação das imagens:

- Otelo de Saraiva de Carvalho de visita a Cuba, passeando ao lado de Fidel de Castro, para se aconselhar.
- António de Spínola presidente da Junta de Salvação Nacional e que fez, pela televisão, a proclamação ao país, do Movimento das Forças Armadas.
- Otelo Saraiva de Carvalho a olhar-se ao espelho e a imaginar-se o Fidel Castro português, a fumar charutos Havanos.
- Capitão Dinis de Almeida, um dos revolucionários mais activos do Regimento de Artilharia de Lisboa. Deslocava.se quase sempre numa viatura blindada «Chaimite». Era conhecido como o «Fitipaldi dos Chaimites». Muitas prisões arbitrárias de pessoas consideradas pela liderança da revolução, como «fascistas» e «reacionárias» eram feitas com estas viaturas, para transportar os presos.
- Grupo de terroristas das FP-25 de Abril, com armas roubadas (G-3) de unidades militares, designadamente do depósito de material de guerra de Beirolas. Vêm-se no cartoon, as figuras de José Tengarrinha do MDP-CDE ligado ao Partido Comunista Português e Isabel do Carmo, do grupo revolucionário, PRP-BR (Partido Revolucionário do Proletariado - Brigadas Revolucionárias) de inspiração «guevarista». Pretendia implementar o «Poder Popular» , a chamada «Democracia Popular». Este partido revolucionário chegou a receber cerca de 3.000 espingardas G-3 entregues por um capitão de Abril, que seriam utilizadas pelos chamados «Conselhos Revolucionários» e com o objectivo de organizar uma insurreição armada do Povo. este grupo criou ainda, no domínio da educação, a «Universidade Proletária» Ernesto e Luís, a fim de educar os jovens portugueses numa cultura proletária, em alternativa à cultura e educação «burguesas».
- O 1º Ministro Vasco Gonçalves, conhecido como Vasco o «Louco» ou «Camarda Vasco». Era considerado a «Muralha de Aço» para o partido comunista, inspirador da revolução portuguesa. Vasco, nos seus discursos inflamados.
- Imagem da inventada «intentona fascista e reacionária» de 28 de Setembro de 1974 Foi colocada nas paredes , como símbolo da reacção e do fascismo e assustar e intimidar as pessoas.
- Otelo Saraiva de Carvalho, no tempo do Copcon (Comando Operacional do Continente) de que era comandante. Alusão às armas roubadas das unidades militares e que Otelo dizia «estarem em boas mãos». Para Otelo, «boas mãos» eram as da Isabel do Carmo e dos Conselhos Revolucionários, para a insurreição armada do Povo.
- Mário Soares, montado numa tartaruga, quando da sua passagem pelas Seychelles, numa viagem à volta do mundo, à conta do contribuinte português.
- Cavaco Silva 10 anos 1º ministro e 10 anos Presidente da República. O homem das «obras públicas», da criação do «Monstro do Estado», das indecisões e das «parcerias estratégicas» com José Sócrates, de quem tinha um medo patológico. Deixou o país cair na bancarrota, em parceria com Sócrates.
- José Sócrates, 1º ministro durante os últimos 6 anos antes do pedido de resgate financeiro internacional. Governou à deriva, num completo descalabro despesista, agravou substancialmente o endividamento público do país e celebrou o maior número de PPP´s ruinosas para Portugal e para os contribuintes, de que estamos todos a sofrer as consequências.




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