segunda-feira, 14 de julho de 2014

UMA VISÃO DE DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA


 
 


Perante a falência dos modelos tradicionais que resultaram do pós II Guerra Mundial, urge substituí-los, em fases progressivas, por novos modelos de sociedade que dêem resposta mais eficaz aos problemas sociais do nosso tempo.

Esses modelos tradicionais, embora na sua génese, procurassem essa resposta, a verdade é que, por um conjunto de factores, desde logo a sua inadaptação perante a própria evolução social e económica das nações, mas essencialmente a sua desvirtuação pelos agentes políticos, económicos e sociais, acabaram por resultar praticamente nos seus antídotos.

Com efeito, o que se pretende nesta abordagem é definir um novo conceito de democracia social, que possa constituir uma evolução, um novo e mais elevado patamar de sociedade, que substitua os conceitos passados de socialismo e social-democracia.

As experiências sobre a liderança de grupos, mostram-nos que nas lideranças democráticas, o líder interage com os participantes, leva em conta as suas opiniões e decide em conjunto com estes. Mas, tal  como no estilo autocrático, também aqui a experiência e competência do líder são importantes para a eficácia do grupo, mas corre-se o risco das suas qualidades enquanto líder, se diluírem com as opiniões dos participantes e, em casos extremos, como acontece muitas vezes no nosso país, predominar a opinião dos participantes, especialmente se estes tiverem muito poder.

O conceito de democracia social participativa, pretende ser um modelo equilibrado que, sem se cair na situação em que os participantes decidem em exclusivo, sendo o líder mera figura emblemática, embora possa ser competente, mas que, potenciando as qualidades e competência do líder, eleito pelos participantes em função dessas qualidades, não exclua a influência dos participantes na tomada de decisões.

O modelo tem de garantir a eficiência e a eficácia das decisões, o bem comum colectivo, potenciando e não diluindo as capacidades da liderança mas, devido à natureza volátil do comportamento humano, tendendo a satisfazer os seus interesses individuais, em prioridade, tem de ser dotado de inúmeros mecanismos de controlo, a todos os níveis.

 
O modelo de Democracia Social Participativa pretende, assim, garantir:

 - A eficácia das decisões e o bem comum colectivo

- A evolução para um novo conceito de democracia que, não excluindo a participação dos cidadãos, a todos os níveis, desde as decisões políticas, até às decisões económicas, sociais e culturais, seja efectivamente eficaz e não utópica.

- Basear-se numa democracia representativa partilhada entre políticos e independentes, num pressuposto evolutivo de que as democracias não podem ser propriedade exclusiva dos políticos, eleitos directamente por sufrágio, que representem efectivamente as populações e em que os poderes se encontrem equilibrados em duas Câmaras Parlamentares.

- A institucionalização e incentivação, de formas especiais de democracia directa (assuntos de cariz nacional ou fracturantes da sociedade e, em geral que não devem ser decididos apenas pelos políticos e os independentes) não apenas ao nível central, mas especialmente aos  níveis regional e local;

- Flexibilidade constitucional, que permita que a sociedade possa funcionar segundo um padrão flexível de liderança, mas viabilizando e incentivando o crescimento e o desenvolvimento, única forma da sociedade atingir elevados níveis de bem estar social.

- Cada cidadão decida o seu projecto de vida, sem constrangimentos estatais ou outros, ou seja, permitindo e incentivando a sua integração e envolvimento social e económico, a sua educação,  formação e acesso à cultura.

- A recuperação dos valores nacionais e a identificação de todos os cidadãos com estes valores, forma de recuperar a identidade colectiva que nos faz pertencer a uma Nação, valores que se devem sobrepor aos da globalização social, económica e cultural.

- A institucionalização de níveis de controlo e monitorização do sistema, embora sem bloqueios injustificados. Seria ideal que estes mecanismos funcionassem apenas como instrumentos dissuasores.

terça-feira, 8 de julho de 2014

A ENTRADA NO EURO E A ARMADILHA DA DÍVIDA

 
Quando em 1999, Portugal declarou que estava preparado para entrar na zona euro, na verdade, não estava.
Os critérios de convergência exigidos pelos centros de decisão da União Europeia foram, nos anos anteriores, premeditadamente forjados: o défice público, a inflação e desemprego e as dívidas pública e privada.
 
Governava o socialista António Guterres.
Este, apregoava aos sete ventos, que queria Portugal no «pelotão da frente» do euro, como uma grande conquista e uma grande vitória para o povo português!
E assim foi.
O Tratado foi assinado, nas costas dos portugueses. Ninguém foi ouvido nem achado. Uma precipitação que nos custou muito caro, nos anos que se seguiram a esta decisão trágica.
 A irresponsabilidade e inconsciência dos políticos, acreditava que seria o paraíso que aí vinha. Todos viveríamos melhor e ficaríamos mais ricos. Era o mito da moeda forte. A riqueza viria milagrosamente daí.
E não era preciso esforçarmo-nos muito. Podíamos até abdicar da agricultura, das pescas e da indústria. Tudo chegaria cá em catadupas, do bom e do melhor, vindo da EU. Era só consumir o único esforço que se exigia.  A árvore das patacas, faria o resto, bastaria abaná-la.
 
Mas, saiu-nos o inferno!
 
Sem autonomia monetária, sem autonomia cambial e sem autonomia orçamental, Portugal ficou privado, dos principais instrumentos de gestão das suas políticas económicas e financeiras autónomas.
Sem suficiente solidez de um sistema económico já pouco competitivo nessa altura, com uma economia tendencialmente em queda e com a despesa pública em ascensão acentuada, um estranho paradoxo, quando não de dispõe de uma economia que a sustente.
Era o mito do Estado Social que, como se viu e vê, assentava em pés de barro.
Portugal, inevitavelmente,  entraria em queda livre.
 
Do pântano de Guterres e da tanga de Barroso, até à demagogia eleitoralista e despesista de Sócrates e à corrida vertiginosa para o abismo, foi um passo.
 
Sem instrumentos monetários, ficámos reféns dos mercados financeiros internacionais, como a única fonte de financiamento: dinheiro alugado e custo do aluguer dependente da especulação.
Sem instrumentos cambiais, o mercado exportador soçobrou e virou-se para o mercado de bens não transaccionáveis. Sem oferta interna de bens e serviços, que produzisse o necessário para vivermos, o país ficou  na dependência de importações, agravando consideravelmente o défice das Balanças com o exterior.
 
Inevitavelmente a queda da economia acentuou-se ainda mais. Por falta de recursos internos a dívida pública e privada, dispararam para níveis históricos.
O resgate financeiro para cobrir a bancarrota era inevitável.
Daí resultou mais dívida, mais custos para o país e mais consumo de recursos, suor dos portugueses, mais queda de rendimentos, já de si, baixos, menos qualidade de vida, no fundo mais empobrecimento, para satisfazer regras e exigências implacáveis de credores internacionais.
Resultado da irresponsabilidade de quem nos governou.
 
A este flash, circunscrito apenas ao domínio particular do euro e da dívida, há que juntar todos os outros, desde logo, um errado modelo de desenvolvimento que não nos deixou voar e que, já feito em farrapos, o partido do regime teima, lunaticamente,  em remendar e manter, todo o completo descontrolo, verdadeira incúria e desleixo dos governantes, das principais variáveis críticas de sustentabilidade de uma sociedade.
 
Responsabilidades e responsáveis?  Não há. Nunca houve.
A blindagem do regime e a estratégia de branqueamento funcionaram em pleno e sempre funcionam da mesma maneira, aproveitando a santa inconsciência do Povão e a análise superficial dos factos, apenas os observáveis no momento presente.
Causas para erradicar a doença do doente português? Não há, apenas os efeitos são analisados, uma espécie de saga alopática popular.
 
O diagnóstico do médico-político está sempre sistematicamente errado e o doente nunca mais se cura!
Em última análise, a culpa é de todos nós, que consentimos isto e temos muita dificuldade em ter uma visão colectiva das coisas e sentir o instinto de sobrevivência, apenas pensamos no individual.
 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O PROBLEMA CRÓNICO PORTUGUÊS: O APARELHO ESTATAL

Em quarenta anos de III República, o país nunca, ou muito raramente, conheceu um período de estabilidade.
Quase sempre essa instabilidade política, económica e social, com consequências financeiras, radica num modelo de desenvolvimento baseado num desequilibro muito acentuado, entre um pesado aparelho estatal, incluindo o Estado Central, Autárquico, Empresarial e Orgânico e a estrutura económica e financeira de suporte, cujo principal esforço fiscal e contributivo é exigido ao sector privado da economia e aos cidadãos em geral.
 
Por mais que a Constituição de Abril imponha um dimensionamento  e estrutura do Estado e todo o seu sector público agregado e uma estrutura de rendimentos dos seus agentes,  completamente fora dos limites suportáveis para o país, a verdade é que, a experiência vivida nesta III República de democracia representativa, mostra-nos claramente, desde há muito, o erro em que esse modelo caiu.
 
E a insistência nesse erro ou se quisermos, por imposição constitucional, a obrigatoriedade de o seguir e persistir nele, sem que os agentes políticos, por opção ideológica, irrealismo ou por simples falta de vontade, ajustem a Constituição, flexibilizando as normas e desta forma, permitindo corrigir o erro e seguir outro caminho, tem sido um grande obstáculo ao nosso desenvolvimento.
 
Mas, a instabilidade do regime radica também em normas constitucionais rígidas que, no campo dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e das organizações sindicais, consagra-os como absolutos, ilimitados e inalienáveis, contrariando frontalmente aquilo que, em democracia, devia ser sempre relativizado, isto é, os direitos e liberdades de uns, não podem sobrepor-se totalmente aos direitos e liberdades de outros.
 
Com efeito, este absolutismo constitucional conduziu ao abuso, ao oportunismo, à chantagem e a toda espécie de acções perversas que beneficiaram excessivamente certos sectores da sociedade, especialmente os integrados no Estado e Sector Público,  e causou graves prejuízos a outros.
Esta situação, não apenas agravou substancialmente o equilíbrio das finanças públicas, já de si comprometido pelo efeito dimensão, como criou clivagens, injustiças e desigualdades flagrantes na sociedade portuguesa.
 
Apenas a título de exemplo, hoje, um motorista/maquinista de uma empresa pública de transportes, terrestres ou marítimos, aufere um vencimento mensal, integrado com todos os suplementos, da ordem dos 4.000 euros e um Licenciado, numa empresa privada ganhará, com muita sorte, quatro vezes menos e, na prática não pode fazer greve, pois se o fizer, o seu posto de trabalho, pode estar em causa.
O primeiro pode ter casa própria para habitação, acima da média, e ainda uma segunda habitação para passar férias e deslocar-se em carro de gama alta.
O segundo, qualificado acima da média e tendo gasto muitos anos da sua vida nessa qualificação, não tem acesso a nada disto, vive na casinha dos pais e está impedido de constituir família!
 
Finalmente a outra perversidade do Estado e Sector Público.
O nosso modelo, dito socialista, também apelidado de socialismo de rosto humano, ou moderado, para se diferenciar do socialismo totalitário (o de rosto desumano), assenta no princípio da REDISTRIBUIÇÃO, aparentemente inofensivo e impregnado de áureas de justiça social (tirar aos que têm mais, para dar aos que têm menos) em ordem a atingir o igualitarismo económico, revelou-se de enorme perversidade e injustiça social.
 
Desde logo, trata-se de uma espécie de COMUNISMO INDIRECTO,  aparentemente menos doloroso mas, na prática atingindo os mesmos objectivos, ou quase, do chamado COMUNISMO ESTATAL,  baseado num centralismo total do Estado, na colectivização de todos os meios de produção, numa distribuição directa de rendimento e num igualitarismo económico de baixa amplitude (rendimentos per capita, muito baixos).
 
Depois, o próprio processo de redistribuição, em que o Estado age como intermediário é, em si próprio, perverso, como é regra em todos os processos em que entram intermediários.
Desde logo cego, a montante, pois não atente à qualificação do titular, nem à forma como foi obtido o rendimento, e a jusante, no processo de redistribuição, por um lado descontrolado e por outro cometendo-se muitas injustiças na atribuição, premiando o ócio em detrimento do contributo de pessoas válidas para o trabalho activo.
 
Pelo meio, uma aplicação dos recursos públicos retirados do sistema económico e dos cidadãos, obedecendo a critérios muitas vezes irracionais e motivados pela pressão de lóbis e sem efeito reprodutivo na economia, a estrutura produtora de riqueza.
 
Criou-se, assim, uma sociedade desequilibrada, extremamente desigual, onde milhões de cidadãos contribuem directa ou indirectamente, com uma grande parte dos seus magros rendimentos, para engordar um Estado despesista, coabitando o sobreemprego com baixos níveis de produtividade, como tal sobredimensionado, para privilégios de uns e excessiva concentração de riqueza de outros.
E nestes outros, coabitando a grande concentração económica e os benefícios de muitos que conseguem manter-se na economia paralela, iludindo o Estado e sacrificando a maioria dos cidadãos, sobrecarregados, desta forma, com um excessivo esforço fiscal.
 
Concluindo, por mais que a irrevogável e perpétua Constituição, imponha e aponte este caminho, a verdade é que o caminho seguido sempre nos conduziu à estagnação económica, ao colapso das finanças públicas, agravado por um perturbador factor externo, a integração do país na zona euro e a uma sociedade de minorias privilegiadas, construída na base da completa exploração e exclusão, de milhões de concidadãos.
 
Em suma, a uma sociedade empobrecida, endividada, extremamente desigual, subdesenvolvida e por isso, com perfil terceiro-mundista.
Um vergonhoso paradoxo constitucional e nacional, do qual não se vislumbra saída.
E, na nebulosa do regime, é o salve-se quem puder…

terça-feira, 10 de junho de 2014

RÉDEA SOLTA: HÁ MAIS VIDA PARA ALÉM DA TROIKA


 
 
 
Cavaco desmaia, o país vacila.
Já se previa que, após a aparente saída da Duquesa de Mântua, o país viesse novamente a entrar em crise política. Sempre o disse.
Feito o trabalho sujo pela direita «reaccionária», como sempre foi obrigada, no regime de Abril, consequência da cíclica demagogia eleitoralista, despesismo sem dinheiro e incompetência do partido do regime, repete-se o sinistro «Dente de Serra».
Aberto o caminho e convictos da aparente rédea solta que, finalmente chegou ao país, os lóbis do regime socialista movimentam-se freneticamente, aparentemente para recuperarem as posições perdidas e desenterrar figuras sinistras, que agora começam a ressuscitar.
As mesmas figuras que, desde sempre, enterraram o país até aos cabelos e passaram a factura da crise para o povo português pagar.
Nunca aprendemos com os erros da história, parece que perdemos, ou nunca tivemos, essa capacidade.
Mal dos portugueses!
Para além da guerra sem quartel, aberta pelas oposições socialista e comunista, contra a direita «reaccionária e fascista», rótulos com que sempre foi brindada pelo regime de Abril, são as próprias lideranças socialistas que se digladiam, pela disputa do poder.
Os novos arautos, verdadeiros profetas e donos da verdade, querendo reencarnar uma nova espécie de sebastianismo, atacam os camaradas considerados mais frágeis e inexperientes.
Mas, nada de novo acrescentam.
Não há uma ideia nova nas suas iluminadas massas cinzentas.. A verborreia eleitoralista do costume. Como se Portugal não tivesse já perdido uma boa parte da sua soberania, pelas suas próprias mãos.
Quanto mais alta a sua voz, mais fracos os seus argumentos.
Mas, a voz alta, emocionada, teatral e retoricamente inflamada, CONVENCE, CONVENCE SEMPRE.
Populismo do mais puro, perante a desgraça passada, mas  cujo rótulo é endereçado aos outros, a todos os outros que ousam desafiar a sua demagogia.
Cavaco desmaiou, é certo, mas disse uma grande verdade, já depois de recuperar do desmaio:
- Ou nos unimos e conseguimos obter consensos entre os principais protagonistas do regime, ou estamos condenados a um futuro muito sombrio.
 
 
 
 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

DESUNIÃO NACIONAL: INCAPACIDADE DO POVO OU DAS LIDERANÇAS PARTIDÁRIAS?

 
 
O país sempre viveu em crise, desde que foi instituído um novo regime e uma nova República, em 1974.
Não me lembro de alguma vez e com qualquer governo, se viver em Portugal uma situação estável e normal.
Todos os sectores da sociedade portuguesa, incluindo os media e a própria Igreja, se queixavam da crise permanente em que, década após década, vivia a democracia portuguesa.
Crises de etiologia diversa, desde a rivalidade viral entre as ditas esquerda e direita, radicalizadas nos seus redutos ideológicos, até às resultantes da cíclica bancarrota quando a esquerda tomava o poder.
Neste contexto, a direita apenas era chamada a governar, para corrigir os desmandos de uma esquerda protagonizada pelo partido socialista, o partido do regime, que resultou da contra-revolução de 25 de Novembro de 1975.
Mas crise também de hostilidade viral de uma esquerda, convicta da sua propriedade exclusiva do regime instaurado em 1974, tentando, por todos os meios destituir, uma direita, dita reaccionária, quando esta toma o poder, mesmo legitimado pelo voto do povo, porque incompatível com o regime de Abril.
De crise em crise, de bancarrota em bancarrota, de queda em queda de governos, tidos como incompatíveis com Abril, de eleições antecipadas em eleições antecipadas, para recolocar a esquerda no poder, a dona legítima do mesmo, porque para ela e só para ela, o regime de Abril existe.
Crise, portanto, de uma democracia, neste sentido, limitada, em que apenas algumas correntes ideológicas, da dita esquerda, são aceites e apadrinhadas pelos donos do regime que, na sombra e mesmo já com as suas capacidades mentais reduzidas pela idade, continuam a comandar os cordelinhos do regime.
Fora disto, há um mundo que não existe.
Crise de identidade também,  sem nunca se saber ao certo, o que teria sido melhor para Portugal: estar ou não na União Europeia.
Tardando ou descurando essa avaliação, em tempo útil, hoje, talvez tarde demais, os resultados práticos dizem-nos que não foi a melhor opção, pelo menos no «timing» em que foi tomada.
O país da crise permanente, percorrendo, década após década, uma linha sinuosa de altos e baixos, mas sempre tendencialmente decrescente, finalmente e como se previa, acabou por se estatelar no abismo.
Crise das crises, nunca Portugal viveu, pelos menos desde há dois séculos, tempos tão difíceis, de verdadeira emergência nacional.
Mas, apesar desta espécie de estado de sítio em que estamos mergulhados, nem por isso a consciência nacional da união,  perante o perigo, falou mais alto.
Como se nada estivesse a acontecer, a sociedade portuguesa continua dividida, radicalizada em torno do radicalismo interesseiro los líderes partidários e do pensamento egoísta de muitas pessoas, que ainda acreditam que a ideologia do seu clube partidário, se for poder, lhes trará a tábua de salvação e lhes abrirá as portas do paraíso.
Uma clara violação inconsciente, do princípio da «união faz a força».
Divididos, cada vez estamos mais frágeis e vulneráveis e mais facilmente seremos vencidos.
 
Vencidos, pelas consequências da instabilidade e da ingovernabilidade do país. Vencidos por uma situação financeira, económica e social insustentáveis.
Numa situação de drástica redução das reservas de soberania de que dispúnhamos e que opções europeístas precipitadas, nos retiraram, a desunião dos portugueses é alarmante e não pressagia nada de bom.
 
Para além da maciça abstenção em eleições, sinal do enorme desinteresse da maioria da sociedade, pelos partidos políticos, mercê do comportamento incongruente dos seus lideres e dos seus governos, que tramaram irremediavelmente este povo, o espectáculo degradante da desunião e da crise, já os atingiu nas suas entranhas, pondo em risco a sustentabilidade do próprio regime democrático.
Ou entramos na realidade e afastamos o fantasma da desunião, mobilizando forças e ultrapassando divergências ideológicas, começando pela regeneração dos partidos e pela tomada duma nova atitude e simultaneamente a emergência de novas forças políticas, com programas inovadores que introduzam reformas de fundo no regime, Portugal e a sua população, arriscam-se a um futuro extremamente problemático, cujo ponto de não retorno, estará prestes a ser atingido.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A CEREJA EM CIMA DO BOLO: O CULMINAR DUM REGIME

 
O regime inaugurado com o golpe de estado de 1974 e continuado durante algum tempo, com uma revolução protagonizada por forças antagónicas totalitárias, que se digladiavam pela conquista do poder, bem se pode dizer que sempre viveu em crise permanente.
 
Crise de afirmação, crise económica, crise financeira, crise social, crise de competências e oportunismo dos governantes, crise do modelo de desenvolvimento, crise de opções europeístas precipitadas,  crise do modelo de democracia (pseudo representativa), crise da desactualização da Lei Fundamental. sem reforma à vista por teimosia partidária
 
Portugal tem vivido, durante os quarenta anos de regime de Abril numa instabilidade permanente, resultante de todos estes constrangimentos e restrições.
E de crise em crise, num sistema bipartidário que se alterna no poder, apoiado apenas por  menos de metade da população de eleitores,  Portugal definha, a população empobrece, as desigualdades aumentam na mesma proporção em que a riqueza se concentra nas mãos de uma minoria astuta e oportunista, que bem soube explorar as crises.
O sistema globalizado das economias mundiais, criou novos problemas aos países mais débeis como o nosso,  colocados perante uma luta desigual, sujeitando-os às mesmas regras.
Com a adesão à União Económica e Monetária e com a assinatura dos Tratados de Maastricht, Nice e Lisboa, Portugal perdeu praticamente todos os instrumentos de soberania de que dispunha, ficando sujeito, a partir daí, ao cumprimento obrigatório de regras ditadas por centros de decisão europeus.
De tal forma que, hoje, Portugal dispõe de menos soberania do que qualquer estado federado norte-americano.
Tudo foi consumado e congeminado à revelia do povo português, mas acabou ser este a grande vítima destas opções europeístas precipitadas.
Não cuidámos sequer, de manter um mínimo de reserva de soberania, que nos permitisse salvaguardar a nossa dignidade como Nação, em momentos julgados oportunos.
Ficámos completamente à mercê de decisões tomadas por instâncias europeias, por iniciativas irracionais de eurocratas, das regras económicas e financeiras da globalização do mundo e cujos agentes, instalando-se cá dentro, no nosso território, devoram tudo o que é bom e tem valor, da voracidade maior ou menos dos mercados financeiros, para nos financiarmos e no limite deste processo, a meros fornecedores de mão de obra barata, ao serviço dos novos senhores do mundo.
No meio de tudo isto e cá dentro, campeia o salve-se quem puder, o oportunismo, a maçonaria do tráfico de influências e onde se movem os actores do sistema político e os que não conseguem acompanhar este ritmo, ficam irremediavelmente para trás, confinando-se à pobreza e à miséria.
Os actores políticos de sempre digladiam-se pela disputa do poder, exploram a simplicidade e a incredulidade do povo, tentam assassinar os adversários que ganham alguma visibilidade, rotulando-os agora com o novo nome do fascismo, o populismo, eles que sempre foram os mais demagogos e populistas de sempre.
A luta fratricida pelo poder atinge os próprios actores políticos da mesma cor.
Costa contra Seguro, Seguro contra Costa.
Na sombra, o grande predador do sistema e que atirou Portugal para a pior bancarrota de sempre, espreita a sua nova oportunidade: ser Presidente da República.
Cenário provável, se Costa vencer a contenda pelo poder.
Seria a cereja em cima do bolo e o culminar de um regime, maçónico, corrupto e mafioso.
O Portugal de hoje é tudo isto.
Um país à deriva sem uma estratégia de futuro, sem soberania, dominado por oportunistas e resignado aos novos mandarins da Europa e do Mundo.
Que futuro nos reserva? Ninguém tem resposta para esta pergunta, tal a camisa de onze varas em que estamos metidos.
Mas, uma coisa é certa, se nada fizermos nada mudará, ou tenderá a piorar.
Se queremos ainda ter esperança de um futuro digno, é preciso agir, é preciso pegar o touro pelos cornos, enfrentá-lo com determinação e começar desde já com a revisão dos anacrónicos Tratados Europeus e com a renegociação da dívida do país,  que nos devolva a tal reserva de soberania que possa garantir o grau de liberdade necessário e as condições para planearmos livremente o nosso futuro colectivo.
 
Mas é preciso também julgar a história, para que os protagonistas deste enorme desastre nacional, não fiquem impunes, imputando-lhes apenas responsabilidades políticas que, como estamos a assistir, nem estas lhes têm sido atribuídas.
 

sábado, 3 de maio de 2014

SAÍDA LIMPA, SAÍDA SUJA

 
 
Quando um país, entregue a governantes, que têm tanto de incompetentes, como de mentirosos e oportunistas, é obrigado a pedir um resgate financeiro internacional, para poder sobreviver, a entrada nessa situação de dependência, de humilhação nacional e de perda de soberania, é sempre suja.
A saída de uma situação que, por si própria já é suja, também só pode ser suja.
 
Não se pode sair limpo de uma situação suja.
O termo das avaliações da troika a um programa severíssimo de austeridade, que o país foi obrigado a suportar, deixando de rastos a grande maioria da sua população, nunca pode ser considerada limpa a situação que se lhe segue.
 
A situação em que vamos entrar, de regresso aos mercados a taxas mais baixas, significa que vamos continuar a mendigar, a pedir emprestado a especuladores e agiotas , a engrossar a dívida e os seus custos, para podermos continuar a viver, nunca será limpa, é suja e bem suja.
 
Contrair dívida para pagar dívida e financiar os défices de produção e de criação de riqueza, que o país nunca conseguiu superar, mercê de um modelo de desenvolvimento errado, gasto e ultrapassado, por cega obediência a referenciais ideológicos, continua a ser uma situação suja, perigosa e que vai certamente por em causa o nosso futuro colectivo.
 
Falar o governo, embandeirando em arco, em saída limpa do programa da troika, é uma qualificação que não podia ser mais  infeliz, e nunca deveria ter sido invocada, por respeito ao povo português e que apenas serve para o enganar e perturbar ainda mais a sua mente.
Os políticos que protagonizaram todo o descalabro das finanças públicas, durante décadas, deviam ter vergonha.
As suas mãos estão sujas e bem sujas, algumas de sangue.
O legado que deixaram aos governados e seus descendentes, foi de destruição, foi o de comprometerem e alienarem todo o futuro colectivo de uma Nação.
Por todo este legado de destruição, que nos deixaram aqueles em quem confiámos o nosso voto, somos irremediavelmente confrontados com a grande realidade com que nos deparamos hoje:
 
- O referencial ideológico da chamada esquerda socialista, o grande mote da ala moderada da revolução de 1974 e consubstanciada na ordem partidária, pelos partidos socialista e social-democrata, fracassou estrondosamente, por ter fracassado o modelo económico e social dele resultante.
É um facto incontroverso.
 
E que foi agravado substancialmente, pelo negócio intermediário do Estado e seus agentes, ligado e coligados ao poder económico favorecido,  que bem se aproveitaram das suas fragilidades.
A terceira bancarrota, em quarenta anos de regime de Abril e a dura provação a que teve de se sujeitar o povo português, são a prova provada de que o Abril, mesmo o regenerado,  fracassou.
Mas fracassou também este modelo de democracia que, ludibriando o povo português, se transformou numa quase ditadura, fragilizando o poder do voto, e tornando-o cada vez mais inútil.
 
O sistema e o regime precisam, por isso, de ser urgentemente reformados.
 
Continuar a insistir nele é insistir nas grandes desigualdades sociais, na pobreza e na miséria, no desemprego em massa, no regresso da emigração, na ignorância, na subserviência, nos jovens sem futuro e a viver na casinha dos país, no sub-desenvolvimento, em suma sem futuro colectivo digno.
Estará o povo português à altura de protagonizar a reforma do regime? Terá o povo português de hoje, capacidade para interiorizar a necessidade dessa mudança, depois de quarenta anos de intoxicação ideológica no «politicamente correcto» e no dogma do socialismo de Abril?
 
Enquanto estas questões não tiverem resposta,  A NOSSA SAÍDA, SEJA DO QUE FOR, NUNCA SERÁ LIMPA!