sábado, 11 de outubro de 2014

A TRANSVERSALIDADE POLÍTICO-IDEOLÓGICA

 
 
 
 
Ao invés de outros países, o sistema institucional português que, basicamente, é o que resulta da Constituição de 1976 e pequenas alterações posteriores, não permite a transversalidade na aplicação das políticas.
 
Transversalidade significa flexibilidade, pluralidade de ideias, liberdade de aplicação das políticas pelos diferentes governos, conforme as necessidades do país.
Mas, o défice de transversalidade não resulta apenas do enquadramento institucional, sem dúvida o factor mais limitativo, mas também no radicalismo ideológico em que se barricou a sociedade portuguesa.
 
E da intolerância em relação às opiniões dos outros e à tentativa de imposição das suas verdades, tidas como absolutas.
A verdade é que, não há verdades absolutas.
 
Mas, esse défice de transversalidade, de flexibilidade e de pluralismo, resulta ainda de uma imposição da chamada esquerda portuguesa que, escudando-se numa Constituição fechada e claramente formatada à sua medida, logo redutora e inflexível, impede o pluralismo de ideias e o livre exercício da democracia e da aplicação das políticas.
 
Por outras palavras, a esquerda portuguesa, desde a radical e totalitária, à dita moderada, impõe o seu estilo de governação a todo o sistema político e combate, ferozmente, todos aqueles que se lhe oponham, empossada de todo o poder que a Constituição lhe confere.
 
É óbvio que, num quadro institucional com estas características e com uma democracia de fachada e ainda assim, apenas limitada à esquerda, impede a formação de consensos nacionais para salvar o país, por mais que o Presidente da República se esforce para que os seus apelos sejam ouvidos.
A própria esquerda moderada, liderada pelo partido socialista afirma, claramente, ser impossível qualquer acordo ou consenso com a chamada direita portuguesa, mesmo que situada ao centro, desta faixa do espectro político.
 
Ou seja, a direita do centro democrático, é completamente banida do sistema político português, independentemente dos seus protagonistas, como se prova, pela experiência de quarenta anos da III República.
E, quando é chamada ao poder para, nas emergências nacionais resultantes do descalabro das governações da esquerda socialista moderada, será apenas por tempo limitado, apenas o necessário para arrumar a casa, determinado pelos infractores responsáveis, que sempre mandaram no país e sempre o arruinaram, com graves consequências para a população.
 
Em quarenta anos de democracia, que tanta esperança devolveu aos portugueses em Abril de 1974, o sistema político sempre funcionou assim.
Mas, a questão de fundo, que sempre é ignorada e menosprezada, porque ofuscados, quase cegos, pelas ideologias, é que um país não pode mais continuar assim.
Quarenta anos de experiência democrática republicana já nos demonstraram à exaustão, que o sistema e o modelo portugueses, estão errados, desadaptados da realidade e histórica e estatisticamente comprovados, os seus péssimos resultados.
 
A questão de fundo é que, para um país crescer, desenvolver-se e garantir um bom nível de bem-estar social à sua população, a transversalidade institucional e do sistema político, é condição fundamental e essencial.
 
Garantir a transversalidade, é garantir que se criem CONDIÇÕES PRÉVIAS DE CRIAÇÃO DE RIQUEZA, com políticas adequadas dirigidas ao sistema económico e às empresas (políticas ditas, incoerentemente de direita, nesta linguagem simplista a que estamos habituados) e, só à posteriori, depois de avaliados os resultados em termos de crescimento do Produto Nacional, se porem em prática as políticas DESENVOLVIMENTISTAS E SOCIAIS (ditas, também, do meu ponto de vista, incoerentemente, de esquerda).
 
Por isso, salvo poucas excepções, o sistema português, de governações sistemáticas sempre à esquerda, impedindo e não aplicando a transversalidade, sem recursos suficientes previamente disponíveis, preferindo o endividamento, isto é, violando o princípio anterior e a ordem de aplicação das políticas, tem conduzido ao subdesenvolvimento ou estagnação do país e ao empobrecimento geral da maioria da população, por via do endividamento, da ausência de políticas de crescimento com visão de longo prazo e das sistemáticas bancarrotas daí decorrentes.
 
E é dramático que, perante uma situação destas, em que está seriamente ameaçado o nosso futuro colectivo,  uma grande parte da população portuguesa, não devemos inibir-nos de o dizer, por questões ideológicas,  porque não revela conhecer, não se interessa ou não se informa, o que verdadeiramente está a acontecer ao país.
 
Prefere seguir,  cegamente, por militância ou simples simpatia, a palavra, quantas vezes falsa, do seu ídolo partidário.
E, ainda mais grave, repudia sistematicamente, qualquer alternativa que possa mudar o rumo do país, prefere continuar a acreditar nos seus carrascos.
 
Essa parte da população, que exerce o direito de voto, é a que, na prática, decide o resultado de umas eleições e condiciona todo o nosso futuro colectivo.
 
O cativeiro em que nos encontramos, é mais que óbvio!

 
 
 
 
 
 
 

domingo, 5 de outubro de 2014

A HIPOCRISIA E INDIGNIDADE DO SISTEMA POLÍTICO

 
 
 
 
 
05 de Outubro de 2014.
A República comemora os seus 104 anos.
O que era antes motivação e envolvimento populares, transformou-se hoje, na maior indiferença e divórcio.
A reflexão a que me propus hoje, aborda aquilo que Cavaco Silva não disse, mas pensa, no seu discurso, neste dia da República.
 
A democracia, restaurada em 1974, dando início à III República, atravessa uma das suas maiores crises.
Para além das muitas vicissitudes e fragilidades, a democracia portuguesa, transformou-se numa verdadeira farsa, para as massas umas, aplaudirem, outras criticarem, militantes partidários explorarem e deputados teatralizarem, a hipocrisia das oposições e a indignidade dos governantes, complementam a farsa.
 
A democracia portuguesa transformou-se, assim, numa palhaçada carnavalesca, que só nos descredibiliza internacionalmente e enfraquece cada vez mais, internamente.
No meio disto tudo, do salve-se quem puder, alguém colhe dividendos e outros pagam,  uns mais outros menos. Uns perdem tudo, outros ganham tudo!
 
A hipocrisia da família socialista, sempre foi, no regular ciclo da alternância da governação do país, a mais prolongada no poder e a de menor permanência na oposição.
A família social-democrata sempre governou menos tempo e mais tempo esteve na oposição; quer num caso quer noutro, sempre se comportou de forma indigna.
 
Ou seja, para que nos entendamos:
 
De um lado dos alternantes, os socialistas da esquerda moderada, mais tempo no poder, enganam hipocritamente o eleitorado com promessas que não cumprem e outras que cumprem, mas não podiam nem deviam prometer, perdem a cabeça numa furiosa espiral despesista, sem recursos, grande parte completamente inútil, sem qualquer impacto económico reprodutivo, mas com desastroso impacto nas finanças públicas.
Perante a iminência do desastre, uns, fogem por prevenção, outros arrastam o problema até à bancarrota. Quer num caso quer noutro a hipocrisia é total, não assumem as responsabilidades e procuram sempre arranjar alibis e bodes expiatórios.
 
Do outro lado dos alternantes, os sociais-democratas do centro-direita que, perante o desaire socialista, são chamados ao poder com a missão de salvar o país.
Desgraçadamente, bem ou mal, são obrigados a por em prática um severo programa de austeridade.
A ira e a fúria do povo viram-se contra eles. São pedidas as suas cabeças.
Os socialistas, agora na oposição, da forma mais hipócrita e ignóbil, alimentam e incentivam a fúria popular e acusam os sociais-democratas, como os grandes responsáveis pelo que aconteceu ao país. São secundados por toda a esquerda e aclamados em uníssono pelo povo.
Colhem dividendos eleitorais, têm garantido o poder em próximas eleições.
 
Perante este vergonhoso cenário de hipocrisia, por parte dos verdadeiros responsáveis, os sociais-democratas, também eles ávidos de poder, em vez de, de forma digna, se demitirem, já que o povo exige as suas cabeças,  aguentam, pouco ou nada acusam os seus detractores, douram a pílula como podem e deste modo, calando-se, assumem a culpa. Quem cala consente.
Não foram, mas passam a ser, os verdadeiros responsáveis por todas as desgraças.
Mas, ainda assim, aceitam humilhante e vergonhosamente, a continuação no poder.
Comportam-se  com total indignidade.
Porquê? É simples:
- O poder é demasiado doce para ser desperdiçado. A humilhação nunca superará a doçura do poder e os frutos que daí se podem colher, mesmo por pouco tempo, apenas aquele que for decretado pelo partido do regime, o partido socialista, como suficiente para os «almeidas» da política suja, limparem e varrerem a casa, compensarão sempre.
 
Este dramático ciclo repete-se, sistematicamente, nesta República abrilista, praticamente desde há três décadas.
De ciclo em ciclo, o país definha, empobrece, estagna subdesenvolvido.
A população desce, de degrau em degrau, a escala do nível de vida. A pobreza explícita ou implícita alastra. Hoje, já somos aproximadamente três milhões, um terço da população do país.
Uma verdadeira calamidade nacional.
 
Apenas dois exemplos, para reavivar a memória dos mais esquecidos.
 
O pântano de Guterres e a demagogia e populismo de Sócrates.
 
Guterres, antes da fuga precipitada para o exílio dourado na ONU, teve o cuidado de anunciar o pântano que aí vinha e o seu sucessor Barroso, social-democrata, chamado pelo povo, para resolver o já grave problema herdado de Guterres.
Por ter anunciado que o país deixado por aquele,  estava de tanga, foi crucificação no altar da politica e teve de abandonar o país, na primeira oportunidade.
 
Sócrates e a sua estratégia de ocultação e arrastamento da gravíssima situação do país que, de PEC em PEC e da espiral despesista em que entrou, num país já herdado de tanga, nos conduziu à bancarrota.
 
Coelho é chamado a governar, num contexto dos mais graves de toda a História portuguesa, dos últimos dois séculos.
 
Como sempre, no sinistro ciclo, a doçura do poder atrai Coelho. A humilhação a que tem estado sujeito é incomparável à de qualquer outro, dos ciclos de Abril.
Mas aguenta, de forma vergonhosa e indigna, porque sabe que, enquanto estiver no poder, os frutos que colhe, superam, de longe a humilhação.
 
Os mesmos hipócritas, a dupla Costa-Ferro que, ruidosamente no Parlamento e como cães raivosos, iam trucidando Barroso que, já nem sabia onde se havia de meter para salvar a pele, prepara-se agora, para trucidar Coelho.
Pois, já expirou o prazo decretado pelo partido do regime, para os varredores de serviço, da República, limparem a casa. 
 
Por isso, se o PSD fosse um partido digno e estivesse na politica para a honrar, Coelho devia ter tido a dignidade e a honradez, de se demitir, saindo pela porta grande,  logo a seguir à saída da troika e, deste modo, abrindo caminho à  desejada subida ao poder, dos seus hipócritas opositores e deste modo, confrontá-los com  as suas responsabilidades.
Coelho não o fez e fez mal.
Vai ter de sair, com o rabo entre as pernas e pela porta do cavalo. O momento aproxima-se.
 
Mas, contrariamente ao que a nobreza da República pensa, a casa está longe de estar limpa e arrumada. E aí, vão saber o que é ter o povo à perna, experimentar o sabor amargo da ira popular e terem a cabeça a prémio, sensação que nunca, ou raras vezes, experimentaram, no seu regime de Abril.
 
Entre a hipocrisia de uns e a indignidade de outros, Portugal, a República e a sua população, agonizam.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A PSICOSSOCIOLOGIA DO SUPERFICIAL

 
«Habituámo-nos, muitos de nós, mas mesmo muitos, a avaliar e a interpretar as coisas que observamos, aquilo que os políticos nos dizem e nos propõem falsamente, olhando apenas para a forma, para o superficial, para a beleza das cores do presente que nos é oferecido e descuramos ou não temos capacidade de interpretação do seu conteúdo, não por culpa das pessoas, é bom que se diga, mas por culpa de quem, durante décadas, não cuidou da sua formação e educação.
Confundimos o lobo com o cordeiro, o diabo com o anjo e esta confusão tem saído caro ao país, entregando sistematicamente as chaves do galinheiro à raposa, fêmea do lobo, mais sabida e refinada.»
António Bernardo in blog de 23 de Junho de 2013.
 
 
 Há uma tendência natural de,  grande parte das  pessoas, analisarem os factos que ocorrem na cena política e fazerem um juízo de valor sobre eles, olhando apenas para o superficial, ou seja, para o que acontece no momento presente e sem se cuidar da sua explicação que, quase sempre, radica no passado.
É um facto, estatisticamente comprovado.
 
Como se explica este comportamento, no meu ponto de vista, uma das maiores fragilidades e perversidades de uma democracia?
Fragilidade porque, permitindo que actores políticos, quase sempre os mesmos ou da mesma família ideológica, quantas vezes protagonistas de verdadeiros crimes sociais, fiquem impunes e, passado o temporal, regressem à cena política com o maior despudor e com a maior descontracção deste mundo.
 
Depois do crime e da hecatombe provocados, fogem, escondem-se, desaparecem como ratos.
E, quem cá ficar, que resolva o problema.
Novas eleições, novos protagonistas e, quase sempre, o voto costumeiro dos mesmos de sempre, não recai, maioritariamente sobre a formação partidária responsável pelo crime social que, normalmente, vai exigir sacrifícios pesados à população, a mais vulnerável, a mais frágil e indefesa, onde é possível carregar sem grandes estrilhos.
 
Facto curioso, quando isto acontece e, estatisticamente repetido, na vigência desta República de Abril, parece haver, pelo menos, de uma boa parte dos simpatizantes da linha ideológica da facção partidária responsável, uma tomada de consciência, sem  saber bem porquê e sem  se encontrar uma explicação, dado o efeito de surpresa,  de que algo correu mal e, como tal, é imperativo não repetir o voto nessa facção e chamar a que estiver mais próxima para resolver o problema.
 
Ou seja, a população em geral e uma boa parte dos partidários da facção que provocou a hecatombe, perante a interrupção do mandado dos responsáveis, da fuga precipitada dos mesmos, para se esconderem e a convocação de eleições antecipadas, essas populações que os tinham colocado no poder, para além do efeito surpresa, pois nada de anormal tinham detectado, apercebem-se de que alguma coisa não correu bem mas, não fazem a mínima ideia do que aconteceu.
 
Alguns, tendo essa percepção e, pelo sim pelo não, mudam o sentido de voto para o que estiver mais próximo mas, facto curioso, cerca de metade dos partidários, ignoram totalmente o sucedido e não alteram o sentido de voto, ou seja, confiam cegamente nos seus queridos lideres, mesmo fugitivos.
Em qualquer dos casos, não há julgamento social, mesmo da parte daqueles que continuaram a confiar nos fugitivos.
 
Perante a completa ignorância do que os seus lideres ideológicos provocaram ao país, não compreendem a razão das medidas de austeridade, da razão dos cortes que sentem na pele, e que, os que foram chamados a governar foram obrigados a por em prática, para resolver os problemas deixados.
 
E, analisando os factos atuais, apenas avaliando o que os afecta directamente (cortes, aumentos de impostos, quebra de rendimentos), ou seja, pelo seu lado visível, superficial e que sentem no seu dia a dia, imediatamente apontam o dedo aos culpados, os actuais governantes.
 
Começa a agitação social, convulsões, são pedidas as cabeças dos governantes actuais.
Os verdadeiros responsáveis, escondidos no seus covis, riem-se perdidamente.
Os poucos que tiveram a ousadia de dar a cara ou que regressaram  ao seu país, passados alguns anos de exílio para se protegerem, julgando já haver condições, dão-se ao desplante, apoiados pelos media seus seguidores e delfins, de dirigir fortes críticas aos que, sem culpa formada, estão a tentar resolver os problemas por eles deixados, sacrificando a população, como sempre acontece, como inevitável.
 
Essas duras críticas, verdadeira hipocrisia e um dos aspectos mais sujos e mais repugnantes desta democracia, são secundados em uníssono, por uma maioria da população, que não faz a mínima ideia do que sucedeu ao país.
 
É o que se pode chamar de uma psicose colectiva da superficialidade ou também, efeito de recentividade.
 
Mas, para além da fragilidade e da perversidade da democracia portuguesa, que este fenómeno social, sistematicamente repetido em ciclos mais ou menos uniformes, provoca, como se explica este comportamento de uma maioria de portugueses?
Como se explica este comportamento irracional, com a agravante de ser sistematicamente repetido, agravando irremediavelmente a situação do país?
 
No meu ponto de vista, o problema radica em dois factores distintos.
Por um lado, o défice cultural, formativo e educacional de mais de metade dos portugueses e por outro, a doutrinação ideológica que, forças políticas introduzidas nos sistemas educativo e corporativo, têm sistematicamente intoxicado as pessoas, logo desde os bancos da escola, incapacitando-as de pensar racionalmente.
 
É um facto, que as ideologias veiculadas pelos partidos políticos, estão presentes em todo o lado na sociedade portuguesa. Tudo é política e tudo é interpretado à luz da política.
No Estado incluindo autarquias, nas empresas, nas escolas, na justiça e tribunais, nos sindicatos e corporações em geral, nas redes sociais.
As pessoas agem, decidem e se relacionam com os outros, apenas em função da política e da sua doutrinação ao longo de muitos anos, perdendo uma grande parte da sua capacidade de pensar de forma racional e independente.
 
Esta estratégia, ardilosamente arquitectada pelas forças políticas, teve como objectivo, condicionar a capacidade de decisão dos portugueses, colocando-as ao seu serviço e facilitando, deste modo, a sua implantação no país.
 
Da conjugação dos dois factores, o cultural e o ideológico, encontramos aqui uma boa parte da explicação para os fenómenos sociais da análise superficial e do efeito de recentividade.
Enquanto este dois problemas da sociedade portuguesa não forem resolvidos, o exercício da democracia será sempre prejudicado e fragilizado e irá sempre beneficiar os políticos oportunistas que, conhecendo-os, pervertem completamente o exercício do poder, prejudicando o país e a sociedade portuguesa.
 
As consequências da existência destes factores, que persistem na sociedade portuguesa, sem solução, na vigência desta III República,  provavelmente  obedecendo a estratégias partidárias planeadas, estão a ter graves implicações no desenvolvimento do pais, pelo bloqueio que implicam na renovação da classe política e no surgimento de alternativas que pudessem operar uma mudança.
 
Além de outros, estes factores condicionantes, estão a contribuir para que Portugal seja um dos países menos desenvolvidos no seio da Europa, com mais baixo nível de vida e onde as desigualdades são extremamente acentuadas.
 

E, não é de esperar grandes surpresas na alteração do sistema vigente.
Basta dizer que, as forças que se apoderaram do sistema de ensino e formação, da esquerda radical, designadamente o Partido Comunista Português, quarenta anos depois da revolução, continuam bem presentes nas escolas,  incutindo nas crianças e nos jovens, de forma explícita ou implícita nos manuais de ensino e outros suportes, a sua ideologia.
 Não é por acaso, que o Partido Comunista Português está, há muito tempo, colhendo os dividendos dessa intromissão abusiva no sistema de ensino, com a complacência criminosa dos partidos da governação, sendo já o partido português onde, aos milhares, mais jovens militantes se têm alistado nas suas fileiras.


A falta de soluções e o pouco interesse da classe política, tendem a que o subdesenvolvimento do país permaneça crónico indefinidamente, mas favorecendo minorias sociais que continuam a aproveitar-se de todas estas fragilidades.
 
 
Perante este quadro de hipocrisia, manipulação, oportunismo, tráfico de influências, sistemas mafiosos instalados em todo o lado, desde o Estado às empresas privadas, maçonarias secretas, de exploração desenfreada de milhões de cidadãos indefesos, subvertendo esta já frágil democracia, é bem provável, que esta Terceira República termine bem pior do que as Primeira e a Segunda.
 

domingo, 28 de setembro de 2014

A AMBIGUIDADE DA DEMOCRACIA

 
 
 
 
Não acredito nesta democracia.
Não acredito numa democracia em que os pretensos representantes da população não são escolhidos por esta, mas pelas lideranças partidárias.
Logo, uma democracia manipulada.

Mas, manipulada também, porque a população só é chamada a votar em partidos, esses que manipulam a democracia, apenas de quatro em quatro anos. Neste lapso de tempo, é esquecida e ignorada ou, se o não é, será apenas para ser castigada.

Não acredito numa democracia em que o voto, somente de quatro em quatro anos, é comprado. Comprado com falsidades e mentiras, vendido por um povo crédulo, muito dele já formatado mental e ideologicamente, por esses mesmos partidos.

Não acredito numa democracia em que, vendido e comprado o voto, serve apenas para legitimar um poder autocrático e corrupto, que age como uma ditadura, ditando as suas regras implacáveis sobre o povo que o elegeu, ignorando completamente o valor do voto.

Numa democracia que apenas serve para legitimar ditadores oportunistas, agindo sob a falsa capa da democracia.

Numa democracia limitada a uma ideologia de esquerda, em que os ditadores eleitos, com a conivência mediática oportunista do momento, que vira conforme o vento, silenciam a liberdade de expressão e pensamento, rotulando quem de expressa e pensa de forma diferente, de populistas e protofascistas, as expressões mais modernas e actualizadas do fascismo e da reacção.

Numa democracia em que os ditadores eleitos, coniventes com o grande poder económico e seguindo o modelo constitucional do gigantismo do Estado, para favorecer milhares de agentes ligados aos partidos, sob várias formas, criaram uma oligarquia de poderes, político, económico e estatal, que explorou e continua a explorar, milhões de portugueses indefesos, reduzidos à condição de um muito baixo nível de bem estar social.

Numa democracia em que essa enorme redução de bem estar social, quando comparada com outros países europeus, foi incentivada para permitir uma excessiva concentração de riqueza nas mãos de minorias sociais e com grande contributo da globalização, favorecida pelo poder instalado, não salvaguardando minimamente o interesse nacional.

Em suma, numa democracia em que a realidade é falácia e a demagogia realidade e em que o próprio conceito de democracia é ambíguo, falso e enganador.
Numa democracia em que o voto vale zero e, por isso, em que já muitos concidadãos põem em dúvida se vale a pena votar.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

PORTUGAL, UM PAÍS ETERNAMENTE ADIADO OU SEM SOLUÇÃO?



 
 
A transição do regime autoritário da II República para a III, a República de Abril e pretensamente de democracia representativa pluralista, infelizmente, não foi pacífica.
Mau grado saído de uma guerra colonial em três frentes distintas em África, o país crescia economicamente, nos anos 70 do século passado, a taxas perto dos 7% ao ano.
 
O golpe de Estado de Abril de 1974, rapidamente se transformou numa revolução socialista radical e destruiu, em muito pouco tempo, as principais infra-estruturas económicas e financeiras do país.
Empunhando as bandeiras revolucionárias do socialismo, a vanguarda da revolução perdeu, por completo, a noção da realidade. A ideologia marxista-leninista falou mais alto e impôs a sua vontade.
 
Em pouco mais de um ano, Portugal transformou-se num caos.
A queda brusca da economia e da produção nacionais, provocou escassez de recursos, incluindo os financeiros.
Grande parte do ouro que havia em reserva, e eram algumas centenas de toneladas, começou a ser vendido, como forma se suprir as necessidades internas do país.
Apesar do contragolpe corrector de 1975, o mal estava feito e era irreversível.
Bastaram três anos, seguintes à revolução, e o país estava em bancarrota, sendo obrigado a pedir a ajuda ao Fundo Monetário Internacional.
 
O primeiro colapso da III República ocorre aqui, apenas três anos depois da revolução.
Muito cedo, na áurea do novo regime, as leis implacáveis da ideologia e do dogma, ofuscaram completamente a realidade.
A doutrinação popular e as campanhas de «dinamização cultural» marxistas-leninistas-trotskistas, pelo interior do país, ajudaram bastante.
 
Em síntese, em vez da revolução manter as infra-estruturas existentes, preservá-las, mantê-las em funcionamento, porque vitais para o país e depois, com tempo e em verdadeira democracia, reestruturá-las e reformá-las de forma negociada com os seus proprietários, ao invés, a opção ideológica ditou a sua destruição.
 
Portugal não se limitou a parar no tempo. Regrediu décadas.
Países europeus, designadamente a Espanha, saídos igualmente de ditaduras por essa altura, tiveram melhor sorte. O realismo predominou e a transição foi pacífica. Não regrediram, avançaram no tempo.
O país retomou o seu caminho, pretensamente numa democracia representativa, arrancada a ferros aos patrões de uma revolução socialista, que o deixou muito fragilizado.
A retoma foi e continua a ser penosa, pelos factos decorrentes da revolução.
Um vez mais, nas encruzilhadas da História, Portugal não soube encontrar o seu verdadeiro caminho, esse caminho que, com realismo, bom senso, união nacional e inteligência no bom aproveitamento dos nossos recursos, nos poderia ter conduzido a uma espécie de nova «Suíça da Europa»
 
Embora ofuscados e desvalorizados por Abril, os que ainda acreditam nas virtudes deste modelo, a verdade é que, os factos atrás descritos e que ocorreram na realidade, condicionaram toda a nossa acção e desenvolvimento futuros.
Outros ocorridos posteriormente, também por falhas, erros e oportunismos dos actores políticos e sociais, na gestão do sistema democrático, potenciaram os condicionalismos e fragilidades nascidas com Abril.
 
É verdade que alguns protagonistas da política chegados ao poder, tentaram corrigir desmandos e factos condicionantes e, a partir daí, tentar relançar as bases para um novo caminho.
Pouco ou nenhum sucesso tiveram. Uns foram derrubados pela saga ideológica e revolucionária e outros obrigados a trilhar o mesmo caminho para se aguentarem no poder.
 
Três bancarrotas é o balanço, para já, da III República. A última saiu-nos demasiado cara e está a por em causa a nossa autonomia e até sobrevivência enquanto Nação e enquanto Povo.
Uma Constituição demasiado rígida, demasiado extensa e completamente hermética a revisões de ajustamento às realidades presentes e futuras, saída da revolução de Abril, mas que, paradoxalmente beneficia minorias sociais, foi formatada ao milímetro para se eternizar e garantir a permanência dos dogmas da revolução.
Um Tribunal Constitucional, político, porque escolhido por políticos, quando devia ser constituído por juízes independentes, eleitos por comissões especializadas multidisciplinares, foi criado para servir de guardião da Constituição e dos seus dogmas eternos e sagrados, mas flexibilizados, por vezes, conforme o seu peso partidário.
Nenhuma reforma séria do Estado e da estrutura do país pode ser feita sem a sua sanção suprema.
Por esse facto, alguns governos, podem ficar impedidos de governar e aplicar os seus programas ao país.
E mais, novos partidos e novas alternativas políticas, ficam igualmente impedidos de chegar ao poder e dessa forma aplicar igualmente os seus programas.
Por outras palavras, o regime saído de Abril, a III República, não passa de uma falsa democracia, uma democracia limitada a um número limitado de partidos, apenas os que partilham a ideologia da revolução de Abril.
 
Portugal encontra-se assim, refém, cativo de um sistema e de um modelo ideológico que lhe foi imposto pela revolução de 1974, uma grande limitação que outros países tiveram a sorte de não ter.
E, no quadro institucional vigente, é praticamente impossível alterá-lo, mesmo perante a evidência dos seus maus resultados, por um lado, agindo pela exploração implacável de milhões de portugueses e, por outro, de forma absurda, favorecendo e incentivando, pela sua manipulação, a grande concentração económica, financeira e corporativa.
Tudo à sombra das bandeiras do socialismo e da social democracia, como armas de persuasão e de crença no paraíso, para convencer as incautas massas populares.
 
 
O problema de fundo do país e que condiciona todos os outros, está diagnosticado há muito.
Chama-se Estado.
A sua estrutura gigantesca, completamente sobredimensionada e portanto, absurda para a dimensão e necessidades do país, absorve um excesso de recursos que o fraco potencial económico e financeiro do país, não tem capacidade para suportar, sob pena da sua asfixia e dos cidadãos, cujos rendimentos provêm desse sistema económico, impedindo o crescimento e desenvolvimento.
Os órgãos e estruturas em excesso, têm servido, por um lado, para coito e emprego de muitos milhares de pessoas, quase sempre ligadas a partidos, amigos, conhecidos, acção social a minorias étnicas, proporcionando-lhes emprego e muito mais.
A sobre dimensão arrasta consigo outros problemas, pelo aproveitamento dos agentes públicos, completamente imunes:
- Endividamento excessivo, aquisições de bens e serviços por ajuste directo (leia-se sem concurso) aumentando e derrapando a despesa pública e muitas vezes reduzindo a qualidade dos fornecimentos e, obras desnecessárias disparando a despesa e campo fértil para a corrupção.
 
 
Este modelo incentivado pelo regime de Abril e caminho apontado pela Constituição, tem arruinado o país, não apenas pelo efeito dimensão, mas também, com peso idêntico, pelo abuso despesista dos agentes, sem que sejam responsabilizados.
 
Não é por acaso que, em três anos de austeridade imposta ao país, que atingiu preferencialmente os mais vulneráveis, a despesa pública nunca desceu, sempre aumentou, exactamente porque não se reformou a estrutura, que está praticamente intacta.
Cativo de um regime contraditório, porque beneficia poucos, em detrimento e pela exploração de muitos, por um lado, e por outro, porque, mau grado a experiência histórica do modelo de desenvolvimento seguido, ser comprovadamente negativa, com os problemas de fundo bem identificados e diagnosticados, não consegue dar-lhes a solução adequada, pelos constrangimentos ideológicos e institucionais.
 
Portugal arrisca-se, assim, a ser um país eternamente adiado ou mesmo sem solução e o seu povo remetido a uma pobreza explícita ou envergonhada, no fundo um país despromovido à condição de terceiro-mundista, dentro da União Europeia.